Quarta, 25 Novembro 2020 16:29

Caixa lucra com demissões de empregados

[Do Reconta aí]

Durante a live de divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Caixa, o presidente do Banco Público, Pedro Guimarães, se gabou da economia que vem fazendo com os gastos internos. O seu quadro de funcionários vem sendo enxugado e, com isso, as pessoas que seguem trabalhando ficam sobrecarregadas.

Recentemente, o Banco Público encerrou um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) com o objetivo de atingir cerca de 7,2 mil empregados. No entanto, somente 2,3 mil bancários aderiram ao programa.

De acordo com Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, o déficit de empregados no Banco Público era de 17 mil. Com o PDV, esse número ultrapassa 19 mil.

“Se para o Banco isso é uma economia, para os trabalhadores isso é uma perda em saúde, qualidade de vida e em trabalho. Qualidade de vida inclusive para a própria família que está ao redor desse empregado”, alerta Rita.

Só nos próximos dois meses serão devolvidos 100 imóveis. “Nós ainda temos 178 prédios, entre próprios e que nós alugamos. Já devolvemos 50 e vamos devolver mais 100”, explica Guimarães.

Lucro na pandemia

A Caixa divulgou nesta quarta-feira (25) os resultados do terceiro trimestre de 2020. O lucro líquido ajustado foi de R$ 2,6 bilhões, um aumento de 1,7% em relação ao segundo trimestre do ano. Até o mês de setembro, o lucro do Banco Público alcançou R$ 8,3 bilhões.

Os resultados mostram o importante papel social da Caixa. O Banco Público foi o responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Só com o auxílio emergencial, a Caixa atendeu 67,8 milhões de brasileiros beneficiados. Já com o FGTS emergencial foram 60 milhões de pessoas beneficiadas.

Para o pagamento de tantos brasileiros, o Banco Público usou o aplicativo Caixa Tem. Mesmo com todos os problemas que a plataforma apresenta desde o lançamento do auxílio emergencial, ela atingiu um recorde de mais de 105 milhões de contas poupanças sociais digitais gratuitas abertas. Além disso, foi importante para a inclusão financeira de milhares de pessoas.

Empregados da Caixa e a pandemia

Guimarães fala em economia, mas o País passa por uma pandemia e a Caixa é estratégica para atender a população brasileira. O Banco Público é responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Dessa forma, agências estão abrindo nos fins de semana e os empregados da linha de frente estão extremamente sobrecarregados. “Quem fica está trabalhando duas, três vezes mais. Mesmo quem ficou em home office teve sua jornada de trabalho triplicada”, diz Rita.

Além de trabalhar muito mais, os bancários estão se arriscando para atender grande parte da população brasileira.

De acordo com a Caixa, mais de 2,5 milhões de máscaras e mais de 36,5 mil protetores faciais de acrílico foram distribuídos para os empregados e colaboradores. Além disso, o Banco Público diz estar disponibilizando testagem de covid-19 para todos os empregados.

No entanto, não está claro como essa testagem vem acontecendo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) precisou enviar um ofício para a direção do Banco solicitando informações sobre o programa de testagem realizado no mês de outubro.

“Queremos que a direção da Caixa apresente os dados gerais obtidos por intermédio deste programa de testagem”, explica a secretária da Cultura da Contraf-CUT e coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/ Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt.

Segundo ela, com o número de testes realizados, a quantidade de casos positivos verificados e a eventual realização de mapeamento por regiões é possível analisar a assertividade dos protocolos preventivos existentes e a possibilidade da adoção de novas medidas.

Publicado em Economia

Nas três primeiras semanas de novembro, já houve 463 casos confirmados de Covid-19 entre trabalhadores da Petrobrás, segundo cálculos do Sindipetro-NF com base nos boletins do MME. Em outubro, os casos confirmados foram 163, o que mostra que as medidas da companhia não estão evitando contaminações

[Da assessoria de comunicação do Sindipetro-NF]

Nas três primeiras semanas de novembro, os casos confirmados de Covid-19 entre trabalhadores da Petrobrás já são mais que o dobro do registrado nos dois meses anteriores. De acordo com cálculos do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), o número de casos confirmados até a última segunda-feira (23/11) é de 463, ante 163 confirmados em outubro e 178 em setembro. Os cálculos foram feitos com base no Boletim de Monitoramento Covid-19, publicado semanalmente pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com Alexandre Vieira, coordenador de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) do SindipetroNF, o cálculo toma como referência a soma do número de casos recuperados e o de confirmados em quarentena em cada mês, o que permite obter o registro mensal. O MME não divulga a contaminação por mês, apenas o número geral de confirmados naquela semana, embora divulgue o total de recuperados desde o primeiro boletim.  

Neste mês, foram registrados surtos de Covid-19 em pelo menos duas plataformas da Bacia de Campos, a P-56, no campo de Marlim Sul, e a P-25, em Albacora. Houve cerca de 50 pessoas afetadas, entre contaminados e suspeitos, com confirmação de 22 casos até a última semana. Cada unidade tem, em média, 120 pessoas a bordo cada uma. Segundo informações do Sindipetro Litoral Paulista (Sindipetro LP), também houve um surto na P-69, que opera no campo de Lula, na Bacia de Santos, com 17 trabalhadores já confirmados até meados da semana passada.

Para Vieira, os recentes surtos e os números de novembro reforçam que é urgente a revisão de protocolos de segurança pela Petrobrás, o que vem sendo reivindicado pela FUP e seus sindicatos há tempos.

“Enquanto a Petrobrás não fornecer EPI (equipamento de proteção individual) a trabalhadores e trabalhadoras desde sua chegada aos hotéis, nos transportes e nas próprias unidades, e não alterar o protocolo de testagem, realizando também a devida investigação epidemiológica, pode estar contribuindo para aumentar a contaminação entre as pessoas. Afinal, a empresa não está oferecendo equipamentos de proteção, conforme manda a Norma Regulamentadora NR 06, vem utilizando um protocolo falho e permitindo que o vírus se espalhe devido à falta de investigação dos casos”, explica o coordenador de SMS do SindipetroNF.

COVID ENTRE PETROLEIROS É O DOBRO DA MÉDIA NACIONAL

Parecer técnico da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em outubro, comprova que a frequência dos casos de Covid-19 (expressa na incidência contaminados por 100 mil) entre os petroleiros é mais que o dobro da frequência registrada na população brasileira. Tomando como base os dados do Boletim de Monitoramento da Covid-19 do MME de 14 de setembro – números que estão subnotificados, apontam a FUP e seus sindicatos –, o parecer da ENSP/Fiocruz destaca que o “total de casos de Covid-19 na Petrobrás equivale a uma incidência de 4.448,9 casos /100 mil, o que corresponde a uma incidência maior do que o dobro (2,15) da incidência registrada em todo o Brasil (2.067,9), até a mesma data (14/09)”.

Além disso, o parecer da Fiocruz aponta que a resistência da Petrobrás em emitir Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) para trabalhadores contaminados por Covid-19 é uma estratégia para manipular a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), indicador observado para determinar o desempenho internacional de companhias de petróleo e que pode desvalorizar as empresas se mantida em patamares altos.

 > Acesse aqui a íntegra do parecer científico da Fiocruz sobre contaminação de petroleiros por Covid-19

 

A pandemia no Brasil acentuou a desigualdade entre negros e brancos no mercado de trabalho, afirma o Dieese em estudo divulgado nesta semana da Consciência Negra.

"A persistente desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho ficou ainda mais acentuada durante a pandemia. Homens e mulheres negros sentiram, com maior frequência, os danos do isolamento e da redução do nível de atividade econômica", ressalta o documento, ao analisar as pesquisas do IBGE que mostram que "mais de 6,4 milhões de homens e mulheres negros saíram da força de trabalho – como ocupados ou desempregados, entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, isto é, perderam ou deixaram de procurar emprego por acreditar não ser possível conseguir nova colocação".

"Entre os brancos, o número de pessoas nessa mesma situação chegou a 2,4 milhões. Na comparação entre o 4º trimestre de 2019 e o 2º trimestre de 2020, entre os negros, o número subiu para 7,4 milhões. Para os não negros e não negras, o total pouco se alterou, chegando a 2,7 milhões de pessoas (...) Dos 8 milhões de pessoas que perderam o emprego entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, 6,3 milhões eram negros e negras, o equivalente a 71% do total", revela o estudo do Dieese.

"Homens e mulheres negros, ocupados em situação de informalidade, no trabalho doméstico e sem vínculo legal, foram os que mais sofreram os efeitos da crise do coronavírus. A mobilização do movimento sindical conseguiu proteger parte dos empregos formais, com a MP 936, mas cerca de 8 milhões de pessoas (a maioria negra) ficaram sem trabalho e sem renda. O Auxílio Emergencial de R$ 600, conquistado também por intensa pressão sindical e social, garantiu certa dignidade a muitos, mas muitos outros não conseguiram receber a ajuda ou tiveram o pagamento liberado com atraso. Aos que ficaram sem proteção, coube escolher entre a fome ou ir para rua buscar trabalho mesmo com a possibilidade de encontrar o vírus", explica o economista e técnico do Dieese, Cloviomar Cararine, que assessora a FUP.


> Acesse aqui a íntegra do Boletim Especial do DIEESE para o Dia Nacional da Consciência Negra

[Imprensa da FUP, com informações do Dieese |Foto: Andre Coelho/Bloomberg/Getty Images]

Na última semana, o Sindipetro-NF denunciou a existência de mais um surto de Covid-19, agora na plataforma de P-25. Após uma primeira testagem geral do embarcados, foram confirmados 12 positivos e três inconclusivos. Mais de 40 trabalhadores desembarcaram. O sindicato cobrou da Petrobrás, em reunião com a EOR e através de ofício, a retestagem de todos os trabalhadores que estiveram a bordo  da P-25.

Caso a empresa negue, os trabalhadores que desembarcaram e testaram negativo, devem aguardar uma semana e refazer o teste. Isso porque o teste PCR tem chances de dar falso negativo. Enquanto isso, o NF orienta que esses trabakhadores tomem cuidados preventivos. O Sindipetro-NF pagará esses testes desses trabalhadores que tiveram contato com as pessoas contaminadas ou tiverem suspeita da contaminação.

Para isso é necessário enviar uma solicitação através do whatsapp (22) 98115-1126 do diretor Alexandre Vieira com seu nome e data do desembarque. Caso o trabalhador ou trabalhadora da unidade, independente da empresa, já tenha desembarcado e suspeite da contaminação, também pode entrar em contato com o diretor.

É importante que a categoria continue denunciando para o e-mail : Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Mais um caso de trabalhadores sendo tratados com total descaso pela Petrobrás. Dessa vez, os trabalhadores de P-25 com voo previsto para às 12h pelo Farol também ficaram sem alimentação pela empresa. A aeronave chegou a partir com eles para a plataforma, mas voltou no meio do caminho por falta de visibilidade.

O problema é que eles tiveram a última refeição feita no ônibus às 8h da manhã e ficaram o dia todo sem almoço, sem ao menos um “cafézinho” no aeroporto e sem nenhum tipo de informação da empresa . Um exemplo do tratamento desumano que estão recebendo!

Os trabalhadores estão indignados. “Parece que somos animais que eles colocam a “ração” a hora que querem” – afirmou um deles, que preferiu não se identificar.

Filas pra testagem

O Sindicato denunciou no dia 27 de outubro, mas até agora as filas para testagem PCR de COVID antes dos embarques continuam.  O NF tem propostas para resolução desse problema, mas a empresa se nega a ouvir o sindicato ou a colocar em prática.

A diretoria do Sindipetro-NF está cobrando mudanças insistentemente à empresa e já encaminhou denúncias à vigilância sanitária e ao Ministério Púbico do Trabalho.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

No dia de finados, 2 de novembro, a praia de Imbetiba em Macaé amanheceu com diversas cruzes fincadas na areia, um banner onde estava escrito “Covid 19 – Petrobras – 20 petroleiros mortos”  e uma outra faixa na areia estava escrito “Poderia ser você!”.  A ideia da diretoria do Sindipetro-NF com esse ato é sensibilizar a sociedade para as mortes de Covid que estão acontecendo na categoria petroleira, principalmente entre os trabalhadores que embarcam.

Um relatório da Fiocruz que relaciona a COVID-19 com o trabalho na indústria de petróleo e gás mostra que entre os 46.416 empregados próprios, a incidência de COVID-19 na Petrobrás é de 4.448,9 casos/100 mil, o que corresponde a uma incidência de mais do que o dobro da registrada em todo Brasil (2.067,9/100 mil).  Corresponde também a 3,16 vezes a taxa no estado do Rio de Janeiro (1.406,4), a 2,29 vezes a de São Paulo (1.945,5).

Esse relatório fala sobre o número de mortos por COVID na indústria do petróleo e gás, que chega a 20 e que a maioria deles são terceirizados. E  indica a necessidade de que os casos de contaminação pelo vírus na empresa sejam registrados como Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). O que teria impacto direto na Taxa de Acidentes Registráveis (TAR) da companhia este ano, índice utilizado como critério pela International Oil and Gas Producers (IOGP) para comparar o desempenho das empresas do setor, com objetivo de intensificar a concorrência internacional.

O relatório desenvolvido pelo CESTEH – Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fiocruz ainda indica registro do evento na Ficha do Sistema de Informações dos Agravos de Notificação (Sinan) para fins de Vigilância Epidemiológica e Vigilância em Saúde do Trabalhador.

Pesquisadores em saúde do trabalhador sustentam que “a Covid-19 é uma doença presumivelmente relacionada ao trabalho, quando acomete pessoas que saem de casa para trabalhar, pois estão compulsoriamente expostas ao contato inter-humano e ao contato com superfícies eventualmente contaminadas, a despeito do uso de máscaras ou de outros equipamentos de proteção individual, que não proporcionam proteção total.”

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Na reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR) na última quarta-feira, 28, a FUP criticou duramente o Programa de Saúde Mental apresentado pela empresa, após cobrarmos o cumprimento da Cláusula 79 do Acordo Coletivo de Trabalho. O ACT garante aos sindicatos discutir a estruturação do programa nas comissões locais e nacional de SMS. No entanto, não é o que está sendo cumprido pela empresa.

Na reunião do EOR, a Petrobrás, além de se recusar a disponibilizar os dados cobrados pela FUP, alegando confidencialidade, apresentou um programa de saúde mental desenhado, sem discussão com os trabalhadores, a partir de conceitos que não correspondem à realidade da categoria. O programa blinda os gestores de qualquer responsabilidade com os fatores geradores de estresse e pressão psicológica que afetam cada vez mais os petroleiros, ao ponto de termos dois casos de suicídio recentes que abalaram ainda mais a categoria. Em menos de um mês, perdemos um companheiro na Rlam e outro na Bacia de Campos, durante o pré-embarque em um hotel da região.  

Em mais de três horas de reunião, as gerências da Petrobrás abordaram os impactos econômicos da depressão e transtornos de ansiedade, os efeitos sobre a produtividade dos trabalhadores e as ações nas esferas individual, coletiva e no ambiente do trabalho, visando o gerenciamento do estresse, prevenção de suicídio, mapeamento e avaliação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. No entanto, em momento algum, a Petrobrás abordou em sua apresentação a causa central do estresse e sofrimento mental que atinge os petroleiros: a desestruturação da vida profissional e familiar em função do fechamento de unidades, das privatizações e do desmonte que compromete o presente e o futuro da companhia.

Política de gestão é a causa dos transtornos psicológicos

“A empresa praticamente transfere para o trabalhador a responsabilidade pelo adoecimento mental, reforçando a necessidade de um estilo de vida saudável. Mas, os trabalhadores não se encontram em estado de bem estar, seu estilo de vida está completamente comprometido por conta da política de gestão da Petrobras, que contribui sobremaneira para os casos de transtornos mentais”, afirmou o diretor de SMS da FUP, Raimundo Teles.

O médico do trabalho do Sindipetro-NF, Ricardo Garcia Duarte, que assessora a FUP nas reuniões do EOR, lembrou a vistoria sanitária realizada dia 21/10 na Reduc, em cumprimento à Clausula 68 do ACT, que garante o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho para acompanhamento das condições de salubridade e segurança. A gerência da Reduc relatou à ele e aos diretores da FUP e do Sindipetro Duque de Caxias o caso de quatro petroleiros que haviam sido transferidos para a refinaria, vindos da Bacia de Campos, mas não chegaram sequer a assumir suas atividades, pois estão em afastamento médico devido a transtornos psicológicos.

“Como a Petrobrás pode falar em gerenciamento de estresse, quando está fechando as instalações em diversos estados? A vida dos trabalhadores está virada de ponta cabeça e eles ainda têm que lidar com a cobrança para que mantenham-se mentalmente equilibrados?”, questionou Raimundo, após a exposição do médico.

O diretor de SMS da FUP afirmou que o suicídio ocorrido na Rlam é a prova de que o programa de saúde mental da empresa não funciona. “Um suicídio dentro do ambiente de trabalho demonstra que programa está todo errado ou está sendo conduzido na direção oposta das necessidades dos trabalhadores”, frisou.

Covid-19: FUP cobra posicionamento da Petrobrás sobre vacina

Durante a reunião com o EOR, as representações sindicais relataram preocupação com um possível surto de Covid-19 em unidades da Transpetro no Ceará e cobrou que os gestores apurem os fatos e tomem as devidas providências. A FUP também questionou a empresa sobre as medidas de segurança que estão sendo adotadas para evitar a contaminação nas paradas de manutenção que estão acontecendo nas refinarias. As direções sindicais ressaltaram que a pandemia da Covid-19 não acabou e que as paradas movimentam centenas de trabalhadores nas refinarias, na contramão do que os órgãos de saúde sanitária determinam para controlar as aglomerações.

Outra cobrança feita pela FUP foi em relação ao protocolo que a Petrobrás irá adotar em relação à vacina contra a Covid-19. Os petroleiros querem um posicionamento da empresa, já que o governo tem tido opiniões preocupantes sobre a vacina, com o presidente Bolsonaro se manifestando contrário à obrigatoriedade e à vacina chinesa. “Queremos saber o que a gestão da Petrobrás fará? A empresa vai adotar um protocolo próprio de imunização? Qual é a orientação? Teremos uma campanha própria de vacinação para os petroleiros?”, questionou o diretor de SMS da FUP.

[Imprensa da FUP]

Na quinta-feira, dia 5 de novembro, às 15h, a Fiocruz, Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP e o DIESAT vão lançar o Questionário digital da rede de informações e comunicação sobre exposição dos trabalhadores brasileiros ao SARS-CoV-2. Trata-se de uma iniciativa muito interessante com a finalidade de estudar os dados a partir das informações do próprio trabalhador. O estudo foi aprovado por comitê de ética das instituições e resguardará o sigilo das informações. O lançamento acontecerá no canal do Diesat no youtube.

O projeto da Rede de Comunicação e Informação, visa compartilhar experiências e potencializar ações em saúde pela integração de três redes integradas e interligadas: pesquisadores, serviços e trabalhadores. Os pesquisadores terão espaço para divulgar a produção do conhecimento na área do enfrentamento à pandemia COVID-19, por meio de estudos e pesquisas, troca de experiências entre instituições para disseminação da produção científica, bem como divulgar os avanços em inovações tecnológicas e metodologias de investigação entre os membros da rede.

Os serviços terão um espaço de troca, registro dos dados e divulgação de experiências bem-sucedidas no campo da vigilância, que se constitui uma base de dados a partir das narrativas das ações no SUS, por meio de  registro e comunicação em saúde.

E os trabalhadores terão um espaço organizativo do ramo permitindo que possam informar sobre as condições em que estão realizadas atividades, o atendimento das normas e o potencial risco de exposição ao SARS-CoV-2 e interagir com as propostas e ações desenvolvidas em rede.

Um dos principais desafios colocados aos componentes da rede é construir ambiente com autonomia, democracia, ética, horizontalidade e descentralização para harmonizar a comunicação e ações de proteção à saúde dos trabalhadores.

[Com informações da imprensa do Sindipetro-NF]

Não bastasse as aglomerações no hall dos hotéis na hora do check in, agora os trabalhadores estão se aglomerando para fazer testes de PCR para COVID-19 antes de embarcar. As denúncias são muitas a esse respeito e em todas as cidades que tem aeroportos. Hoje foram os trabalhadores P-63 que ficaram na fila ao sol e sem almoço em Cabo Frio, numa total falta de respeito.

Ontem a denuncia é de que tinham mais de 100 pessoas na fila para o PCR. Ao invés de marcar horários diferentes para cada pessoa, colocam todos num horário só. O NF tem propostas para resolução desse problema, mas a empresa se nega a ouvir o sindicato ou a colocar em prática.

Os problemas que a categoria tem passado durante a pandemia só se acumulam. A grande maioria ligada à logística, como transporte, hospedagem e falta ou baixa qualidade da alimentação. Fora isso a gestão da Petrobrás descumpre as recomendações do Ministério Publico do Trabalho, mostrando total desrespeito aos órgãos públicos.

A diretoria do Sindipetro-NF continuará vigilante em defesa da qualidade de vida e saúde de todos os trabalhadores. Denunciando sempre o desrespeito da empresa com aqueles que fazem a empresa funcionar.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Ação representa vitória para a categoria, mas ainda cabe recurso à companhia

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Em resposta a uma ação movida pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP), o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região Samir Soubhia considerou ilegal a decisão da Petrobrás em diminuir salários e horas de jornada durante a pandemia de covid-19.

sentença sobre medidas de resiliência abrange todos os trabalhadores do regime administrativo sem função gratificada que tiveram o expediente alterado de oito para seis horas e vale para toda a base representada pelo Unificado-SP.

Na sentença, o magistrado determina o pagamento das diferenças de remuneração entre os meses de abril e junho deste ano, incluindo todos os reflexos legais, como adicionais, férias, 13º salário, depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e os demais itens ligado aos vencimentos.

Para embasar a decisão, Soubhia ressalta que “não há que se falar em enriquecimento ilícito em razão do pagamento sem a contraprestação laboral, uma vez que a supressão da remuneração durante três meses decorre de imposição unilateral por parte da rda. (reclamada) e é incontroversa nos autos.”


Leia também: Após redução indevida de salários, Petrobrás contesta ação judicial do Unificado


Dessa forma, o juiz do trabalho destaca que ao abrir mão de negociar com o sindicato, a Petrobrás assume o risco de ônus como esse processo. A decisão impede também a companhia de adotar outras iniciativas que prejudiquem os petroleiros, avalia o assessor jurídico do Sindipetro-SP, Francisco Coutinho.

“O juiz não só aplica o pagamento dos salários suprimidos, como estabelece obstáculos para outras ações como a imposição do banco de horas negativo, por exemplo. A lei exigia negociação da empresa”, explica.

Apesar da vitória, cabe recurso por parte da empresa e a sentença só será executada quando esgotarem as instâncias jurídicas às quais a Petrobrás pode recorrer.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.