Após a decisão do Ministro do TST, Ives Gandra em relação à greve dos petroleiros, a diretoria do Sindipetro-NF elaborou uma nova resposta que deve ser entregue pelos trabalhadores em greve caso recebam uma convocação ao trabalho pela Petrobrás.

A categoria petroleira segue em greve por considerar descabida e inconstitucional a decisão monocrática do ministro do TST, Ives Gandra, que decretou a ilegalidade da greve. A FUP e seus sindicatos estão recorrendo da decisão.

A greve da categoria petroleira está cumprindo a Constituição da República, dentro da Lei de Greve.

RESPOSTA À CONVOCAÇÃO DA PETROBRÁS – DECISÃO IVES GANDRA – 17 DE FEVEREIRO

Em resposta à convocação que me foi endereçada, datada de ……., e assinada por … (nome e cargo)…, venho informar à Petrobrás o seguinte:

FALSA “DECLARAÇÃO DE ABUSIVIDADE”

Ao contrário do que alega a Petrobrás, o TST não declarou a greve à qual aderi abusiva, ou ilegal. Na verdade o ministro-relator o fez, impropriamente, na forma de um “reconhecimento”. “Declarações” quanto à natureza jurídica da greve são feitas pelo órgão julgador coletivo, e o mesmo ministro-relator marcou o devido julgamento apenas para 9 de março.

DECISÃO DE GREVE NÃO É INDIVIDUAL

A Constituição, a Lei de Greve, e a CLT, vinculam obrigatoriamente a greve a decisões de assembleias. Assim, mantida a suspensão do meu contrato individual de trabalho, as tratativas sobre o trabalho durante a greve devem ser estabelecidas com meu sindicato, e somente nova assembleia pode determinar o retorno ao trabalho.

A GREVE É POR CUMPRIMENTO DE ACORDO

No mais, sugerimos que a Petrobrás cumpra seu acordo coletivo de trabalho e o da Araucária Nitrogenados, lembrando que a controladora Petrobrás determinou à ANSA tanto a assinatura do acordo, em 4 de novembro, no TST, como a demissão em massa violadora do acordo.

Nesse sentido, recomendo a Vossas Senhorias que se dirijam a quem de direito, tendo em vista que a FUP e os Sindicatos encaminharam proposta de negociação, sendo de muito fácil resolução a atual greve.

Respeitosamente

…(Local e data)…

Assinatura, nome legível e matrícula”

Publicado em SINDIPETRO-NF

Menos de uma semana após o ato que parou o centro do Rio na última quinta-feira (13), os petroleiros realizaram nova mobilização nesta terça-feira (18). A Marcha Nacional em Defesa do Emprego, da Petrobrás e do Brasil  foi convocada nas redes sociais com uma expectativa de que seria “maior ainda”. E foi. Cerca de 15 mil pessoas se uniram aos petroleiros que estão em vigília em frente ao Edifício Sede da Petrobrás, na Av. República do Chile, e de lá marcharam pela Av. Rio Branco até os Arcos da Lapa (ponto turístico da cidade), onde ocorreu um grande ato unificado.

A ação teve como objetivo denunciar a demissão em massa dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná e o desrespeito ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que prevê a consulta aos sindicatos responsáveis em caso de desligamentos massivos, como fez a direção da Petrobrás. “A greve não é em apoio aos petroleiros da FAFEN-PR. Se o Acordo Coletivo de Trabalho for desrespeito agora, vai ser desrespeitado em todas as outras unidades da Petrobrás. Então defender a FAFEN é defender a Petrobrás, e defender a Petrobrás é defender o Brasil”, explicou Simão Zanardi, diretor da Federação Única dos Petroleiros.

Somaram ao ato delegações de grevistas vindos de Minas Gerais, São Paulo, Norte Fluminense e Duque de Caxias. Também participaram da marcha os mais de 150 petroleiros da FAFEN-PR que estão no Rio desde segunda-feira (17), além de petroleiros de refinarias, plataformas e unidades administrativas de todo o país. Também estiveram presentes, declarando apoio à greve, parlamentares e representantes de diversas empresas públicas, o presidente da CUT Rio, movimentos sociais, como o MAB – Movimento dos Atingidos por Barreiras, o MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores e o MST – Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que também estão fortalecendo a luta no dia a dia da Vigília da Resistência Petroleira.

Demissões suspensas temporariamente

Logo após o início da Marcha, os manifestantes foram informados que em Audiência de Dissídio Coletivo, o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRTPR) decidiu suspender as demissões dos trabalhadores da Fafen-PR por 15 dias. Neste período, a Petrobrás se comprometeu a abrir diálogo com os sindicatos.

Feliz Aniversário

No 18º dia da greve, foi dia de celebrar. Além da notícia da suspensão das demissões, Deyvid Bacelar, diretor da FUP e membro da Comissão Permanente de Negociação, completou 40 anos de idade. O petroleiro baiano, que já está há 19 dias ocupando a sala do quarto andar do EDISE, à espera de uma reunião de negociação com a Petrobrás, foi surpreendido com um “parabéns à você” cantado em coro pela Marcha. Um gás para os petroleiros confinados.

Federação Única dos Petroleiros

WhatsApp-Image-2020-02-18-at-101627
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-101628
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-170217
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-171240
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-171240-1
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-171241
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-171242
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-171242-1
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-212051
WhatsApp-Image-2020-02-18-at-212052

FOTOS: Coletivo de Comunicação do MAB. 

Publicado em Sistema Petrobrás

O Brasil poderá retroceder séculos no âmbito econômico caso a política adotada pela direção da Petrobrás e pelo governo federal se consolide. Essa é a opinião do economista do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), Rodrigo Leão. A principal mudança, que se iniciou em 2015 ainda sob o governo Temer, foi priorizar a exportação de óleo cru ao invés de investir na produção de derivados e na cadeia produtiva nacional de petróleo.

“O problema mais grave dessa política é que você está atrelando seu ciclo de rentabilidade ao ciclo de preço internacional do barril de petróleo. Quando o petróleo bater US$ 100 o barril, você se beneficiará desse processo, mas quando ele cair a US$ 30 você está lascado. A gente vai voltar novamente ao que a gente viveu nos ciclos primários exportadores do Brasil, com a cana e o café”, opina Leão.

Em 2019, a produção brasileira de petróleo bateu recorde, ultrapassando pela primeira vez a marca de 1 bilhão de barris. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a produção aumentou 7,78% em relação ao ano anterior, com uma média de 2,79 milhões de barris ao dia. No mês de dezembro, o país também bateu o recorde de exportação da commodity, alcançando o valor de 8,72 toneladas.

Ainda de acordo com o economista, esse direcionamento da empresa é de alto risco, devido a incerteza de novas descobertas de reservas nos próximos anos. “Assim como aconteceu com o café, outros países vão começar a produzir petróleo, e ninguém garante que em 15 anos não possa ter uma outra descoberta que passe a competir com o pré-sal. É uma aposta de alto risco. Você tá jogando todas suas fichas num único segmento”, explica.

Em consequência dessa política que prioriza a exportação do produto primário, as refinarias da Petrobrás estão operando com cerca de 70% da capacidade. Isso porque está mais rentável para a empresa e seus acionistas exportarem petróleo cru. Com isso, entretanto, o Brasil é obrigado a importar os produtos derivados do petróleo (gasolina, diesel, gás natural, gás de cozinha) para suprir a demanda interna. E quem paga a conta é a população brasileira.

Em 2019, de acordo com a ANP, o preço da gasolina subiu 4,85% e foi vendida, em média, pelo valor de R$ 4,55 por litro nas bombas de combustíveis. Já o óleo diesel sofreu reajuste anual de 8,69% e chegou ao preço médio de R $3,75 nos postos. Já o gás de cozinha sofreu reajuste aproximado de 10%, atingindo uma média de R$ 73 por cada botijão. E esses preços podem aumentar ainda mais, caso se concretize o plano do governo Bolsonaro de privatizar 9 das 15 refinarias da Petrobrás nos próximos anos.

Greve dos petroleiros

Para tentar barrar estes retrocessos, os petroleiros deflagraram uma greve nacional no dia 1º de fevereiro. A principal reivindicação é contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen-PR), que causará a demissão de aproximadamente mil trabalhadores. De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a medida fere o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que prevê a consulta aos sindicatos responsáveis antes de demissões em massa.

De 2013 a 2018, de acordo com a FUP, a redução de trabalhadores da Petrobrás foi a maior entre todas as petroleiras do mundo, com aproximadamente 270 mil demissões. No quadro de trabalhadores próprios, foram 23 mil demissões, por meio de Planos de Demissão Voluntária, sem reposição de vagas. Em relação aos terceirizados, foram 248 mil trabalhadores demitidos, o que representa uma redução de 68% o número de postos de trabalho.

[Sindipetro Unificado SP/Guilherme Weimann]

Publicado em Petróleo

Os moradores de Macaé costumam pagam um dos preços da gasolina mais cara do país. A média paga nos postos da cidade é de R$ 5,19 o litro do combustível. A categoria petroleira em greve quer dialogar com a população e mostrar que esse preço é absurdo.

Com base em estudos do DIEESE, o Sindipetro-NF garante que seria possível pagar um combustível mais em conta se a Petrobrás tivesse seus interesses voltados para a população brasileira e não para o mercado internacional.

Para comprovar essa realidade, nesta quarta, 19, às 11 horas, o Sindipetro-NF vai subsidiar o valor do combustível.  A ação acontecerá no Posto BR na R. Dr Télio Barreto, 1074, na Aroeira. Cada carro receberá um voucher de R$ 20,00 para abastecer. Terão direito a abastecer 500 veículos/motos que chegarem no posto a partir deste horário.

Com isso o sindicato quer mostrar que uma pessoa que coloca R$ 50,00 de combustível deveria pagar apenas R$30,00 se a Petrobrás mudasse sua política de preços.

A política de preços

A Petrobrás modificou sua política de preços em relação aos produtos derivados do petróleo, como gasolina, diesel e gás de cozinha. Atualmente, os preços desses produtos variam de acordo com o mercado internacional e o câmbio do dólar, que varia em torno de R$ 4,30.

Para piorar ainda mais, a gestão atual da Petrobrás está subutilizando as refinarias. No ano passado operaram com 67% da sua capacidade. De acordo com a Petrobrás, isso está ocorrendo porque considera mais rentável vender óleo cru no mercado internacional e importar seus derivados. Entretanto o movimento sindical critica essa postura que não leva em conta a situação econômica de grande parte da população brasileira, obrigada a pagar por altos preços do botijão de gás e dos combustíveis.

A greve

A greve nacional dos petroleiros entra na terceira semana, com novas adesões. Enquanto a direção da Petrobras se nega a dialogar com a FUP, mais trabalhadores se somam ao movimento, pressionando a gestão da empresa para que suspenda as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que já tiveram início na sexta-feira, 14.

Neste final de semana, mais uma plataforma do Norte Fluminense aderiu à greve, que já se estendeu por toda a Bacia de Campos. Até o momento, 36 das 39 plataformas da região tiveram a operação entregue às equipes de contingência da Petrobrás. A mobilização é para que as três últimas plataformas da Bacia que ainda não entraram na greve (PRA-1, P-54 e P-65) se somem ao movimento nacional.

A terceira semana de greve, portanto, chega com força e unidade dos trabalhadores do Sistema Petrobrás em todo o país. São 118 unidades mobilizadas, entre elas 57 plataformas, 24 terminais e todo o parque de refino da empresa: 11 refinarias, SIX (usina de xisto), Lubnor (Lubrificantes do Nordeste), AIG (Guamaré).

No edifício sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, a Comissão Permanente de Negociação da FUP já está há 17 dias, ocupando uma sala do quarto andar do prédio, cobrando um canal de diálogo com a gestão, na busca do atendimento das reivindicações da categoria.

Do lado de fora do prédio, na Avenida Chile, a Vigília Resistência Petroleira vem arregimentando apoios e participação ativa de diversas outras categorias, organizações populares, estudantes e movimentos sociais, na construção de uma ampla frente de luta em defesa da Petrobras e contra as privatizações.

[Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Publicado por Programa Faixa Livre]

Iniciada a terceira semana de paralisação dos petroleiros no país, os sinais de desabastecimento de derivados do óleo começam a surgir. Ao todo, quase 21 mil funcionários da Petrobras estão em greve, o que tem obrigado a estatal a manter equipes de contingência em atividade para dar conta da demanda de combustíveis. 

Contudo, os profissionais contratados pela companhia, com autorização da Justiça, vêm trabalhando em condições precárias, com escalas de trabalho que colocam em risco sua integridade física e psicológica, além da segurança das instalações da empresa. 

A denúncia foi feita pelo secretário de Assuntos Jurídicos e Institucionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP) Deyvid Bacelar, que está em vigília com outros petroleiros na divisão de Recursos Humanos da Petrobras, no Centro do Rio, desde o início da greve na tentativa de negociar as condições para o seu encerramento. 

“As equipes de contingência estão desgastadas fisicamente, em um número pequeno, colocando em risco suas vidas, as instalações, o meio ambiente e as comunidades em torno das várias unidades operacionais. Estamos falando de praticamente bombas ambulantes, de grandes refinarias, plataformas, terminais que estão sim em uma condição crítica devido à intransigência e truculência dessa gestão que não quer negociar conosco absolutamente nada. Estão colocando em risco não somente o abastecimento do mercado nacional de derivados de petróleo, mas vidas humanas”, condenou. 

Na última semana, o presidente da Petrobras Roberto Castelo Branco garantiu que os profissionais contratados em regime de urgência até o final da paralisação garantiriam a produção de petróleo. 

Outro que se posicionou a respeito da greve foi o diretor-geral da Agência de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Décio Odone, afirmando que não haveria impacto ao mercado. No entanto, o dirigente demonstrou preocupação com as equipes de contingência, lembrando que elas são menores na comparação com os trabalhadores em regime normal. 

Aliás, a agência reguladora enviou um ofício ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) demonstrando seu temor em relação a esta situação. O membro da FUP destacou que a entidade tem tomado iniciativas semelhantes. 

“Estamos provocando esses próprios órgãos para que se manifestem oficialmente à sociedade a partir de números que eles devem levantar dessas refinarias, terminais e plataformas de exploração e produção de petróleo. Isso nos preocupa muito, é bastante alarmante, já fizemos denúncias aos órgãos competentes desta situação desumana e ilegal”, comentou. 

Atualmente 12 refinarias aderiram ao movimento grevista. A gerência da Petrobras vem recorrendo nos últimos dias a empresas estrangeiras para manter o abastecimento dos postos, mas a condição é temporária. 

“Tudo isso vai ter um limite, não tem como as importadoras garantirem o abastecimento do mercado nacional se as refinarias vierem a parar por situação de emergência ou de esgotamento físico como, por exemplo, está acontecendo na Refinaria de Cubatão, onde já três unidades de processo foram paradas porque as pessoas não conseguem mais operar por questões de segurança, poderiam colocar em risco todas as instalações e as comunidades no entorno”, alertou Deyvid. 

Na próxima terça-feira (18), a partir das 16h, os petroleiros farão novo protesto, com concentração em frente ao prédio do Edise – Av. República do Chile, 65, Centro – na tentativa de sensibilizar a direção da Petrobras a rever as demissões na Fábrica de Fertilizantes Araucária Nitrogenados (Fafen), no Paraná, e conter o processo de privatização da estatal. 

Ouça a entrevista de Deyvid Bacelar: 

Publicado em Sistema Petrobrás

Direito este que muitos confundem como sendo de uma categoria – a dos jornalistas – quando, na verdade, é um direito do povo de receber informações variadas para fazer seus juízos de valores e tomar suas decisões, através do voto.

Na realidade, porém, é um direito boicotado por aqueles que sempre se posicionaram, ao menos teoricamente, contra a censura. A começar pelos meios de comunicação de uma forma em geral, os chamados grandes conglomerados da imprensa tradicional. Tal como ninguém menos do que Janio de Freitas registrou na sua coluna de domingo (16/02) na Folha de S.Paulo, ao lembrar que quem fala de censura dos livros deveria também falar da greve dos petroleiros.

Há 17 dias mais de 20 mil petroleiros estão de braços cruzados. Paralisaram as operações em cerca de 120 unidades da Petrobras espalhadas por todo o território nacional – no domingo os trabalhadores do longínquo campo de Urucu, na selva amazônica, aderiram à greve. Mas a chamada grande imprensa praticamente ignora o movimento.

Quando fala a respeito é apenas para dar voz à empresa ou mostrar as reações contrárias ao movimento, sem qualquer senso crítico. Tal como a esdrúxula decisão do ministro Dias Toffoli do dia 12/02 – Toffoli sufoca petroleiros com multas e greve só de 10%. Nela, com uma canetada, o presidente do Supremo Tribunal Federal, a quem cabe fazer respeitar a Constituição, ao mesmo tempo enterrou o direito de greve ao determinar o trabalho de 90% da categoria assim como ameaçou o direito sindical, ao convalidar multas que inviabilizam economicamente as entidades representantes dos trabalhadores.

Na sociedade democrática é admissível que donos de meios de comunicação tenham seu lado como empresários e apoiem, por mais injustas que possam parecer, políticas liberais na economia brasileira. Como fez O Globo nesta segunda-feira, que mesmo sem noticiar o movimento grevista a seus leitores, apresenta um editorial classificando a greve como movimento político da Federação Única dos Petroleiros – FUP.

Omite apenas que diversas “bases” da Petrobras onde os sindicatos pertencem à Federação Nacional dos Petroleiros – FNP, entidade politicamente divergente da FUP, também já aderiram à paralisação.

Também se deve aceitar, democraticamente, que parte da categoria dos jornalistas já não empunhe, como outrora, bandeiras como a do “Petróleo É Nosso” desfraldadas no passado pela Associação Brasileira de Imprensa – ABI, contando, inclusive, com o apoio de donos de jornais, seus antigos sócios.

Há, porém, um compromisso maior, que vem sendo desrespeitado pela chamada grande mídia. A de fornecer a seus leitores/telespectadores informações variadas, que lhes permitam refletir sobre o que ocorre na sociedade brasileira. Não basta dizer como O Globo fez que se trata de greve política. Afinal, todas acabam o sendo por serem em protesto a medidas adotadas pelos donos da empresa em desfavor de seus empregados.

É preciso que a mídia atue na sua função de promover um amplo debate. No caso, por exemplo, na discussão a respeito da política de preços que está sendo praticada nos derivados de petróleo, desde o governo Temer. Uma política que, nas explicações dos petroleiros e não apenas deles, desdenha a nossa capacidade de produzir tais derivados, deixando nossas refinarias ociosas. Optam pela exportação do óleo cru para depois importarmos os derivados que deixamos de produzir.

Em consequência, ficamos à mercê dos preços internacionais e todos nós pagamos mais caros pelo derivado consumido – incluindo aí o gás de cozinha que passou a ser produto supérfluo para muitas famílias. Sem falar no desemprego gerado com a ociosidade nas unidades da Petrobras.

Aliás, O Globo e toda a grande imprensa desdenharam, inclusive, o desafio feito pela própria FNP ao governo de Jair Bolsonaro, quando o presidente fez galhofa prometendo cortar imposto dos derivados caso os estados cortassem o ICMS. Desafio divulgado por blogues, como o JornalGGN – Confira a carta dos petroleiros – Federação Nacional dos Petroleiros. Nele, a FNP reafirma o que outros dizem e a grande mídia ignora:

“(…) a verdadeira causa do aumento do preço dos combustíveis não está aí, já que a carga tributária em essência continuou a mesma nos últimos anos e está dentro da média mundial. O que mudou, portanto, foi a política de preços da Petrobras que passou a seguir a referência de um preço que nada tem a ver com os custos da Petrobras, mas que facilita a concorrência de empresas estrangeiras no mercado brasileiro e encarece o combustível para os que mais precisam“.

Deveria caber à mídia, independentemente da ideologia de seus donos, o debate aberto sobre todas estas questões. Explicar como petroleiros podem, como mostra o vídeo abaixo, vender botijões de gás a um preço bem menor (R$ 35,00) do atual valor cobrado nos revendedores. Porém, sequer a iniciativa de colocação destes botijões a preço mais em conta é noticiada. Escondem o fato, em vez de debatê-lo, até mesmo para, se for o caso, se demonstrar a inviabilidade disso.

Houve época em que os jornais cariocas cobriam greve de petroleiro na porta da Refinaria Duque de Caxias. Fiz isso, quando repórter do Jornal do Brasil, no final dos anos 80. Lá encontrava sempre minha colega Heloisa Vilela, atualmente trabalhando em Nova Iorque pela TV Record, fazendo a cobertura pelo O Globo. Hoje, provavelmente, repórteres nem saberão o que vem a ser Reduc.

Ignoram até mesmo o acampamento instalado na porta do edifício sede da estatal, na Avenida Chile, no centro nervoso do Rio, onde estão em vigília empregados e familiares da Fábrica de Fertilizantes de Araucária, subsidiária da estatal que está sendo fechada, causando a demissão de mil trabalhadores da empresa e terceirizados. Tudo para não falarem do movimento da greve e do apoio que ele vem tendo.

Movimento que nesta segunda-feira (17/02) recebeu a adesão de caminhoneiros no Porto de Santos onde desde a madrugada não entram os caminhões carregados. Aparentemente, sem a necessidade dos piquetes que foram proibidos pela Justiça.

O que deverá aumentar ainda mais a dificuldade de funcionamento do porto, que já vinha sofrendo problemas no reabastecimento dos navios ali atracados, tal como divulgou no domingo A Tribuna – Falta de combustível para navios, causa prejuízos e atrasos no Porto de Santos.

Resta saber até quando este silêncio que a mídia se impõe, deixando de cumprir seu papel social, irá perdurar. Nesta terça-feira (18/02) está prevista uma grande mobilização, não apenas dos petroleiros, no centro do Rio de Janeiro. Mais de mil trabalhadores em greve em outras cidades estão sendo esperados a partir das 16h00, em uma concentração na porta do edifício sede da empresa.

Paralelamente, aguarda-se nesta semana o resultado das negociações que os presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, se comprometeram junto a petroleiros, deputados e senadores da oposição a fazer para abrirem um cabal de negociação com a estatal e o governo. Nada disso, porém, tem sido noticiado pela grande mídia, que no seu silêncio, deixa de cumprir seu papel. Não por outro motivo que está perdendo prestígio.

 

 

Publicado em Política

Em greve desde primeiro de fevereiro, os petroleiros intensificam a pressão para que a direção da Petrobrás atenda a pauta da categoria. Nesta segunda-feira, 17, já são 121 unidades cujos trabalhadores aderiram à paralisação. A paralisação mobiliza cerca de 64% dos efetivos operacionais da Petrobrás e subsidiárias, em 13 estados do país. São 21 mil petroleiros em greve, em um universo de aproximadamente 33 mil trabalhadores nas áreas operacionais. 

A emoção transborda a cada nova adesão à greve. Na Bacia do Solimões, onde estão localizados os campos de produção terrestre na região de Urucu, os petroleiros aderiram à convocação da FUP e se somaram à greve na noite de domingo. Ao desembarcarem no aeroporto de Manaus, foram recebidos aos gritos de “não estamos à venda”. Veja o vídeo: 

A Bacia do Solimões é a terceira maior produtora de gás natural do Brasil, ficando atrás apenas de dois campos do pré-sal (Lula e Búzios). Os campos de Urucu produzem cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás por dia, segundo relatório da Petrobrás, em dezembro de 2019.

A greve nacional dos petroleiros atravessa a terceira semana, com mais força e adesões, pressionando a direção da Petrobras para que suspenda as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que já tiveram início na sexta-feira, 14.

Em São Paulo, os trabalhadores da Termelétrica Nova Piratininga se somaram ao movimento, aumentando para 8 o número de usinas na greve, o que equivale a um terço de todo o parque termoelétrico da Petrobrás.

No final de semana, mais uma plataforma do Norte Fluminense (P08) também aderiu à greve, que já se estendeu por toda a Bacia de Campos. Até o momento, 36 das 39 plataformas da região tiveram a operação entregue às equipes de contingência da Petrobrás.

A greve conta também com a participação dos trabalhadores de todo o parque de refino da Petrobrás, cujas plantas estão sendo operadas por equipes de contingência da empresa: 11 refinarias, SIX (usina de xisto), Lubnor (Lubrificantes do Nordeste), AIG (Guamaré).

Somam-se a essas unidades, 24 terminais e mais outras 15 áreas operacionais, que envolvem produção e processamento de óleo e gás.

Ocupações, vigília e marcha em apoio à greve

No edifício sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, a Comissão Permanente de Negociação da FUP já está há 18 dias em uma sala do quarto andar do prédio, cobrando um canal de diálogo com a gestão, na busca do atendimento das reivindicações da categoria.

Do lado de fora do prédio, na Avenida Chile, a Vigília Resistência Petroleira vem arregimentando apoios e participação ativa de diversas outras categorias, organizações populares, estudantes e movimentos sociais, na construção de uma ampla frente de luta em defesa da Petrobras e contra as privatizações.  

Em Araucária, petroleiros e petroquímicos da Fafen-PR e suas famílias seguem acampados há 28 dias em frente à fábrica, resistindo ao fechamento da unidade e lutando para reverter as demissões anunciadas pela Petrobrás e que já tiveram início no último dia 14.

A greve dos petroleiros já ultrapassou a categoria e cresce diariamente em apoio da sociedade, com movimentos solidários e de luta por todo o país.

Nesta terça-feira, 18, uma grande marcha nacional em defesa do emprego, da Petrobrás e do Brasil será realizada no Rio de Janeiro, com a participação de caravanas de trabalhadores de vários estados. A concentração será a partir das 16h, em frente à sede da Petrobrás, onde está instalada a Vigília Resistência Petroleira.

Quadro nacional da greve – 17/02

21 mil petroleiros mobilizados em 121 unidades do Sistema Petrobrás

58 plataformas

11 refinarias

24 terminais

8 campos terrestres

8 termelétricas

3 UTGs  

1 usina de biocombustível

1 fábrica de fertilizantes

1 fábrica de lubrificantes

1 usina de processamento de xisto

2 unidades industriais

3 bases administrativas

A greve em cada estado:

Amazonas

Campo de Produção de Urucu

Termelétrica de Jaraqui

Termelétrica de Tambaqui

Terminal de Coari (TACoari)

Refinaria de Manaus (Reman)

Ceará

Plataformas - 09 

Terminal de Mucuripe

Temelétrica TermoCeará

Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor)

Rio Grande do Norte

Plataformas – PUB-2 e PUB-3

Ativo Industrial de Guamaré (AIG)

Base 34 e Alto do Rodrigues - mobilizações parciais

Pernambuco

Refinaria Abreu e Lima (Rnest)

Terminal Aquaviário de Suape

Bahia

Terminal de Camaçari

Terminal de Candeias

Terminal de Catu

UO-BA – 07 áreas de produção terrestre

Refinaria Landulpho Alves (Rlam)

Terminal Madre de Deus

Usina de Biocombustíveis de Candeias (PBIO)

Espírito Santo

Plataformas: FPSO-57 e FPSO-58

Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR)

Terminal Aquaviário de Vitória (TEVIT)

Unidade de tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC)

Sede administrativa da Base 61

Minas Gerais

Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité)

Refinaria Gabriel Passos (Regap)

Rio de Janeiro

Plataformas – PNA1, PPM1, PNA2, PCE1, PGP1, PCH1, PCH2, P07, P08, P09, P12, P15, P18, P19, P20, P25, P26, P31, P32, P33, P35, P37, P40, P43, P47, P48, P50, P51, P52, P53, P54, P55, P56, P61, P62, P63, P74, P76, P77 

Terminal de Cabiúnas, em Macaé (UTGCAB)

Terminal de Campos Elíseos (Tecam)

Termelétrica Governador Leonel Brizola (UTE-GLB)

Refinaria Duque de Caxias (Reduc)

Terminal Aquaviário da Bahia da Guanabara (TABG)

Terminal da Bahia de Ilha Grande (TEBIG)

Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)

São Paulo

Termelétrica Nova Piratininga

Terminal de São Caetano do Sul

Terminal de Guararema

Terminal de Barueri

Refinaria de Paulínia (Replan)

Refinaria de Capuava, em Mauá (Recap)

Refinaria Henrique Lages, em São José dos Campos (Revap)

Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (RPBC)

Plataformas – PMXL1, P66, P67, P68 e P69

Terminal de Alemoa

Terminal de São Sebastiao 

Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA)

Termelétrica Cubatão (UTE Euzébio Rocha)

Torre Valongo - base administrativa da Petrobras em Santos

Terminal de Pilões

Mato Grosso do Sul

Termelétrica de Três Lagoas (UTE Luiz Carlos Prestes)

Paraná

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)

Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)

Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FafenPR/Ansa)

Terminal de Paranaguá (Tepar)

Santa Catarina

Terminal de Biguaçu (TEGUAÇU)

Terminal Terrestre de Itajaí (TEJAÍ)

Terminal de Guaramirim (Temirim)

Terminal de São Francisco do Sul (Tefran)

Base administrativa de Joinville (Ediville)

Rio Grande do Sul

Refinaria Alberto Pasqualini (Refap)

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

A greve nacional dos petroleiros entra na terceira semana, com novas adesões. Enquanto a direção da Petrobras se nega a dialogar com a FUP, mais trabalhadores se somam ao movimento, pressionando a gestão da empresa para que suspenda as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que já tiveram início na sexta-feira, 14.

Neste final de semana, mais uma plataforma do Norte Fluminense aderiu à greve, que já se estendeu por toda a Bacia de Campos. Até o momento, 36 das 39 plataformas da região tiveram a operação entregue às equipes de contingência da Petrobrás. A mobilização é para que as três últimas plataformas da Bacia que ainda não entraram na greve (PRA-1, P-54 e P-65) se somem ao movimento nacional.

Na Bahia, os trabalhadores da Estação de Distribuição de Gás de Camaçari também paralisaram as atividades neste domingo.

A terceira semana de greve, portanto, chega com força e unidade dos trabalhadores do Sistema Petrobrás em todo o país. São 118 unidades mobilizadas, entre elas 57 plataformas, 24 terminais e todo o parque de refino da empresa: 11 refinarias, SIX (usina de xisto), Lubnor (Lubrificantes do Nordeste), AIG (Guamaré).

No edifício sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, a Comissão Permanente de Negociação da FUP já está há 17 dias, ocupando uma sala do quarto andar do prédio, cobrando um canal de diálogo com a gestão, na busca do atendimento das reivindicações da categoria.

Do lado de fora do prédio, na Avenida Chile, a Vigília Resistência Petroleira vem arregimentando apoios e participação ativa de diversas outras categorias, organizações populares, estudantes e movimentos sociais, na construção de uma ampla frente de luta em defesa da Petrobras e contra as privatizações.  

Em Araucária, petroleiros e petroquímicos da Fafen-PR e suas famílias seguem acampados há 27 dias em frente à fábrica, resistindo ao fechamento da unidade e lutando para reverter as demissões anunciadas pela Petrobrás e que já tiveram início no último dia 14.

A greve dos petroleiros já ultrapassou a categoria e cresce diariamente em apoio da sociedade, com movimentos solidários e de luta por todo o país.

Na terça-feira, 18, uma grande marcha nacional em defesa do emprego, da Petrobrás e do Brasil será realizada no Rio de Janeiro, com a participação de caravanas de trabalhadores de vários estados. A concentração será a partir das 16h, em frente à sede da Petrobrás, onde está instalada a Vigília Resistência Petroleira.

Quadro nacional da greve – 16/02

57 plataformas

11 refinarias

24 terminais

7 campos terrestres

7 termelétricas

3 UTGs  

1 usina de biocombustível

1 fábrica de fertilizantes

1 fábrica de lubrificantes

1 usina de processamento de xisto

2 unidades industriais

3 bases administrativas

A greve em cada estado

Amazonas

Termelétrica de Jaraqui

Termelétrica de Tambaqui

Terminal de Coari (TACoari)

Refinaria de Manaus (Reman)

Ceará

Plataformas - 09 

Terminal de Mucuripe

Temelétrica TermoCeará

Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor)

Rio Grande do Norte

Plataformas – PUB-2 e PUB-3

Ativo Industrial de Guamaré (AIG)

Base 34 e Alto do Rodrigues - mobilizações parciais

Pernambuco

Refinaria Abreu e Lima (Rnest)

Terminal Aquaviário de Suape

Bahia

Terminal de Camaçari

Terminal de Candeias

Terminal de Catu

UO-BA – 07 áreas de produção terrestre

Refinaria Landulpho Alves (Rlam)

Terminal Madre de Deus

Usina de Biocombustíveis de Candeias (PBIO)

Espírito Santo

Plataformas: FPSO-57 e FPSO-58

Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR)

Terminal Aquaviário de Vitória (TEVIT)

Unidade de tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC)

Sede administrativa da Base 61

Minas Gerais

Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité)

Refinaria Gabriel Passos (Regap)

Rio de Janeiro

Plataformas – PNA1, PPM1, PNA2, PCE1, PGP1, PCH1, PCH2, P07, P08, P09, P12, P15, P18, P19, P20, P25, P26, P31, P32, P33, P35, P37, P40, P43, P47, P48, P50, P51, P52, P53, P54, P55, P56, P61, P62, P63, P74, P76, P77 

Terminal de Cabiúnas, em Macaé (UTGCAB)

Terminal de Campos Elíseos (Tecam)

Termelétrica Governador Leonel Brizola (UTE-GLB)

Refinaria Duque de Caxias (Reduc)

Terminal Aquaviário da Bahia da Guanabara (TABG)

Terminal da Bahia de Ilha Grande (TEBIG)

Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)

São Paulo

Terminal de São Caetano do Sul

Terminal de Guararema

Terminal de Barueri

Refinaria de Paulínia (Replan)

Refinaria de Capuava, em Mauá (Recap)

Refinaria Henrique Lages, em São José dos Campos (Revap)

Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (RPBC)

Plataformas (04) - Mexilhão, P66, P67 e P69

Terminal de Alemoa

Terminal de São Sebastiao 

Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA)

Termelétria Cubatão (UTE Euzébio Rocha)

Torre Valongo - base administrativa da Petrobras em Santos

Terminal de Pilões

Mato Grosso do Sul

Termelétrica de Três Lagoas (UTE Luiz Carlos Prestes)

Paraná

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)

Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)

Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FafenPR/Ansa)

Terminal de Paranaguá (Tepar)

Santa Catarina

Terminal de Biguaçu (TEGUAÇU)

Terminal Terrestre de Itajaí (TEJAÍ)

Terminal de Guaramirim (Temirim)

Terminal de São Francisco do Sul (Tefran)

Base administrativa de Joinville (Ediville)

Rio Grande do Sul

Refinaria Alberto Pasqualini (Refap)

 [FUP | Foto: Gibran Mendes/CUT-PR]

Publicado em Sistema Petrobrás

No Norte Fluminense, participa ainda da greve o Terminal de Cabiúnas, em Macaé, que mantém corte de rendição. Nas bases administrativas da empresa estão ocorrendo atrasos na entrada dos expedientes e concentrações nos portões. Ontem, petroleiros e petroleiras da base de Imbetiba participaram de uma passeata até o Centro do município.

Quadro nacional divulgado pela FUP (Federação Única dos Petroleiros) na tarde de hoje mostrava a adesão de 56 plataformas — que agora passa para 57 — em todo o País, além de 11 refinarias, 23 terminais, 7 campos terrestres, 7 termelétricas, 3 UTGs (Unidades de Tratamento de Gás), 1 usina de biocombustível, 1 fábrica de fertilizantes, 1 fábrica de lubrificantes, 1 usina de processamento de xisto, 2 unidades industriais e 3 bases administrativas.

A greve nacional dos petroleiros começou em 1º de fevereiro e tem como pauta a suspensão de cerca de mil demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), o fim da venda de ativos da Petrobrás e a mudança na política de preços dos combustíveis — atualmente vinculada ao mercado internacional, o que provoca a prática de preços altos ao consumidor brasileiro.

 

Publicado em SINDIPETRO-NF
Sábado, 15 Fevereiro 2020 15:07

Sobre trajetórias e responsabilidade

Por Tadeu Porto, diretor da FUP e um dos integrantes da Comissão Permanente de Negociação, que ocupa uma sala do Edise desde 31/01

Certa vez, na primeira plataforma que embarquei na vida, presenciei, in loco, uma tubulação estourar e vazar muito gás. Era uma linha ligada ao "slop vessel" no Cellar Deck da unidade. Me lembro de como o supervisor do turno, como um raio, entrou na densa nuvem de gás e fechou a válvula que alimenta o vazamento. Ele não poderia ter feito isso, mas fez. Se tivesse alguma ignição, iria ele, eu e talvez a plataforma para o fundo do mar, como foi a P36.

Esse supervisor, chegou a virar coordenador, contudo não aguentou o assédio e saiu da empresa. A última vez que falei com ele, numa assembleia em Imbetiba, vi sua desmotivação enquanto me falava de sair do país.

Também vi sair da Petrobrás outro companheiro, um dos melhores cipistas que já presenciei. Ele tinha todas as pendências da P48 num caderno e queria resolver todos os problemas da plataforma. Dava gosto de ver ele autuar.

Uma vez ele me ligou pra informar um grande incêndio na unidade e me disse num tom de voz que misturava orgulho, alívio e medo: "todo mundo desceu pra combater". Foi um dos maiores incêndios dos últimos tempos, a equipe combateu durante horas e horas chamas lambendo a lateral da plataforma.

Falando em fogo, me recordei, com tristeza, de outro compa. Esse teve a perna esmagada por uma mangueira de incêndio ano passado. Ele é jovem, entrou no mesmo concurso que eu em 2010, e nunca mais terá a mesma mobilidade de antes.

Das lembranças que marcam, a mais forte é a do Sandro, o guindasteiro de PNA2 morto em um acidente de trabalho a bordo. Um dos momentos mais difíceis que vivi no sindicato. Sandro morreu "sugado" por um cabo, teve o corpo partido ao meio e ficou mais de 24h enroscado junto com o cabo no tambor do guindaste.

Já vi, vivi e ouvi muita coisa nessa década de Petrobrás. Talvez seja por isso que a gestão da empresa tente, junto ao TST, me fazer "responsável e solidário" a essa greve histórica que estamos fazendo.

Não entendo de direito e leis, sou operador de produção e não advogado. Mas me parece bem descabido colocar multas milionárias, nunca antes aplicadas na justiça do trabalho, junto a um CPF assalariado e CLTista.

O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, disse na Globo News que nenhum barril foi afetado pela greve. E mesmo assim quer nos processar.

Me lembrar dessa década, me fez pensar justamente na trajetória recente do Castello. Ele passou mais tempo no financeiro da Vale do que eu tenho de Petrobrás. Saiu da mineradora um ano antes do desastre de Mariana, tragédia que culminou na morte de dezoito pessoas e no desaparecimento de uma.

Minha alma de ferro itabirana e minha experiência sindicalista, me fazem querer entender. Acho que, talvez, Castello tenha economizado além da conta enquanto diretor financeiro da Vale. Acho que ele deveria ter investido mais em saúde, segurança e meio ambiente e pagado menos a acionistas. Se fosse assim, sua política poderia ter evitado essa e outras tragédias, como o de Brumadinho, uma grande tragédia ambiental e o maior acidente de trabalho da história do país, com mais de duzentas mortes confirmadas.

Mas não sei, não sou operador do direito, sou operador de produção. Sou também cidadão e achava, assim, que as mortes causadas pela Vale deveria ter mais atenção da justiça do trabalho que uma greve que "não afeta nenhum barril de petróleo".

Há trajetórias e, com elas, responsabilidades. A vida tratará de demonstrar as ligações lógicas entre essas. Hoje em dia, ocupando uma sala no Edise, minha consciência tranquila me faz dormir bem, mesmo que seja no chão que Castello pisa.

Publicado em Sistema Petrobrás
Página 2 de 79

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

Instagram