[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Após todas as dificuldades fruto da calamidade pública instalada pela pandemia da Covid 19, o Sindipetro-NF e a Federação Única dos Petroleiros estão em contato com a Schlumberger  e já estabeleceu as rodadas de negociação para a campanha salarial do ACT2020/2021.

Agora o Sindipetro-NF irá construir a Pauta de Negociação e para avançar pede aos trabalhadores e trabalhadoras que enviem suas propostas até o dia 10 de julho através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O NF lembra que eventuais problemas com jornadas de trabalho acima dos 14 dias, fixados na norma coletiva e com pagamentos de horas extras e folgas mar devem ser reportados.

Questões relativas a calamidade regulamentadas pelo Decreto Lei nº 06/2020, devido à pandemia de COVID-19, nas plataformas e nas bases administrativas da empresa também devem ser reportados.

Caso os trabalhadores tenham alguma dúvida, os diretores do Sindipetro-NF, Eider Siqueira e Jancileide Morgado estão a disposição para esclarecimentos, através dos celulares (22) 981496666 ou do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Publicado em Setor Privado
Por Isadora Coutinho, mestra em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep)
 
Se antes da pandemia o planejamento estratégico da Petrobras já demonstrava estar defasado, atualmente não resta dúvida disso 

O contexto da pandemia de covid-19 não somente provocou a revisão de planejamentos empresariais e nacionais, como também expôs, em alguns casos, fragilidades e erros de caminhos antes percorridos e previstos por empresas e Estados. 

A Petrobras não ficou fora dessas revisões. Com a redução da demanda global por petróleo e a queda nos preços do barril internacional, a companhia, assim como outras empresas petrolíferas mundo afora, teve que se reorganizar para lidar com o cenário desafiador. Chama à atenção, contudo, o tipo de descompasso entre a orientação estratégica da Petrobras planejada para o período entre 2020 e 2024 e algumas de suas respostas ao quadro de crise sanitária e energética nos últimos meses. Tal descompasso joga luz às escolhas equivocadas da administração da estatal e ao seu consequente posicionamento no setor do petróleo e de energia.

O Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2020-2024 da Petrobras, elaborado no final de 2019, aprofundou diretrizes que vinham sendo seguidas desde 2015. Isso significa uma vigorosa política de desinvestimentos aliada a um crescente enfoque na área de exploração e produção (E&P), compondo, assim, o eixo estratégico de atuação da estatal. Além de detalhar os ativos que pretende vender – por exemplo, campos em terra e águas rasas; refinarias; transporte e distribuição de gás; distribuição de GLP; usinas térmicas; gasodutos offshore; ativos internacionais –, o atual plano prevê para o quadriênio a destinação de 85% dos investimentos totais para o segmento de E&P, sendo 66% desse montante concentrados no pré-sal. Enquanto isso, no que diz respeito a outras áreas – refino, transporte, comercialização, petroquímica, renováveis, gás e energia – houve uma redução de 42,5% no volume de investimentos planejados em relação ao plano anterior.

Já no contexto de pandemia, ao mesmo tempo em que o balanço do primeiro trimestre de 2020 da Petrobras registrou o maior prejuízo da história da companhia, demonstrou também que a companhia conseguiu obter resultados operacionais positivos. Nesse sentido, por exemplo, apesar da queda de 6,1% das vendas internas em função da redução de demanda por combustíveis automotivos e querosene de aviação, houve um crescimento da receita total de vendas em 7%, sustentado pela expansão em 70% das exportações de óleo cru e produtos derivados. Portanto, de um lado, a Petrobras tem se apoiado nas exportações de óleo cru principalmente para China, que já está em fase de recuperação da crise. De outro, tem utilizado a infraestrutura disponível de seu parque de refino para produzir derivados e exportar para países como Cingapura e Estados Unidos, por exemplo.

Partindo da constatação de que essas duas medidas contribuíram para evitar que a Petrobras sofresse ainda mais os impactos da Covid-19, cabe analisá-las à luz do seu último planejamento estratégico, da conjuntura atual e das perspectivas para o futuro. Embora a primeira estratégia tenha ajudado a compensar receitas e o óleo cru seja ainda o principal item de exportação (78%), sua fragilidade tem sido imensamente exposta em âmbito mundial pelos efeitos da própria pandemia. Isso porque os preços do barril de petróleo têm se mostrado cada vez mais voláteis e suas cotações atingiram patamares extremamente baixos nos últimos meses. Além disso, a Petrobras fica exposta a uma forte concorrência com outros ofertantes e refém da demanda internacional, principalmente da China. Como exemplo, não se pode afirmar com precisão se as importações chinesas de óleo cru vão se manter no mesmo nível, e nem mesmo se e quando haverá uma recuperação completa da demanda mundial por petróleo. Ainda, deve-se considerar incertezas variadas com relação às possíveis transformações no setor de energia que já estavam em curso.

Por outro lado, chama mais à atenção a segunda estratégia adotada pela Petrobras, a qual segue em um caminho contrário ao previsto no seu último PNG – que visa o desinvestimento na estrutura de refino da empresa, com a venda de oito de suas treze refinarias. Foram justamente algumas dessas refinarias que “protegeram” a Petrobras nesse período de perdas maiores por conta da pandemia da Covid-19.

No primeiro trimestre de 2020 em comparação no mesmo período de 2019, houve um aumento de 50% do volume de óleo combustível (diesel, bunker, fuel oil, etc) exportado pela empresa. Na primeira semana de junho de 2020, a Petrobras já divulgou que superou em 10% o recorde anterior de exportação de óleo combustível atingido em fevereiro de 2020. Tal aumento tem sido em grande medida sustentado por quatro refinarias do Nordeste, das quais três integram o plano de desinvestimento da Petrobras. A partir de levantamento do Ineep, pode-se constatar que as refinarias RLAM (Bahia), RNEST (Pernambuco), RPCC (Rio Grande do Norte) e Lubnor (Ceará) contabilizaram 56% da produção de óleos combustíveis da empresa no primeiro trimestre deste ano.

Esse aumento de exportação é muito relacionado à vantagem competitiva da Petrobras no que se refere à produção de óleo combustível de navegação (bunker oil). Desde janeiro de 2020, entrou em vigor a nova regulamentação do combustível marítimo, elaborada pela Organização Marítima Internacional (IMO), que reduziu de 3,5% para 0,5% o limite dos níveis de enxofre permitidos no combustível utilizado por embarcações. No caso, o óleo brasileiro historicamente conta com baixo teor de enxofre, sendo que grande parte do petróleo no mundo precisa passar por processos adicionais de tratamento. Ou seja, em meio ao cenário adverso imposto pela pandemia, a Petrobras, em posse do seu parque de refino, pôde contar com a possibilidade de explorar esse novo nicho de mercado global, que aparenta garantir maior resiliência na sua demanda no cenário atual.

Por isso é possível afirmar que parte do motivo de a companhia não ter sofrido significativamente os impactos da Covid-19 nos primeiros meses é relacionada justamente à maior utilização de refinarias de que pretende se desfazer, as quais já se encontram em fase vinculante de venda.

Nesse sentido, tais ações tomadas pela empresa colocaram em evidência a necessidade de readaptação de sua atuação. Se antes da pandemia o planejamento estratégico da Petrobras já demonstrava estar defasado há alguns anos em relação às tendências no setor de petróleo e de energia, atualmente não resta dúvida disso. Com um montante de desinvestimentos previstos contabilizando entre US$ 20-30 bilhões para o período 2020-2024 e com uma vultosa redução de investimentos nos setores de refino, transporte, comercialização, petroquímica, gás e energia e renováveis, a Petrobras tem buscado reduzir sua margem de ação ao concentrar sua atuação na exploração e produção do petróleo do pré-sal. De tal modo, no mínimo, torna-se sem flexibilidade para redirecionar suas atividades para segmentos que podem apresentar maior resiliência a crises, como pôde ser assim feito em certa medida nos últimos meses.

No cenário de grande incerteza, a empresa ainda pôde recorrer à sua capacidade de refino para responder aos desafios impostos pela conjuntura. Todavia, em um cenário hipotético de vendas das suas refinarias, essa capacidade de resiliência não existiria. Por isso, fica em questão se eventualmente a companhia irá se adequar à realidade e às perspectivas futuras. E esse futuro exige mais do que nunca flexibilidade por parte das empresas e não a especialização em apenas um tipo de atividade da indústria, como parece ser a atual estratégia da Petrobras.

[Artigo do INEEP originalmente publicado na Revista Carta Capital | Foto: FLÁVIO EMANUEL / AGÊNCIA PETROBRAS]

Publicado em Sistema Petrobrás
Segunda, 01 Junho 2020 21:54

A luta antifascista é permanente

Tempo de falar o óbvio. Todas as pessoas são iguais. Pessoas de qualquer cor, classe social e com orientação sexual ou gênero, são iguais. Se a cada instante faz-se mais necessário falar e escrever o óbvio, é porque a onda conservadora insiste em ganhar força, seja pelo autoritarismo que aparece atualmente na política ou também pela forma como se expressam grupos que pregam o ódio e a intolerância contra negros, mulheres, pobres e gays, por exemplo.

A Federação Única dos Petroleiros junta-se à luta antifascista munida da sua principal arma, a força da representatividade da categoria petroleira, e mais uma vez coloca-se ao lado dos oprimidos e se opõe a tudo que gera a desigualdade social. Nesse momento, será pela informação divulgada em nossos canais que alertaremos das características do fascismo para que a população saiba indentificá-lo e desmascará-lo de forma permanente.

Como afirma Gerson Castellano, diretor da FUP, neste momento se alguém é contra o antifascismo é porque é fascista, não há meio termo.

FUP, antifa.

Publicado em Movimentos Sociais

O governo do Irã enviou cinco navios petroleiros à Venezuela, com 1,5 milhão de barris de gasolina, um carregamento estimado em 45,5 milhões de dólares com combustíveis e reagentes químicos usados no refino do petróleo. 

No entanto, o governo de Donald Trump, que impõe sanções econômicas tanto ao Irã, quanto à Venezuela, sinalizou que tentaria interceptar as embarcações, que partiram da costa de Bandar Abbas no dia 12 de maio. 

Em plena pandemia, o país sul-americano sofre com a escassez de gasolina, o que agravou a profunda crise econômica e humanitária que o país enfrenta, levando o governo de Nicolás Maduro a firmar um acordo com o Irã para obter combustível.

Há anos, a Casa Branca impõe uma política de sanções à Venezuela, na tentativa de forçar a queda de Maduro, com medidas que proíbem, por exemplo, a realização de negócios com a PDVSA, a petrolífera estatal venezuelana. E é exatamente isso que o governo iraniano, também sujeito a sanções dos EUA, está tentando fazer. 

Para garantir a chegada dos navios petroleiros, o governo de Nicolás Maduro anunciou que fará a escolta das embarcações iranianas, assim que entrarem na zona econômica exclusiva da costa do país. 

Segundo agências internacionais de notícias, as Forças Armadas da Venezuela realizaram testes de mísseis na quinta-feira, 21, em La Orchila, uma ilha no norte do país do Caribe.

 Irã e Venezuela se unem contra Trump

A Venezuela tem capacidade de refinar cerca de 1,3 milhão de barris por dia, mas o parque de refino depende de óleo leve para produzir gasolina. As importações que o país fazia por meio de sua subsidiária nos Estados Unidos, a Citgo, foram bloqueadas desde o início do ano passado, quando o governo de Donald Trump proibiu o comércio de petróleo com o país.

É também na Venezuela que se se encontra a maior reserva do combustível fóssil da atualidade, com 309 bilhões de barris de petróleo certificados. O Irã, por sua vez, é o sétimo maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de 1,9 milhão de barris diários, de acordo com a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). 

As duas nações mantêm relações diplomáticas há 18 anos, com acordos nas áreas petrolífera, industrial, ambiental, educacional, agrícola e científica. 

Em abril, os presidentes Nicolás Maduro e Hassan Rohani acordaram criar uma frente comum contra as sanções, aplicadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, durante a pandemia. 

[FUP, com informações de agências internacionais de notícia | Foto: Federico Parra/AFP]

Publicado em Petróleo

Nada será como antes após a Covid-19. No setor de petróleo e gás natural, a pandemia derrubou consumo, preços, estrangulou a capacidade de estoque e mudou a geopolítica da área.

Para discutir o presente e o futuro do setor, o Intituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), em parceria com a EPBR, agência de notícias especializada em petróleo, promove a série de webinares “Impactos da Covid no Setor de Óleo e Gás”.

O primeiro webinar – Impactos e medidas emergenciais tomadas pelas empresas – será nesta próxima segunda-feira, às 17h, no canal da EPBR no YouTube.

William Nozaki, do INEEP, Alberto Machado, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Marcelo Gauto, especialista em petróleo e gás, irão debater as medidas econômicas e sociais adotadas pelas companhias de óleo e gás como resposta à pandemia.

A moderação será feita pelo editor executivo da EPBR, Felipe Maciel.

Participe da webinar, que começa às 17h:  

[FUP, com informações do INEEP]

Publicado em Petróleo

Nada será como antes após a Covid-19. No setor de petróleo e gás natural, a pandemia derrubou consumo, preços, estrangulou a capacidade de estoque e mudou a geopolítica da área.

Para discutir o presente e o futuro do setor, o Intituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), em parceria com a EPBR, agência de notícias especializada em petróleo, promove a série de webinars “Impactos da Covid no Setor de Óleo e Gás”.

O primeiro webinar – Impactos e medidas emergenciais tomadas pelas empresas – será na próxima segunda-feira (18 de maio), às 17h, no canal da EPBR no YouTube. William Nozaki, do INEEP, e Fernanda Delgado, da FGV Energia, irão debater as medidas econômicas e sociais adotadas pelas companhias de óleo e gás como resposta à pandemia. A moderação será feita pelo editor executivo da EPBR, Felipe Maciel.

Participe, siga o INEEP nas redes e inscreva-se para receber notícias e atualizações.

[Via INEEP]

Publicado em Petróleo

Enquanto chineses aumentam suas importações durante a queda brutal dos preços de petróleo, os EUA veem a sua produção fortemente afetada. As futuras decisões da indústria petróleo ocorrerão, como sempre, na arena das disputas políticas entre as nações

A notícia surpreendeu o mundo. Semanas atrás, os preços do barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI), ―óleo do tipo leve, que é negociado na Bolsa de Nova York e é referência para os preços nos EUA― ficaram negativos. Ou seja, o vendedor estava pagando para o comprador levar seu produto. Por trás disso estão tecnicalidades das operações do mercado futuro de petróleo, os brutais efeitos da crise de demanda provocada pela covid-19 e também os acordos nem sempre exitosas de reduzir a produção envolvendo os países da OPEP+ (grupo formado pela OPEP e outros onze países produtores liderados pela Rússia) e contrações do chamado grupo America+2 (EUA, Canadá, Brasil, Colômbia, Noruega e Reino Unido).

Além disso, a crise expôs também problemas do funcionamento do mercado de petróleo, principalmente na relação entre o mundo físico e o mundo financeiro. Na última semana, os detentores do contratos do mercado futuro ―no qual os compradores assumem hoje o compromisso de comprar petróleo no futuro, a um preço pré-estabelecido― com vencimento em maio, optaram por não receber o petróleo que tinham direito em função da escassez de estoque para armazena-lo.

Isso ocorreu porque esses contratos venceram, no dia 21 de abril, em condições muito desfavoráveis para os compradores. Dada a redução da capacidade de estoques, a oferta mundial ―mesmo com os cortes de produção anunciados pela Opep+― continua num patamar muito acima tanto da demanda por petróleo, como da necessidade de processamento nas refinarias. A alternativa que restou para os operadores financeiros foi aceitar os preços negativos, minimizando assim suas perdas com as obrigações contratuais do mês de maio. Portanto, o que ficou negativo na verdade foi o preço de trocar o contrato vendido por comprado, e não os próprios barris físicos do petróleo. Uma das contradições entre o mundo financeiro e o mundo físico é essa: os contratos open interest, em que as transações ainda não foram completadas (antes da data do vencimento) envolvem volumes muitas vezes maiores que o volume físico transacionado diariamente, o que mostra como os preços do petróleo são determinados principalmente por fatores financeiros.

O contango [cenário em que os preços futuros são maiores que o preço atual de um produto] se acentuou. Nessa situação, vale a pena segurar os estoques físicos para vendê-los no futuro, a preços maiores. Esse desastre do mercado futuro abalou os mercados de ações. Empresas de petróleo foram especialmente penalizadas e algumas tiveram perdas enormes em seu valor de mercado. Algumas empresas médias do setor passam a ser alvos de aquisições hostis, o que pode indicar uma nova onda de fusões e aquisições envolvendo, inclusive, grandes empresas estatais, fundos soberanos e fundos abutres.

Esse derretimento dos WTI provocou reações dos grandes produtores globais de petróleo. A Rússia, mesmo que tenha aderido ao acordo OPEP+, procura garantir mercado para o seu petróleo. Fornecedora de dois terços do gás natural utilizado na Europa, seu interesse é principalmente evitar a competição dos carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) de outros países, uma vez que a construção de novos gasodutos e terminais podem deslocar o produto russo do mercado europeu, abrindo novas fontes de suprimento para o continente. A leste, os russos buscam o mercado asiático, por meio do oleoduto ESPO de 4,2 mil quilômetros, que liga a Sibéria Oriental aos mercados do Japão, China e Coreia, pelo do porto de Kosmino.

Essa ofensiva russa rumo aos mercados asiáticos preocupa especialmente os sauditas que, por conta disso, continuam apostando na guerra de preços. O Official Selling Prices (OSP) ―a tabela de preços para venda do petróleo da Arábia Saudita com entrega em maio― diminuiu pela metade os preços em relação aos níveis de abril.

Quem se aproveitou desse cenário foram os chineses que aumentaram suas importações de petróleo recompondo suas reservas estratégicas. Apesar das refinarias chinesas, principalmente as estatais, trabalharem com contratos de longo prazo e, por isso, não poderem substituir facilmente os fornecedores, o país se prepara para uma retomada do mercado de derivados no médio prazo e, ao mesmo tempo, auxilia a manutenção dos preços em patamares mais baixos no curtíssimo prazo.

Nos EUA, a depressão prolongada dos preços já provoca uma reação do sistema financeiro que começa a tomar o controle de petrolíferas que ficaram em extrema fragilidade financeira. Desde a queda dos preço de 2015, pequenos e médios produtores americanos do shale gas e tight oil aproveitaram as baixas taxas de juros e aumentaram seu endividamento, acreditando que a queda dos preços daquele ano seria temporária. As financeiras agora procuram manter a garantia dos fluxos de caixa dessas empresa, embora desprezem os investimentos necessários para a manutenção da produção física. A médio prazo, isso pode significar a destruição permanente das chances de retomada de produção, já que essas operações de exploração precisam manter uma pressão mínima em seus reservatórios para que eles continuem produzindo.

É certo que a queda conjuntural da demanda tende a afetar fortemente a produção dos EUA. O Governo federal americano tem poucos instrumentos para intervenção doméstica. O principal deles é a imposição de tarifas alfandegárias às importações. Mas mesmo essa medida levaria ao acirramento da competição internacional pelos outros mercados, o que poderia alimentar ainda mais a queda nos preços. Já no âmbito dos Governos estaduais, especialmente do Texas e de Oklahoma, há a possibilidade de as agências estaduais reguladoras colocarem limites à produção. No entanto, são políticas que violam princípios fundamentais das políticas neoliberais de redução da intervenção estatal e por mais de quarenta anos estes instrumentos não são utilizadas.

Essas movimentações de mercados e de países não deixam dúvida que surgirá um novo mundo do petróleo pós-covid-19. Além de inevitáveis transformações do mercado físico e financeiro do petróleo, alguns estados nacionais serão fundamentais na reconstrução desse novo mundo do petróleo. De um lado, a disputa dos Governos dos EUA, Rússia e Arábia Saudita, que aumentará durante e após a crise, ditará os rumos da oferta de petróleo em vez das forças de mercado e até da tecnoburocracia da Opep. De outro, a dinâmica e recuperação dos mercados vai depender ainda mais do que acontecerá com a China do que dos mercados da Organização para Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE). As futuras decisões da indústria petróleo ocorrerão, como sempre, na arena das disputas políticas entre as nações.


Artigo de José Sérgio Gabrielli, publicado no jornal El Pais

Gabrielli é professor aposentado da UFBA, foi presidente da Petrobrás e atualmente é pesquisador do INEEP


 

Publicado em Petróleo

O preço do barril de petróleo tipo WTI negociado nos mercados futuros dos EUA atingiu cotação negativa na segunda-feira (20) e o assunto foi destaque nos grandes jornais do mundo. No Brasil, o Estado de S.Paulo ouviu o economista e pesquisador do Ineep, Rodrigo Leão para a matéria de capa: "Preços do petróleo derretem nos EUA e barril é negociado abaixo de zero". Leão explicou o papel da China nessa queda. O país asiático tem um papel fundamental na determinação dos preços internacionais por seu papel de grande comprador. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a China já havia freado suas importações, o que provocou a primeira queda nos preços, depois agravada com a falta de consenso entre os membros da Opep+ para um corte substancial na produção internacional. Agora, com os estoques mundiais repletos de óleo barato, Leão diz que não se deve esperar tão cedo por uma salvação vinda da China.

A visão do economista e coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo e Gás Natural (Ineep), Rodrigo Leão, é de que a China também contribui com a queda abrupta na cotação do petróleo e que não deve ajudar na recuperação tão cedo. O especialista argumenta que o país asiático aumentou a importação no mês passado para ampliar seus estoques e a expectativa é que não volte às compras no mês que vem.

Matéria publicada originalmente no jornal O Estado de S.Paulo no dia 21 de abril de 2020.

Publicado em Petróleo

O Sindipetro-NF tem recebido denúncias de trabalhadores de empresas privadas do setor petróleo que estão abandonados por elas, principalmente em relação à logística. A continuidade da produção e o lucro acima da vida tem sido prioridade. No momento do embarque, quando a empresa precisa, envia carro para buscar o trabalhador em casa, mas na hora do desembarque deixa o trabalhador por sua conta.

Um exemplo foi o que aconteceu com um trabalhador da Elfe que desembarcou de uma situação tensa a bordo, onde as pessoas estão todas preocupadas com seus empregos e com medo de contaminação por COVID-19, e quando chegou foi deixado na Rodoviária Shopping Estrada em Campos dos Goytacazes vazia, sem ônibus para voltar para sua cidade natal, localizada em outro Estado.

Ao perceber a situação em que se encontrava, pediu auxílio por e-mail para a Elfe e foi informado que só teria carro no dia seguinte. Nem hotel foi oferecido para o trabalhador que dedicou horas de trabalho para a empresa.

“É um total desrespeito o que estão fazendo com os trabalhadores essenciais para o país! Encaminhamos ofício para todos as empresas pedindo para que se preparassem para essa crise sanitária” – afirma o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

O sindicato enviou ofício para todas as empresas no dia 25 de março orientando como deveriam tratar seus trabalhadores em momento de pandemia, seguindo as orientações do médico do trabalho, Dr. Ricardo Garcia Duarte e solicitando negociação em cada caso.

O que o sindicato e os trabalhadores recebem como resposta é a negligência das empresas em relação à saúde de seus profissionais e de suas famílias.

O NF está checando todos os casos que chegam por e-mail, reúne o máximo de documentação possível e denuncia a órgãos fiscalizadores, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o MPT (Ministério Público do Trabalho).

Por isso é importante que os trabalhadores que estiverem em situação de risco ou verificarem problemas nos procedimentos das empresas do setor petróleo enviem relatos para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em Setor Privado

Ascensão de novo bloco geopolítico do qual Brasil faz parte não será observada de forma passiva pela Opep+

Historicamente, o controle do preço e da produção é o centro da disputa da indústria de petróleo no mundo. Desde que emergiram como players globais, no pós-Segunda Guerra, os grandes produtores do Oriente Médio e do Norte da África, que formam a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), têm travado uma guerra com a Rússia e as sete irmãs, petrolíferas localizadas nos grandes polos consumidores (Estados Unidos e Europa).

De um lado, os países produtores buscaram, ao longo do tempo, ampliar sua apropriação da renda petrolífera e aumentar o controle da produção pela estatização de empresas instaladas em seus países. De outro, as companhias dos países consumidores lutaram para reduzir a parcela da renda detida pelos produtores e diversificar suas reservas petrolíferas, a fim de diminuir a influência dos produtores na indústria global de petróleo.

Essa disputa se acentuou nas últimas décadas, à medida que novos players se tornaram grandes produtores de petróleo, principalmente no Oceano Atlântico. A partir dos anos 1980 – após as descobertas de petróleo no Mar do Norte, no litoral brasileiro e no Alaska –, Noruega, Inglaterra, Brasil e Estados Unidos viram sua produção crescer. Mais recentemente, a atividade onshore na Colômbia, a descoberta do pré-sal no Brasil, a exploração das areias betuminosas no Canadá e do shale gas nos EUA consolidaram a posição desses países como grandes produtores globais.

Em 1977, unicamente por conta da produção americana, esses países (Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Inglaterra e Noruega), doravante denominado América+2, tinham participação de 21% da produção global de petróleo. Essa participação chegou a quase 30% em 1985 e, depois, declinou para próximo de 20% em 2008. Todavia, desde então, observou-se aumento da parcela da produção da América+2 no mundo, chegando a 29% em 2018, o que equivale a uma produção de 27,6 milhões de barris de petróleo por dia.

Isso significa que, agora, não apenas as Sete Irmãs passaram disputar o controle da produção da Opep e Rússia, como também dos “novos produtores” da América+2, incluindo seus governos e suas empresas. Nesse sentido, a “guerra” pelo controle da produção e do preço tem se acirrado, culminando na formação de novos “polos geopolíticos do petróleo”, como o da Opep+.

Formado pelos países da Opep e mais onze produtores liderados por Rússia, México e Oman, a Opep+ é uma espécie de resposta do grande eixo produtor global à América+2 e às Sete Irmãs.

Entre 2014 e 2016, após uma complexa negociação, a Opep+ passou a estabelecer cotas de produção visando regular o preço e impedir ascensão ainda maior da América+2. A queda abrupta do preço e os cortes de produção abaixo do esperado, em 2020, também foram uma espécie de concertação da Opep+ que, entre outros efeitos, impõe grandes dificuldades para os produtores da América+2 por conta de seus custos de produção mais altos que os da Rússia e Arábia Saudita, principalmente.

Essa “guerra”, no entanto, está longe de terminar. A Agência Internacional de Energia, no relatório “Oil 2020: Analysis and forecast to 2025”, lançado recentemente, estima que a produção dos países da América+2 deve subir para 33,4 milhões de barris de petróleo por dia, em 2025, o que representaria cerca de 34% da produção global. A Opep – mantendo o patamar da sua produção –, russos e mexicanos devem representar, juntos, em 2025, cerca de 44% da produção global de petróleo (algo próximo a 43 milhões de barris por dia).

Essa projeção mostra que a América+2 e as Sete Irmãs, cuja origem está nos países desse grupo, podem ganhar força e aumentar a tensão pela disputa da produção e do preço nos próximos cinco anos. Mas a Opep+ não ficará passivamente observando a ascensão desse novo bloco geopolítico.

As disputas entre as reservas petrolíferas devem aumentar, assim como a volatilidade dos preços. Novas fronteiras produtoras ficarão cada vez mais reféns dessas tensões, caso não tentem impor seus interesses nessa disputa. Caso contrário, as ações da indústria de petróleo desses países serão adotadas ao sabor do bloco geopolítico mais próximo ao invés dos seus objetivos estratégicos.

O limiar entre a benção e maldição do ouro negro continuará mais tênue que nunca.

Rodrigo Leão é mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e pesquisador do NEC da Universidade Federal da Bahia.

Publicado em Petróleo
Página 1 de 5

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

Instagram