[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Gerir conflitos com soluções racionais e adequadas não é uma habilidade das gerências setoriais da Repar. No final do mês de abril, a gestão do setor de Utilidades escancarou mais uma vez seu despreparo e intempestividade diante de um problema de pouca complexidade. 

Para adequar as medidas de prevenção ao novo coronavírus, as refeições nas copas das Casas de Controle (CCL), que antes eram servidas em buffets, passaram a ser individualizadas, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Conselho Federal de Nutrição (CFN). 

Com a mudança para as embalagens, as refeições não estavam sendo servidas na temperatura adequada e os trabalhadores utilizaram os canais disponíveis para cobrar a resolução do problema. É normal que em situações de alterações de práticas corriqueiras sejam necessários ajustes ao longo do processo. O que não foi normal é a reação intempestiva do gestor. 

Para “resolver” o problema, a ordem imediata foi que todos os técnicos de operação do setor deveriam se deslocar até o restaurante para fazer as refeições. A truculência da decisão que deveria ser no mínimo reavaliada ou questionada, por se tratar da saúde e segurança dos trabalhadores, não foi apenas ratificada por outras gerências da produção da refinaria, como também foi copiada. 

A bizarra “solução” ocasionou a ampliação dos principais riscos de contaminação pelo novo coronavírus, como aglomerações, compartilhamento de veículos e mobiliários. Tal medida é extemporânea, pois os casos de Covid-19 no Paraná estão em acentuada tendência de elevação. Cabe citar que denúncias enviadas ao Sindicato dão conta que os trabalhadores não estão sendo distanciados devidamente no restaurante e nem as mesas estão com higienização regular. 

Além de ampliar as condições para a disseminação do coronavírus, fragiliza ainda mais a segurança operacional da unidade, que estão com seus quadros de profissionais reduzidos desde a implantação unilateral do fatídico O&M (Organização & Método), com frequente e irresponsável aplicação da demanda reduzida e aumento unilateral da carga horária do turno de 8 para 12 horas. 

As copas nas CCLs das unidades foram criadas com o objetivo de manter o técnico de operação na sua unidade, inclusive no horário das refeições, para atuar no tempo adequado em casos de emergências e descontroles operacionais. A decisão descabida dos gestores vai ao encontro da tragédia anunciada. 

Após cobrança formal do Sindicato, a única providência que a empresa tomou foi a elaboração de uma nota direcionada aos trabalhadores, um tanto quanto contraditória, ou cômica, se não fosse a seriedade e gravidade do problema. No informe, a justificativa é que a medida, entre outras, visa aumentar o distanciamento entre as pessoas, com o objetivo de ampliar a prevenção à Covid-19. Ilógico, no mínimo. 

Em recente pesquisa realizada pelo Sindipetro PR e SC sobre as medidas de prevenção ao coronavírus adotadas pela empresa, com grande participação da categoria, a alteração do local da refeição para o refeitório foi o segundo item mais citado espontaneamente como preocupação de contaminação, perdendo apenas para a falta de informações aos trabalhadores sobre os casos positivos e medidas praticadas. 

O Sindicato reafirma a continuidade do trabalho de fiscalização e cobrança das ações necessárias para zelar pela saúde e segurança dos trabalhadores. As denúncias de situações de risco e de práticas irresponsáveis da empresa continuarão sendo encaminhadas aos órgãos de vigilância sanitária que estão atuando no controle da pandemia. 

É inadmissível que os gestores locais da Repar insistam em atuar fora dos protocolos técnicos e científicos de combate à Covid-19, colocando em risco os trabalhadores e a comunidade, por mera arrogância causada pela síndrome do pequeno poder.

Redobrar os cuidados e denunciar!

Ainda que a gestão da empresa não faça sua parte, todos podem contribuir para evitar a propagação do vírus com a atenção às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) de evitar aglomerações, manter distanciamento de outras pessoas, usar máscara sempre que estiver fora de casa, lavar sempre as mãos e usar álcool em gel, entre outros. 

O Sindipetro orienta os trabalhadores a redobrarem a atenção em relação às medidas de controle contra o contágio e proliferação da Covid-19. Caso encontrem situação de risco, utilizem o direito de recusa, conforme estabelecido pela cláusula 78 do ACT 2019/2020, e denuncie a algum dirigente sindical ou ligue para (41) 3332-4554 (Telefone Sede Sindicato).

Publicado em Sistema Petrobrás

[Com informações da CUT]

Os presidentes da CUT, Força, CSB, UGT, CTB e NCST comandarão o ato que será realizado nesta quarta-feira (8), às 11h, em frente ao Ministério da Economia, em Brasília. Os dirigentes apresentarão documento elaborado pelo Fórum das Centrais Sindicais, com propostas para a preservação da vida, emprego e renda, e uma agenda de retomada da economia.

O documento foi entregue oficialmente ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em 21 de junho, durante videoconferência entre o parlamentar e os presidentes das seis centrais. Confira aqui a íntegra do documento.

Não haverá aglomeração. O ato é simbólico com a participação de 10 dirigentes de cada central. Todos os protocolos sanitários e medidas de proteção individuais serão respeitados para evitar o contágio e a propagação da Covid-19. A CUT e as demais centrais defendem o isolamento social e as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) como essenciais ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Avatar militante

A militância das centrais será convidada a participar do ato em Brasília, de forma virtual, por meio do manif.app, ferramenta criada por sindicalistas da França e utilizada para manifestações durante a pandemia.

Pelo aplicativo, os militantes e as militantes criam um avatar, que carrega um cartaz e aparece no local do protesto, no caso, em frente ao Ministério da Economia.

Saiba como participar

Ao entrar no aplicativo clicando aqui, você cai direto na Esplanada dos Ministérios, local do protesto. Depois disso, você preenche o campo slogan e coloca a palavra de ordem que quer na sua placa de manifestante. 

Confira o passo a passo e marque presença virtual no ato:

O primeiro passo é entrar no Manif.APP [o clique aqui para acessar o link], ele te direcionará diretamente para o Ministério da Economia.

Reprodução 

Reprodução

Em seguida, preencha o campo Slogan. Nele, você coloca a palavra de ordem que quer ter em sua placa de manifestante, por exemplo: “Em defesa dos empregos” ou “Fora Bolsonaro”.

Clique no botão Manifeste-se e sua presença virtual já está garantida no ato. 

Para concluir, divulgue o link do Manif.APP em suas redes sociais para convidar companheiros e companheiros para se juntar a nós nessa manifestação virtual

O aplicativo usa o serviço colaborativo Open Street Map (equivalente ao Google Maps) É responsivo, portanto, fácil de ser acionado. Permite a qualquer pessoa organizar um evento online, convidando outras pessoas a irem ao mesmo lugar por meio de contatos ou redes sociais.

Dados seguros

Segundo a plataforma do aplicativo, as informações dos usuários (contato e informações pessoais) não são compartilhadas, transmitidas, armazenadas ou fornecidas. Nenhuma informação privada (número de telefone, número IMEI, seu nome ou outro) é transmitida pela Internet. Segundo informou a SBPC quando realizou sua marcha virtual, o participante fica completamente anônimo.

 

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[Reportagem da CUT | Por Érica Aragão]

Preocupados em atender a pressão do empresariado, inclusive de escolas particulares, os governos federal, estaduais e municipais estão anunciando diariamente medidas para a retomada das atividades econômicas, entre elas, a volta as aulas, mesmo com a curva crescente de contaminação e morte por Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, no país.

Na maioria dos estados, o recomeço das aulas está previsto para agosto, outros estão mais avançados e querem voltar antes. No Rio de Janeiro, escolas particulares pressionam pelo retorno à sala de aula e o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) anunciou que a volta das escolas privadas seria facultativa a partir do dia 10 de Julho.

Uma das falsas justificativas para o retorno das aulas é que muitas pessoas, principalmente as mulheres, não têm com quem deixar os filhos para trabalhar e podem perder seus empregos.

“A retomada da economia sem pensar na realidade da mulher, que é a maioria na força de trabalho, vai prejudicar ainda mais a vida delas, principalmente as negras e mães solos”, afirma a socióloga da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) da CUT Nacional, Adriana Marcolino.

“As mulheres também não veem segurança para a retomada das aulas presenciais”, afirma Adriana se referindo a pesquisa do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), que revelou que 86,73% dos entrevistados disseram que não enviariam seus filhos para as atividades presenciais antes do ritmo da contaminação cair.

“Quem irá ficar com as crianças em casa, protegidas contra o coronavírus, para que essas mulheres voltem a trabalhar? Seremos mais uma vez empurradas para fora do mercado de trabalho?”, questiona Adriana.

Quase nove em cada dez trabalhadores - ocupados ou buscando emprego -que vivem completamente sozinhos com seus filhos menores de 14 anos no país são mulheres. Entre os quase 2 milhões de brasileiros nessa situação, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicado na Folha de S. Paulo, 1,76 milhão são do sexo feminino e 233 mil ao masculino. As negras são maioria nesse universo de mulheres vulneráveis, embora sejam 54% da força de trabalho feminina, as pretas e pardas equivalem a 64%, ou quase 1,1 milhão, das profissionais que são “mães solo”.

De acordo com a técnica do Dieese, mesmo nas famílias que têm os dois cônjuges é muito possível que na negociação interna da família a mãe opte por ficar cuidando do filho e o pai assuma seu posto de trabalho porque não tem com quem deixar seus filhos.

“No caso das mães solos a situação é muito mais grave porque elas precisam do trabalho para sustentar sua casa e a família e por outro lado não têm como defender a retomada das aulas e não podem contar com nenhuma estrutura pública e com isso são ainda mais penalizadas”.

Dificuldades no acesso e na permanência do trabalho

Leila Lopes, negra, divorciada, mãe solo, moradora da periferia e caixa numa rede de restaurantes foi chamada para o retorno ao trabalho no shopping, mas preferiu ser dispensada, porque não tinha com quem deixar seu filho Rafael de 11 anos, que depende dela para estudar em casa e se alimentar. E ela não é única.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) mostrou que 7 milhões de mulheres abandonaram o mercado de trabalho na última quinzena de março, quando começou a quarentena. Além da demissão, elas têm mais dificuldades para procurar uma vaga e se manter no mercado.

“Esses dados demonstra a dificuldade que o país ainda encontra em garantir uma política de acesso e permanência das mulheres no mercado de trabalho e políticas adequadas de cuidados dos filhos, para que elas possam exercer suas profissões. O que a pandemia fez foi escancarar este problema e a retomada da economia piorar ainda mais”, afirma Adriana.

Ela conta que em Portugal, para que as mulheres conseguissem manter sua renda e garantir proteção à vida das crianças, o governo deu um vale para que as trabalhadoras pudessem contratar uma pessoa para cuidar dos seus filhos enquanto elas estão trabalhando. No Brasil, o auxílio emergencial para as mães solos no valor de R$ 1200 não chegou para muitas mulheres, principalmente as negras e da periferia. 

“Esta retomada da economia antes da hora vai empurrar as mulheres para fora do mercado de trabalho, ampliando a parcela de mulheres na inatividade, que já são a maioria”, comentou Adriana.  

Outras possibilidades

Para a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, muitas mulheres, principalmente as negras, que estão tendo dificuldades em administrar emprego e a responsabilidade de cuidar dos filhos vão tentar viabilizar arranjos familiares ou com vizinhos porque não tem política pública de assistência para poderem continuar trabalhando.

“O Estado deveria dar alguma contribuição adicional para que estas mulheres pudessem de alguma forma compartilhar responsabilidades, mas como não tem milhares de mulheres vão pedir demissão ou tentar garantir alguma estrutura na comunidade e contar com a solidariedade das pessoas para conseguirem voltar ao trabalho”, afirma.

O maior risco, complementa Adriana, é que muitas mulheres estão perdendo a autonomia econômica e outras estão sendo obrigadas a criar situações pouco protegidas para as crianças pra poder conseguir trabalhar. Tudo isso por falta de uma política pública que garanta a essa mulher o direito de voltar ao trabalho com tranquilidade, mantendo seus filhos seguros.

Questão de classe

Marilane destaca que também é uma questão de classe. Com a reabertura da economia, apesar da curva de contaminação em alta, quem pode vai contratar babá para continuar trabalhando em casa, com toda família protegida, quem não pode vai se arriscar e ainda pode colocar os filhos em risco.  

“A classe média vai pagar a babá para fazer seu home office ou mesmo pintar a unha, enquanto a empregada doméstica, por exemplo, que está sendo obrigada a trabalhar mesmo antes da reabertura comercial, precisa levar seu filho ao trabalho e acabou perdendo a criança porque a patroa não teve paciência em ficar com o menino enquanto a mãe levava o cachorro para passear”, disse a economista.

Marilane se referiu à morte de Miguel Otávio, de cinco anos, que caiu do 9º andar de um prédio de luxo, no Centro de Recife no dia 2 de junho. Naquele dia, como não tinha com quem deixar o filho, a doméstica Mirtes Renata de Souza, o levou para o trabalho e enquanto foi passear com o cachorro da patroa, a primeira-dama de Tamandaré, Sari Corte Real, deixou o filho sob seus cuidados. Como o menino pedia muito pela mãe, ela deixando que ele entrasse no elevador e ainda apertou o andar da cobertura, mas o menino apertou outros andares e acabou descendo no 9º de onde caiu de uma varanda de serviço.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, concorda com Marilane e diz que a retomada da economia favorecerá só a classe média e alta deste país.

“Eu defendo o lockdown [fechamento total da economia] porque para o mercado não interessa em saber que são as mulheres pretas e pardas que estão na economia informal, no trabalho precário, com baixos salários, são as que mais precisam de renda, mas também não vão querer deixar seus filhos nas escolas para correrem o risco de perder seus filhos para a Covid-19”, ressalta.

Papel da escola e papel do governo

Para a professora e secretária de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Rosilene Corrêa Lima, a justificativa do governo de ter que reabrir escolas para as pessoas poderem ir trabalhar revela que a escola é vista de forma errada.

Segundo ela, os governantes estão distorcendo a concepção do processo educacional e transferindo para ele uma responsabilidade social do Estado sendo que o papel do governo federal e dos governos locais é investir o dinheiro público, disponível no Orçamento da União, nas políticas públicas de apoio à população pobre para, em primeiro lugar, as pessoas possam sobreviver com dignidade e, em segundo, para segurar a economia.

“Responsabilizar a escola pelo desemprego das mães que vivem sozinhas com seus filhos é falácia. Neste momento da pandemia, o que a gente menos precisa é desse tipo de mentira”.

“Mas o governo Bolsonaro, por exemplo, preferiu entregar o dinheiro público aos banqueiros, a título de ajuda por causa da pandemia. Só em março, receberam quase R$ 2 trilhões do ministro da Economia e em abril começaram a demitir milhares de bancários. É isso que aprofunda a crise econômica e não a escola aguardando a pandemia passar”, destaca Rosilene.

Fora que, aponta a dirigente, “tem que ser destacado que os protocolos em todo o mundo consideram escolas, faculdades e universidades como sendo os últimos espaços a serem reabertos, em função do altíssimo potencial de contágio desses lugares, o que causa, invariavelmente, repiques nos casos de contaminação”.

As escolas estão preparadas?

A Secretária de Combate ao Racismo da CUT e também professora, Anatalina Lourenço, disse que é preciso se perguntar se as escolas do país, de um modo geral, têm condições de voltar às aulas neste momento. Segundo ela, a estrutura da escola já coloca esta questão em xeque.

“Nas escolas públicas a gente vê escolas que só tem um lavabo com 4 torneiras para 700 alunos, um banheiro para os meninos e um para as meninas e as salas superlotadas, como é que se evita aglomeração deste jeito?”, questiona.

Segundo ela, se o governo estivesse comprometido de fato com o bem estar da sua população seria mais responsável em averiguar as condições dadas e ainda pagar um auxílio a nível estadual para que as mães resguardem suas vidas e as de suas crianças.

Tem saída?

Anatalina ressaltou que a saída não é o retorno às aulas, mas que também não existe saída mágica. Segundo ela, é por isso que os governos deveriam sentar com os sindicatos, organizações sociais, com os pais para definirem de fato o que é melhor.

“Não há saídas milagrosas, mas esta construção não deve ser feita de uma mão única, de cima para baixo. É preciso dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras da educação, com os alunos e país porque sozinho ninguém resolve nada. A gente precisa garantir que as crianças retornem às escolas com proteção à vida, e não correndo risco de serem contaminadas”, afirmou a dirigente.

“E é justamente por falta de uma ação contundente, seja de âmbito federal, estadual ou municipal que os governos agora tentam, de forma irresponsável,  salvar economia a partir da abertura do comércio e das escolas. Isto é de uma irresponsabilidade sem precedentes”, concluiu Anatalina.  

[FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS]

 

Publicado em Trabalho

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

O Sindipetro-NF tem recebido de petroleiros e petroleiras de algumas empresas do setor privado, não representados pela entidade, reclamações acerca de acordos celebrados com outras entidades sindicais que provocaram redução de salários e benefícios durante a pandemia da covid-19.

Entre os relatos, estão os de redução no percentual de sobreaviso dos funcionários offshore, de 20% para 10%, e redução no valor do vale alimentação (de R$ 407,00 para R$ 250,00 no caso de uma das empresas).

O NF, embora não represente formalmente estes trabalhadores, é solidário a estes petroleiros e, nas suas cobranças junto à Petrobrás, pauta com frequencia a pressão para que os contratos da companhia com as terceirizadas garantam condições salariais e de trabalho justas.

O sindicato tem denunciado que muitas empresas estão aproveitando do período de pandemia para rebaixar salários e benefícios, além de promover demissões, justamente em um momento crítico da humanidade, quando deveriam praticar de modo ainda mais acentuado a responsabilidade social que costumam divulgar nas suas peças de marketing.

Publicado em Setor Privado

Um grupo de trabalho do Departamento de Medicina Preventiva e Social e do Programa de Pós-graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho da UFBA elaborou uma Nota Técnica como subsídio para a organização e estruturação das ações de prevenção da COVID-19 em locais de trabalho.

A Nota traz o conteúdo voltado para a organização do Programa de Prevenção da COVID-19 nos Locais de Trabalho (PPCL).

O objetivo é que o maior número possível de trabalhadores e trabalhadoras, assim como as suas representações, e ainda profissionais da Saúde do Trabalhador e Segurança do Trabalho, tenham acesso à Nota para que possam intervir em situações e locais de trabalho, contribuindo com as ações que devem ser adotadas para evitar o contágio e proliferação do novo coronavírus (covid-19).

A Nota, elaborada pelos médicos e pesquisadores da UFBA, detalha os procedimentos que devem ser adotados em diversas situações, a exemplo da organização de atividades essenciais durante a pandemia, ações de educação e comunicação em saúde para prevenção da COVID-19 nos locais de trabalho, medidas para assegurar o distanciamento físico, evitando quaisquer aglomerações, e higienização em locais de trabalho.

A Nota detalha também os procedimentos corretos para o transporte e deslocamento de trabalhadoras(es), além de tratar sobre exames médicos e condutas afins, ressaltando as medidas que devem ser tomadas para notificação e afastamento de casos de COVID-19, e até, em último caso, a interdição da empresa ou embargo de atividades.

Sediada na página eletrônica da Faculdade de Medicina da Bahia, a Nota está sendo replicada no site e redes sociais do Sindipetro Bahia, devido à sua grande importância, principalmente no atual momento em estamos vivendo com 60.813 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quinta-feira (2), segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados coletados das secretarias estaduais de Saúde.

Clique aqui para ler a nota na integra

[Via Sindipetro-BA]

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Uma vigilante terceirizada da Transpetro na Bahia é mais uma vitima da covid-19. Maria Célia Batista dos Reis da empresa Guardsecure, trabalhava no Porto do Mirim, no município de Madre de Deus, tinha 61 anos, era uma esportista – praticava halterofilismo – e deixou filhos e amigos.

Célia chegou a ser afastada do ambiente de trabalho por ser do grupo de risco devido à idade, mas, além de ter o salário reduzido, teve o seu plano de saúde suspenso, só sendo restabelecido após muitas reclamações dos filhos junto à empresa. No dia 24/06 ela foi internada na UPA de Itinga, no dia 25/06 foi transferida para o Hospital de Campanha de Periperi, onde fez o teste RT PCR com resultado positivo. A doença se desenvolveu de forma rápida e fatal. Os familiares tentaram transferi-la para o Hospital Teresa de Lisieux, mas, em virtude da suspensão imposta pela empresa, quando conseguiram já foi tarde demais. Célia faleceu na quarta-feira (1/07).

Na manhã dessa quinta-feira (2) segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa, a partir de dados coletados das secretarias estaduais de Saúde foram registradas no Brasil 60.813 mortes por coronavírus. Célia será mais uma a ser adicionada a essa estatística. Mas não são apenas números, são vidas, são milhares de famílias destroçadas, em muitos casos por negligência.

O Sindipetro Bahia já havia denunciado, em matéria publicada no site da entidade sindical no dia 20/05, que a Guardsecure estava negligenciado as medidas sanitárias necessárias para a continuidade dos serviços de forma segura. A gerência operacional da empresa tem coagido os vigilante para não repassarem a pessoas da Petrobras informações sobre infectados. A suspensão do plano de saúde para os afastados por motivo de doença tem sido uma prática desta empresa.

Na época, denunciamos que em uma semana três vigilantes que prestam serviço na Transpetro de Madre de Deus, testaram positivo para o novo coronavírus (covid-19). Eles foram afastados do ambiente de trabalho, mas antes já haviam tido contato com diversos outros colegas.

Infelizmente, a gestão da Transpetro está sendo conivente com este descaso com a saúde dos seus prestadores de serviço e não pune estas atrocidades cometidas pela Guardsecure.

Denunciamos também que os vigilantes na Transpetro estavam sendo transportados em vans lotadas, sem nenhum cuidado ou prevenção. Além de ter cobrado a implementação e ampliação de procedimentos simples como diminuição da lotação nos transportes, distância de 1 metro e meio entre as pessoas, uso de máscaras de qualidade, de álcool gel, sabonetes e toalhas descartáveis, além do teste rápido para a covid-19.

As entidades sindicais têm feito a contagem de casos de covid-19 na Petrobrás a partir de informações que chegam através dos próprios trabalhadores. Veja abaixo casos de contaminação e morte pela covid-19 que chegaram ao conhecimento do Sindipetro

Infectados pelo novo coronavírus (covid-19), na Bahia

24 casos na RLAM
3 casos na Unidade de Araçás (trabalhadores próprios)
1 na Unidade Taquipe (terceirizado)
1 na Estação Vandemir Ferreira (trabalhador próprio)
3 na Transpetro de Madre de Deus (três vigilantes – terceirizados)
1 na Transpetro Itabuna (terceirizado)
1 no Torre Pituba de um trabalhador lotado na RLAM (trabalhador próprio)
3 na termoelétrica Arembepe
1 na termoelétrica Muricy (assintomático)
1 na Plataforma de Manati (vigilante terceirizada)
1 na Unidade OP-CAN

Mortes
2 mortes

– Um trabalhador da Halliburton. Johnny de Carvalho Mafort, 36 anos, era do Rio de Janeiro e estava de passagem pela Bahia prestando serviço à Petrobrás na UO-BA, e faleceu no Hospital Aeroporto.

– Uma vigilante da empresa Guardsecure que presta serviço na Transpetro Madre de Deus. Maria Célia Batista dos Reis da empresa Guardsecure, trabalhava no Porto do Mirim, tinha 61 anos, e faleceu no dia 1/07

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Diante da insistência da gestão da Petrobrás em expor os trabalhadores ao risco de contaminação pelo coronavírus, ao manter o calendário de transferências durante a pandemia, a FUP deu prazo de 48 horas para que a empresa reveja sua posição e suspenda imediatamente as movimentações previstas para terem início nesta quarta-feira, 01/07.  

Desde que a gestão da Petrobrás começou a acelerar a transferência dos trabalhadores de unidades hibernadas e desmobilizadas, por conta das vendas de ativos e do desmonte que a empresa está sofrendo, a FUP tem denunciado a ilegalidade deste processo, pois está sendo feito sem discussão prévia com os sindicatos, como determina o Acordo Coletivo de Trabalho. Além disso, é um absurdo que as movimentações sejam realizadas durante a pandemia da covid-19, que já matou mais de 58 mil brasileiros. Várias cobranças foram feitas ao RH para que suspenda as transferência, tanto em reuniões virtuais, como através de documento enviado à empresa no dia 19 de junho.

A Petrobrás, no entanto, ignorou as solicitações, colocando em xeque até mesmo protocolos de segurança e recomendações de órgãos fiscalizadores para que os empregadores não realizem transferências de trabalhadores durante a pandemia, até que as autoridades sanitárias atestem condições de controle epidemiológico.

Em documento enviado à FUP, a Petrobrás reafirmou que “as condições em que está sendo realizado todo o processo de transferências dos empregados lotados em projetos de desinvestimentos da Cia., percebe-se não haver qualquer razão para que haja a suspensão da mobilização de pessoal em questão, já que há total prestígio pela manutenção dos empregos envolvidos e pela sobrevivência da empresa – o que é desejo comum da Cia. e dos seus empregados”.

Em resposta, a FUP reiterou os riscos a que estão expostos os trabalhadores e reafirmou que não tolerará o descumprimento da cláusula 41 do ACT onde a Petrobrás se compromete, “nos casos em que haja excedente de pessoal decorrente de reestruturações e/ou reduções de atividades, a comunicar as Entidades Sindicais, com antecedência, as ações de mobilização de empregados de sua base para outras regiões, bem como a analisar as demandas que venham a ser apresentadas pelas Entidades Sindicais em decorrência da comunicação acima”.

Na reunião desta terça-feira, 30, com o RH da Petrobrás, a FUP voltou a deixar claro que não aceitará a retirada de direitos, nem o desrespeito aos fóruns de deliberação dos trabalhadores, muito menos o desmonte do Acordo Coletivo e o descumprimento de cláusulas garantidas na mediação com o Tribunal Superior do Trabalho.

Leia a íntegra do documento enviado pela FUP à Petrobrás na segunda-feira, 29/06:

[FUP]

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[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Unilateral e autoritária. Assim a política de prevenção da covid-19 da Petrobrás é definida pelo médico que assessora o Sindipetro-NF, Ricardo Garcia Duarte, em entrevista concedida ao jornalista do sindicato, Vitor Menezes. Leia a íntegra:

Em parecer ao Ministério Público do Trabalho, uma analista pericial confirmou a necessidade de testes moleculares para a covid-19 entre os trabalhadores e trabalhadoras. Orientado pelo médico do trabalho da entidade, Ricardo Garcia Duarte, o Sindipetro-NF tem feito esta mesma cobrança. Nesta entrevista ao Nascente, ele explica as diferenças entre os testes e afirma que “a estratégia para testagem utilizada pela Petrobrás foi iniciada de forma tardia, tímida e sem contemplar, até a presente data, a todos os trabalhadores”. Confira:

Nascente – Em parecer recente ao Ministério Público do Trabalho, uma médica concordou com necessidade do teste molecular para confirmação da covid-19, que é algo que o senhor e o Sindipetro-NF tem alertado. O que é esse teste e porque ele é necessário?

Ricardo Duarte – O teste molecular RT-PCR é um teste de Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa em tempo real que verifica a presença de material genético do vírus, e confirma que a pessoa se encontra com covid-19. Ele é considerado padrão ouro para o diagnóstico e para sua realização são utilizadas grandes cotonetes (swabs) para coleta de secreções respiratórias em orofaringe (garganta) ou nasofaringe (nariz), que serão analisadas em laboratório. O parecer da médica, que é analista pericial em Medicina do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, conclui indicando que o RT-PCR deve ser sempre utilizado enquanto houver IgM (+), mesmo com IgG (+); sendo importante ressaltar que o trabalhador só poderá voltar a embarcar com RT-PCR (-) negativo.

Nascente – Quais são os tipos de testes e como devem ser usados?

Ricardo Duarte – Existem dois tipos de testes, o primeiro é molecular e o segundo e o terceiro são sorológicos. O teste molecular (RT-PCR), por detectar a presença do RNA do vírus no organismo entre o 2º e o 14° dia do início de sintomas (mas podendo persistir por mais dias), é considerado o mais sensível e específico para o diagnóstico da covid-19, sendo classificado como padrão ouro, devendo ser utilizado quando alguém apresenta sintomas e em seus contactantes mas, também, de forma periódica (mensal) para todos que embarcam de todas as empresas. Já os testes sorológicos e os testes rápidos verificam a resposta imunológica e detectam a presença de anticorpos IgM e IgG no organismo, a partir respectivamente de reação inicial e mais tardia ao contato com o novo coronavírus entre o 07º e 14º dia. Sendo importante lembrar que não servem para diagnóstico da doença e os seus resultados não são confiáveis em quase 50% casos, mas podem ser utilizados para rastreamento de pessoas infectadas na população geral.

Nascente – Como o senhor avalia a política de testes da Petrobrás junto aos trabalhadores próprios e terceirizados?

Ricardo Duarte – A estratégia para testagem utilizada pela Petrobrás foi iniciada de forma tardia, tímida e sem contemplar, até a presente data, a todos os trabalhadores que exercem atividades para a indústria do petróleo (seja na produção, no transporte, no apoio, na hotelaria, etc.). Por isso, ela é temerária porque ao invés de tentar rastrear e bloquear a disseminação do novo coronavírus, deixa lacunas e omissões que tem trazido como consequência um número grande de pessoas infectadas e, com um agravante que é a insistência da empresa em esconder o número total de casos, a gravidade dos mesmos, os locais onde tem ocorrido com maior incidência ou prevalência, assim como as sequelas e os óbitos.

Nascente – A Petrobrás tem falado em retorno ao trabalho presencial para aqueles que haviam conseguido ficar em home office. Na sua avaliação, já é hora de tomar essa medida?

Ricardo Duarte – Ainda não, continuamos em um momento onde o número de casos e de óbitos pela covid-19 (assim como aqueles referentes às Síndromes Respiratórias Agudas Graves-SRAG e Síndromes Gripais-SG sem diagnóstico etiológico) continua em um crescente, principalmente nas cidades próximas às capitais e no interior do País. Algumas regiões (RS, MG, MS, TO e interior São Paulo) que haviam flexibilizado porque vinham mantendo um número de casos e óbitos menores e em curva descendente, tiveram aumentos expressivos, fazendo-os voltar a adotar o isolamento social como forma de bloqueio da disseminação do vírus. Uma volta precoce e precipitada traz grandes riscos de piora da epidemia pelo novo coronavírus (e muitas das que ocorreram foram propulsionadas tanto pelo Governo Federal como por empresários ávidos para retomada a qualquer custo, em detrimento do risco que isso significa de agravos maiores à saúde e de mortes de muitos trabalhadores – isso tudo contando, também, com a participação de alguns prefeitos e governadores).

Nascente – Para os trabalhadores que embarcam, como o senhor avalia os procedimentos da Petrobrás em relação à prevenção à covid?

Ricardo Duarte – Considero que os procedimentos adotados pela Petrobrás foram e estão sendo feitos de forma unilateral, sem a participação das Cipas e Sindipetro-NF e demonstram, por um lado, a maneira autoritária e, por outro, leviana e com muitas omissões no que diz respeito ao enfrentamento da pandemia pelo novo coronavírus. Tudo isso agravado pela recusa da empresa em prestar informações a respeito do número total de pessoas que foram contaminadas, hospitalizadas, que vieram a óbito ou que precisarão de apoio especializado pelas sequelas físicas e psíquicas decorrentes da covid-19. Não temos visto ações reais e com frequência diária (várias vezes ao dia) relacionadas a higienização de banheiros, de locais e postos de trabalho, de locais e veículos de transporte (terrestre e aéreo), de dutos de ar condicionado central; assim como não temos visto a distribuição de máscaras em número suficiente para cada turno de 12h e de qualidade para evitar contágio por via aérea. Sendo importante lembrar que para os trabalhadores prestadores de serviços as coisas estão piores: ônibus ou vans das empresas cheios ou não respeitando o distanciamento de 1,5-2 metros entre cada ocupante de assento (isso servindo para a Petrobrás também), sem distribuição de máscaras para transporte ou trabalho, sem testagem para um grande número de trabalhadores que convivem nos mesmos espaços de trabalho dos funcionários da Petrobrás. Enfim, a prevenção da covid-19, assim como de acidentes e outras doenças profissionais ou do trabalho.

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da Imprensa do Sindipetro-RN]

Justiça derruba liminar e recurso da Petrobrás que tentavam suspender ação do SNDIPETRO-RN contra o plano de resiliência da Companhia que reduziu jornadas e salários de trabalhadores no Estado.

A ação do SINDIPETRO-RN, deferida pela 13ª Vara do Trabalho de Natal, sustou a medida de resiliência e mandou a Petrobras devolver os valores que haviam sido subtraídos dos empregados atingidos nos meses anteriores.

Após isso, a Petrobrás entrou com um pedido liminar em mandado de segurança para o Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região. Sendo o pedido negado pela Desembargadora Relatora.

Dessa decisão que negou a liminar, a Petrobras interpôs um recurso de Agravo Regimental para o Pleno do TRT21.

Em decisão unânime, o Pleno do TRT21 negou provimento ao Agravo Regimental da Petrobras sob o argumento de que para haver redução de salário em tempos de pandemia, tem que haver, pelo menos, acordo individual com os empregados.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da Imprensa da FETEQUIM-SP]

Resultados preliminares de um estudo de caso promovido pela Universidade de Brasília (UnB) com 10 trabalhadores químicos e petroleiros contaminados pela Covid-19 revelam quais os principais sintomas, fontes de contaminação e o sofrimento físico e psicológico ao qual passaram. São vidas que atuam na produção essencial de matérias primas de diversas atividades de apoio e combate ao novo coronavírus e que não puderam parar de trabalhar nem fazer home office durante a quarentena.

Dos 10 entrevistados com idades entre 36 e 55 anos,  6 deles relataram contágio laboral; 2 têm dúvidas entre contágio laboral e contágio no comércio local residencial; 1 relatou contágio por familiar e outro contágio no supermercado.

Três deles relataram que houve demora das empresas em afastá-los dos locais de trabalho, o que provocou novos contágios. Assim que houve o afastamento dos contaminados, os demais colegas que trabalhavam juntos também foram preventivamente afastados.

Os sintomas variaram de contaminado para contaminado,  8 relataram perda do olfato; 7 casos  dor no corpo generalizada; 5 dor nas costas e pulmões; 5 dor de cabeça constante e ou forte, 4 tiveram febre,  metade deles teve pulmões comprometidos entre 25 a 50%, 3 pessoas relataram cansaço extremo,  3 tiveram falta de ar e 3 sentiram calafrios. No total de 10 casos foram relatados 21 sintomas.

Na sequência de problemas psicológicos registrados, 4 relataram ansiedade, angústia e sentimento de culpa por contaminar família, colegas e vizinhos. Um petroleiro que teve de ser entubado contou: “minha maior preocupação psíquica era deixar a família exposta.”. Duas pessoas relataram forte tristeza, além de outros sintomas psíquicos.

Um químico relata que teve pré-pânico ao ligar pra família antes de ser entubado e sedado.  Outro trabalhador químico internado comentou: “Foi a primeira vez da minha vida que passei por alguns momentos que eu achei que não ia voltar mais, esta doença é coisa séria, não é uma gripezinha”. 

Um dos químicos, que esteve internado em UTI, assim resumiu o sofrimento da doença: “você está sendo massacrado, pelo corpo e pela doença do corpo”. “E a cabeça, está sendo massacrada pelo lado e pelo aspecto social, pelo aspecto psicológico”.

A doença para os internados e entubados impôs um isolamento social e familiar cruel e desumano, segundo o relato do mesmo trabalhador: “Não poder dar um abraço, um beijo nos filhos, na esposa e pais, é muito difícil!”  Um dos petroleiros que também esteve na UTI, relatou que o maior sofrimento físico foi a falta de ar e a sensação de que ia morrer.

Solidariedade da família e dos colegas de trabalho durante a quarentena

Segundo os entrevistados, houve o apoio dominante dado pelas famílias, registro maior entre os casados. Alguns filhos também tiveram os sintomas da doença durante a quarentena. Quatro pessoas relatam também a solidariedade dos colegas de trabalho durante a contaminação: “ Eles ligavam todo dia para saber ‘como você tá’.... sempre  davam bastante atenção’”.

Felizmente todos esses entrevistados estão em recuperação afastados ou retornaram para suas atividades depois que seus exames laboratoriais apresentaram resultados negativos. Três trabalhadores ainda apresentam sequelas. Um dos que está passando por avaliação cardiopulmonar relata: “ no pós-Covid19 ainda tenho falta de ar, dor nas pernas e dor nas costas.”    

Principais causas da contaminação: ambiente de trabalho

A pesquisa detectou ainda que o contágio predominante foi comunitário laboral, ou seja, teve origem nos locais de trabalho. Principal motivo:  falta de medidas iniciais, como o não uso de máscaras faciais, aglomeração em locais de circulação  (refeitório, vestiário, banheiro, salas de controle, oficinas e áreas de serviço). Um dos contaminados relatou que “várias pessoas na empresa pegaram de uma vez, o que revela que houve contágio no ambiente laboral”.

A maioria relatou que medidas protetivas e preventivas aumentaram no ambiente de trabalho após os registros de contaminação pela Covid-19, incluindo distanciamento social e medidas de proteção individual, como o permanente uso da máscara cirúrgica ou de pano, máscaras acrílicas faciais, precaução quanto aglomerações em espaços comuns.

Falta de testes em massa

Em uma análise preliminar, quanto às medidas protetivas e preventivas, a maioria dos entrevistados relatou a necessidade de realização de exames massivos para a Covid-19 de forma permanente. Houve retorno de quarentena sem que trabalhadores de turno fossem testados, o que contribuiu para o agravamento do contágio, além das saídas e entradas das folgas grandes de 14 dias que viraram “quarentenas”.

A falta de pessoal foi alertada por um dos petroleiros em turno de 12 horas: “De que adianta eu trabalhar  12 horas, pra circular menos gente, e ficar mais tempo por  lá, se no meio da sala não tem como me virar sozinho , ah , porque está faltando gente!”           

O estudo qualitativo da UnB está sendo realizado pelo pesquisador e assessor de Saúde da Fetquim, Remígio Todeschini,  sob a supervisão do professor Wanderley Codo,  em parceria com os sindicatos filiados à Fetquim/CUT, CNQ-CUT, e o apoio da FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista.

Para Airton Cano, coordenador político da Fetquim-CUT, o estudo reforça “que a importância de estarmos atentos em nossa mobilização no local de trabalho e a negociação permanente em defesa da saúde dos trabalhadores”.

Andrés Alves, secretário de Saúde da Fetquim, lembra da importância de lutar pela realização de testes em massa para a Covid-19, a fim de evitar contágios constantes das equipes e colegas de trabalho.

As entidades representativas de trabalhadores deverão exigir a CAT, para a maioria dos casos de contaminados de contágio laboral aqui abordados, em virtude da garantia dos direitos trabalhistas, previdenciários e dos contratos coletivos em vigor.

O detalhamento e análises de conteúdo deste estudo terão continuidade nos próximos 90 dias.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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