A representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, votou contra a venda das três usinas eólicas que a empresa detinha do Rio Grande do Norte e que tiveram a venda autorizada na última reunião do CA em 2020. Em seu site, ela explica porque votou contra a privatização

[Do site do mandatode Rosângela Buzanelli]

Em continuidade à sua vigorosa política de desinvestimento, a Petrobrás anunciou no começo deste ano a venda de três usinas eólicas do Rio Grande do Norte, a Mangue Seco 1, 3 e 4. A pauta foi debatida e aprovada na última reunião de 2020 do CA, em 16 de dezembro. Como conselheira, representante das trabalhadoras e dos trabalhadores da Petrobrás, eu votei contra essa venda. Considero que essa decisão vai na contramão da política de expansão da produção nacional de energia renovável e redução das emissões de carbono, cujo tema tem sido uma preocupação mundial.

O informe oficial da empresa sobre a negociação foi divulgado no dia 7 de janeiro deste ano. A Petrobrás argumentou, na nota, que “essa operação está alinhada à estratégia de otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os seus acionistas”. Uma justificativa bastante questionável.

Essa política adotada pela atual gestão da companhia traz em si equívocos e contradições óbvias. Equívocos, pois a “otimização do portifólio” tem significado privatizações camufladas, que em si já são questionáveis. Mas não apenas isso, vendas de ativos públicos lucrativos e estratégicos em nome da maximização de retorno ao acionista, num flagrante desvio da real função da empresa Estatal. E contradições, pois energias renováveis devem estar no radar e no planejamento de todas as companhias de petróleo. E, sim, estão incluídas no “Plano Estratégico” 2021-2025 da Petrobrás.

Conforme o que foi divulgado ao mercado, a estratégia aprovada pela Petrobrás para o período 21-25 traz no quesito Transição Energética “desenvolver pesquisas visando a atuação, em longo prazo, em negócios de Petroquímica e energia renovável com foco em eólica e solar no Brasil”, com o objetivo de, eventualmente, reposicionar a Petrobrás neste segmento no futuro. Além de ignorar o próprio plano, desnecessário aqui enfatizar que estar no negócio, seja ele qual for, é um dos movimentos essenciais para aquisição de known how e domínio da tecnologia. Portanto, mais uma vez, prevalece a visão imediatista em detrimento da estratégica.

Não é demais ressaltar que os estudos de demanda do Plano Nacional de Energia (PNE 2050), elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do Ministério de Minas e Energia (MME), aponta para os seguintes cenários*:

*Disponível em: https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-227/topico-202/Cen%C3%A1rios%20de%20Demanda.pdf

  • crescimento constante no consumo de energia no país. Mesmo no cenário inferior, mais pessimista, na ordem de 1,6% ao ano até 2030, 1,6% ao ano até 2040 e 0,9% ao ano em 2050;
Figura 1 – Evolução do consumo final por cenário

 

  • o Brasil tem uma capacidade de consumo de energia abaixo dos países em igual condições de PIB per capita. Em comparação com países como a China e África do Sul, que possuem PIB per capita semelhantes ao nosso, ainda temos um consumo médio de energia muito baixo;
Figura 2- Intensidade Energética X PIB per capita
  • Entre as fontes de produção de energia, haverá perda de espaço para as energias consideradas mais sujas, como petróleo, e crescimento de produção de energias limpas, como a eólica. Nas previsões do EPE, a produção de energia derivada de petróleo cairá de 43% em 2015 para 39% em 2050. Já a produção de eletricidade passará de 17% para 24% no mesmo período de comparação;
Figura 3 – Participação das fontes no consumo final

 

  • A crise de fornecimento de energia no Amapá, em novembro de 2020, mostra que o Brasil vive momentos de instabilidade na produção e abastecimento de energia elétrica em diversos momentos, seja por problemas climáticos (como ocorreu em 2014 e 2015), seja pelo processo de privatização do setor e redução dos investimentos em manutenção da produção e fornecimento de energia;

Ou seja, exatamente quando o país necessita de mais energia elétrica, especialmente de fonte limpa, na esteira de todo o esforço mundial para diminuição das emissões de carbono, a gestão da empresa, que em seu “Plano Estratégico” 21-25 estabelece investimentos em energia solar e eólica, aliena sua participação em usinas de produção de energia eólica. Parece contraditório, e é.

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Segunda, 18 Janeiro 2021 13:07

Por que a Petrobras é estratégica?

Sem a Petrobras não haveria campos do pré-sal, refinarias, infraestrutura e logística de gás dentre tantas outras frentes do setor energético, sem a petrolífera brasileira o que há é desindustrialização, apagões em regiões do país, preços proibitivos de combustíveis e gás, por isso se trata de uma empresa estratégica, afirmam os pesquisadores do INEEP, em artigo publicado no Le Monde Diplomatique.

Por William Nozaki e Rodrigo Leão, oordenadores-técnicos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP) 

É preciso perguntar para os críticos das estatais porque consideram a Petrobras uma empresa passível de ser desnacionalizada e descapitalizada. Duvide, leitor, da palavra privatização toda vez que seu interlocutor a usar como panaceia para os problemas da estrutura produtiva e social no Brasil. No início deste século, os Estados Unidos ascenderam à posição de poder global assentando sua hegemonia sobre o tripé: armas, dólar e petróleo. O ouro negro é um produto estratégico para qualquer economia, imagine, para a maior de todas. Prova disso é que o arranjo econômico-institucional norte-americano para a gestão petrolífera nunca foi matéria exclusiva das autoridades energéticas e regulatórias, sempre foi tema do aparato de defesa e política externa, conformando uma conturbação entre estratégias nacionais e interesses empresariais.

A ascensão do shale gas americano, por exemplo, teve uma profunda conexão com o governo americano que adotou uma série de medidas não só apoiando as empresas privadas, mas formulando programas específicos para o desenvolvimento de novas formas de energia desde os anos 1970. Com a criação do Departamento de Energia dos Estados Unidos (Departament of Energy – DOE) no final daquela década, que surgiu com o objetivo de centralizar o planejamento e promover a autossuficiência energética americana. Desde então houve um significativo crescimento das inovações e investimentos no setor de energia. Junto à criação do DOE, o Ato de Segurança Energética (em 1980) lançou medidas e programas de incentivos à eficiência e conservação energética, além de combustíveis alternativos. Nesse período, foram desenvolvidas 139 novas fontes de energia alternativas ou não convencionais, dentre elas o shale gas.

No Brasil, a construção da Petrobras foi resultado da convergência de interesses de forças sociais, políticas, econômicas, civis e militares que desaguaram na campanha “O petróleo é nosso” (em 1953). Quem conhece a história da indústria no Brasil sabe que, em um primeiro momento, a assessoria econômica de Getúlio Vargas propôs a criação de uma empresa petrolífera formada por capital privado. No entanto, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, nos EUA, nessas plagas não tivemos nenhum J. D. Rockefeller verde-amarelo disposto a desbravar uma frente com riscos elevados e retornos incertos.

Sendo assim, se impôs a necessidade de formação de uma empresa estatal. Mais ainda, ao contrário do que ocorreu em outros países do Oriente Médio, onde a presença de petróleo se sabia certa, e, portanto, a consolidação da atividade de exploração e produção (E&P) era mais segura, no Brasil o desafio primeiro passou pela busca de autossuficiência em derivados e refinados, para só depois o país se lançar diante de atividades de E&P absolutamente incertas. Esse risco foi assumido pelo Estado e por uma empresa estatal, com o apoio de trabalhadores e de uma sociedade vibrante, prova disso é que nessa mesma época pulsavam movimentos pela educação popular e pela saúde pública, hoje infelizmente esquecidos pela memória curto-prazista de liberais provincianos.

A Petrobras não foi criada apenas por ousadia do poder público, mas também por timidez da iniciativa privada. Aqueles que hoje reivindicam a privatização da Petrobras demandam os retornos da concorrência depois que o mercado já foi constituído, difícil mesmo é assumir os riscos empresariais quando o mercado ainda está em constituição. Se o empresariado brasileiro se constrangeu diante das atividades de prospecção de petróleo em terra, é impensável que tivesse o ímpeto de se lançar no desbravamento da descoberta de petróleo no mar, área em que a petrolífera brasileira encontrou sua vocação, desde o início da produção na Bacia de Campos (em 1977) até as descobertas em águas ultra-profundas do pré-sal (em 2007).

E isso não é uma especificidade do caso brasileiro: (i) porque quase 90% das reservas mundiais estão nas mãos de governos ou de estatais, que são também, responsáveis por grande parte da produção mundial e por suas descobertas; (ii) porque as áreas promissoras de exploração estão sob controle das estatais; (iii) porque as grandes reservas se localizam em países onde as estatais desempenham papel fundamental.

Infelizmente a visão subalterna sobre o Brasil produziu uma elite econômica e intelectual sempre disposta a culpar o povo pelas mazelas do país e sempre disponível para absolver os grupos dominantes de sua responsabilidade, tudo bem regado a uma idealização da história norte-americana e um profundo desconhecimento da história brasileira. O desenvolvimento econômico, industrial, científico e tecnológico, tanto lá quanto cá, contou com o apoio e o investimento estatal, seja por meio, por exemplo, das compras públicas no caso do complexo militar-econômico dos EUA, seja por meio de políticas de conteúdo local na estrutura empresarial-industrial do Brasil.

No entanto, há ainda em pleno século XXI quem queira enquadrar a economia brasileira dentro de uma ideia frágil de patrimonialismo, como se a mistura entre as esferas pública e privada fosse uma singularidade brasileira e não uma característica da economia de mercado em geral. Apenas para ficarmos no período mais recente, nos EUA o Departamento de Estado dos governos Bush e Trump foi ocupado por figuras ligadas à indústria petrolífera, Condoleezaa Rice oriunda da Chevron e Rex Tillerson ligado à ExxonMobbil utilizaram os seus cargos públicos para arbitrar em favor de interesses petrolíferos privados inúmeras vezes, o mesmo se deu com o próprio vice-presidente Dick Cheney que utilizou sua influência para beneficiar empresas como a Halliburton, para não mencionar as diversas revelações de lobby, corrupção e tráfico de influência que vieram à lume com as divulgações feitas por Julian Assange ou Edward Snowden.

A despeito de todas as evidências há no Brasil quem insista em tratar a relação entre indústria petrolífera e corrupção como uma especificidade local. A questão não é o patrimonialismo, o problema “é o liberalismo, estúpido!” que se deixa seduzir pela falsa livre-concorrência dos países centrais e se curva de cócoras para a criminalização da política industrial e para o desmonte da indústria nacional em países periféricos.

Sem a Petrobras não haveria campos do pré-sal, refinarias, infraestrutura e logística de gás dentre tantas outras frentes do setor energético, sem a petrolífera brasileira o que há é desindustrialização, apagões em regiões do país, preços proibitivos de combustíveis e gás, por isso se trata de uma empresa estratégica. Nem a quebra do monopólio da petrolífera brasileira em 1997 serviu para que empresas privadas fizessem investimentos novos nos montantes exigidos por um país com as dimensões do Brasil. O que os apologetas da privatização desejam não é a livre-competição, mas sim o desmonte da petrolífera brasileira para que possam construir seus oligopólios privados.

Se aos olhos dos neoliberais a Petrobras parece sofrer de gigantismo talvez isso digo menos sobre o tamanho da empresa brasileira e mais sobre o nanismo de setores que insistem em tratar o país não como Nação, mas como negócio.


William Nozaki é coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

Rodrigo Leão é coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), pesquisador do Núcleo de Estudos Conjunturais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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A Petrobras apresentou à FUP nesta sexta-feira, 15, um programa de realocação interna para trabalhadores das unidades que estão sendo privatizadas, fechadas e hibernadas. O RH informou que as transferências serão feitas através de seleção interna e realocação direcionada, sendo também oferecido aos trabalhadores a opção de adesão ao Programa de Desligamento Voluntário Específico (PDVE) ou ao Plano de Desligamento por Acordo (PDA), cada um com suas especificidades.

“Mais uma vez, o RH da Petrobrás está à reboque das decisões da gestão entreguista de Castello Branco, que vai cumprindo à risca o plano do governo Bolsonaro e de Paulo Guedes de privatizar a Petrobras a toque de caixa. Sem qualquer tipo de planejamento ou negociação com os sindicatos, o RH construiu às pressas um plano de transferência de trabalhadores, sem levar em consideração questões importantíssimas, como a segurança operacional, transferindo pessoas das unidades à venda para outras, criando uma situação de risco grave e eminente de acidentes ampliados de processo”, alertou o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Os trabalhadores alertaram a gestão da Petrobrás para a iminência de uma tragédia nas unidades operacionais da empresa, que já passam por graves problemas de segurança, em função dos efetivos reduzidos. Os dirigentes dos sindicatos que participaram da reunião denunciaram rotinas de dobras de 24 horas nas refinarias, acúmulos de funções, terceirização de atividades fins sem o devido treinamento, entre outras situações de risco a que os trabalhadores estão expostos.

Apesar do RH não revelar o número de trabalhadores que serão mobilizados pelos programas de realocação e desligamentos, o próprio presidente da empresa declarou recentemente que pretende terminar 2022 com apenas 34 mil trabalhadores, ou seja, menos 10 mil dos atuais 44.300 petroleiros e petroleiras que atuam na holding.

Desde 2014, o número de empregados que deixaram a Petrobrás através de planos de desligamentos ultrapassa 20 mil. O efetivo da empresa já caiu à metade do que era em 2013.  Só no PIDV 2019, foram inscritos 9.405 trabalhadores. De janeiro de 2019 até setembro de 2020, cerca de 4.500 petroleiros já haviam deixado a empresa.

O resultado desse desmonte é o aumento da insegurança, principalmente, nas unidades que foram colocada à venda. “Estamos sob a iminência de um grande acidente industrial ampliado, de proporções inimagináveis. Os trabalhadores das refinarias estão diariamente expostos a uma bomba relógio, assim como as comunidades do entorno e o meio ambiente. Com a redução de efetivos que já estão abaixo do quadro mínimo, a situação ficará cada vez mais insustentável”, alerta o Deyvid.

[Imprensa da FUP | Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil]

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A mobilização será virtual e nas unidades do BB. Objetivo é falar sobre os impactos negativos do plano do governo de Bolsonaro e dialogar com clientes e a população. Greves e paralisações não estão descartadas

[Da CUT]

Um ato nacional de “esquenta” para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil (BB) contra a reestruturação anunciada pela estatal nesta semana, que fechará 361 unidades, entre agências e postos de atendimento, e demitirá cerca de 5 mil pessoas no país, em plena pandemia, está marcado para esta sexta-feira (15). Paralisações e greves não estão descartadas.

Vestida de preto, a categoria vai protestar para demonstrar o descontentamento com esta medida do presidente Jair Bolsonaro ( ex-PSL) e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. A ideia é que este seja o primeiro passo da luta contra a reestruturação, informam  sindicatos da Contraf-CUT. Outro ato já está sendo articulado no dia 21 ( quinta) para pressionar o banco a rever sua posição.

“É um esquenta para as mobilizações, porque ao fechar as agências e diminuir trabalhadores,  a população ficará mal assistida e o país tem menos chance de ter um desenvolvimento real. Fora o fim do papel social do banco. E ainda vai começar a favorecer os mais privilegiados e parar de atender as micro e pequenas empresas, o agricultor e o trabalhador e passo a virar um espaço elitizado”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários do ABC, Otoni Pedro de Lima, e  trabalhador do Banco do Brasil.

Atos pelo Brasil

Como a categoria é nacional e em cada canto deste país tem uma realidade diferente, cada sindicato está organizando sua atividade. No ABC, vai ter intervenção em algumas agências, com paralisações parciais e reuniões nos locais de trabalho. Os trabalhadores e as trabalhadores que estão em home office, poderão contribuir com o tuitaço, que também acontece nesta sexta, a partir das 11h com a hashtag #MeuBBvalemais.

“A mobilização contra a reestruturação não tem dia para acabar, serão plenárias digitais e reuniões permanentes por agência, por cargo. Os bancários estão se mobilizando no mundo digital. A organização no local de trabalho agora também tem nos grupos de Whatsapp e Telegram e em rede nacional. É importante que estejamos unidos neste momento para manifestar nossa indignação”, afirma Otoni.

A manifestação está sendo organizada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos.

BB trai seu trabalhador  

Mesmo com crescimento no lucro líquido e na receita de tarifas, 2016 a 2019, o banco fez uma reestruturação de quadros, de 2016 até o terceiro trimestre de 2020. O número de funcionários caiu de 109.864 para 92.106, uma redução relativa de 16%. No mesmo período, o número de agências foi reduzido de 5.428 para 4.370, uma redução de 19%.

Além disso, excluiu funções e criou uma relação com alguns trabalhadores com formato de um contrato intermitente. O caixa, por exemplo, deixou de existir no BB e se alguém precise ocupar esta função em algum momento o banco paga por tempo de trabalho. “E a tendência é que isso se repita em outras funções”, diz Otoni.

De acordo com ele, a categoria está se sentindo traída por ter sido considerada essencial na pandemia, trabalhou correndo risco de vida e está vendo a reestruturação como um pagamento injusto pelo esforço. Os bancários e bancárias estão mobilizados porque estão apreensivos com o que pode acontecer com eles. Mesmo quem não foi impactado ainda, está junto na luta.    

 “A gente sabe que o desmonte que estão fazendo no BB é um projeto para a privatização. Bolsonaro e Guedes trabalham para os banqueiros e não querem que tenha um BB no país para atrapalhar os lucros dos amigos. Precisamos conversar com a população para que entendam os prejuízos e venham lutar com a gente”, critica o dirigente.

Serviço:

Tuitaço: hashtag: #MeuBBvalemais

A partir das 11h

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Gestão Castello Branco ignora Conteúdo Local para P78 e P79, que serão instaladas no campo de Búzios, no Rio de Janeiro

[Imprensa do Sindipetro Unificado SP com informações do Brasil 247 | Foto: Divulgação/Petrobras]

A construção das plataformas P78 e P79 da Petrobrás para o campo de Búzios litoral do Rio de Janeiro deve ocorrer em Singapura. As unidades terão a capacidade de processar diariamente 180 mil barris de óleo e 7,2 milhões de metros cúbicos de gás cada uma.

A expectativa é que entrem em operação em 2025 e que o processo de produção gere no país asiático em torno de oito mil empregos diretos e outros 80 mil indiretos.

Os números impactam um Brasil que atinge a marcar de 14 milhões de desempregados em meio a uma crise econômica que derrubou a produção industrial em todo o país. Ao longo de 2020, a produção industrial caiu 8%.

Ao abrir mão de priorizar o conteúdo local, proporção de investimentos nacionais aplicados na produção, a gestão Castello Branco à frente da Petrobrás também deixa de absorver mão-de-obra, fomentar o desenvolvimento e alimentar a economia regional.

Caso optasse por priorizar a produção no Brasil, o estaleiro Keepfells, em Angra dos Reis, que já contou com sete mil trabalhadores e atualmente possui apenas mil e quinhentos, estaria apto a fabricar as plataformas, assim como o Isibras, ambos no Rio de Janeiro.

A opção exclusivamente pelo preço, sem uma estratégia de desenvolvimento nacional, é mais um duro golpe à indústria naval que viu, em novembro de 2019, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) zerar o imposto de importação para a aquisição de embarcações destinadas à operação de cabotagem no país, projeto que será submetido à votação no Senado.

Condenação

A Petrobrás terá de indenizar o estaleiro Iesa Óleo e Gás em US$ 70 milhões. A medida foi estabelecida no último dia 4 em arbitragem no tribunal de Nova York. Os valores serão pagos pelas subsidiárias Tupi BV e Petrobras Netherlands.

Os valores referem-se ao cancelamento de uma encomenda de módulos para plataformas de petróleo realizada em 2014.

Leia também: Conteúdo local: a disputa para além do petróleo

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O diretor da FUP e secretário-geral do SINDIPETRO-RN, Pedro Lúcio, concedeu entrevista para RN2 da Intertv, sobre a venda de 3, dos 4 parques de energia eólica que a Petrobrás tinha participação no município de Guamaré. A matéria foi ao ar na segunda-feira, 11, e relatou os impactos dessa ação para os trabalhadores e no plano de investimentos da Estatal.

Para o dirigente a venda das usinas eólicas representa a saída da Petrobrás do seguimento de energias sustentáveis no Rio Grande do Norte. “A Petrobras está deixando de atender os interesses estratégicos do país no desenvolvimento de novas energias, pra atender unicamente os interesses de mercado”.

Na oportunidade, Pedro também alerta sobre a diminuição drástica nos postos de trabalho na área de petróleo e gás no RN. “Há quatro anos eram treze mil terceirizados ligados à Petrobrás no Estado, e dois mil e seis seiscentos concursados. Hoje são três mil terceirizados e pouco mais de novecentos concursados”, informa o diretor. 

 

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Para marcar os 160 anos da Caixa Econômica, trabalhadores do banco fazem nesta terça-feira (12) um ato contra a venda de setores, como as áreas de Seguridade e de Cartões e o futuro Banco Digital estruturado para o pagamento do auxílio emergencial. "Uma estratégia do governo para vender o banco aos pedaços", critica o presidente da Fenae, Sergio Takemoto

[Com informações do Brasil 247 e da Fenae]

A Caixa Econômica Federal completa 160 anos nesta terça-feira (12) e, para marcar a data, trabalhadores do banco 100% público do país organizaram atos em defesa da instituição. O governo Jair Bolsonaro estuma privatizar a instituição, uma medida que fere a soberania nacional em favor da redução de investimentos, penalizando principalmente os mais pobres. A empresa chegou a ter 101,5 mil trabalhadores em 2014, mas tem 84,2 mil atualmente. O banco trabalha com a estimativa de desligamento de 7,2 mil trabalhadores por meio de Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Com a saída de 2,3 mil empregados no último PDV, o déficit de trabalhadores na Caixa se aproxima de 20 mil.

Às 12h, os bancários participaram da lavagem simbólica da frente da Matriz I da Caixa Econômica Federal, em Brasília. O ato foi em defesa do fortalecimento do papel social do banco e contra a venda de setores estratégicos da instituição, como as áreas de Seguridade e de Cartões e o futuro Banco Digital estruturado para o pagamento do auxílio emergencial e de outros benefícios sociais. 

"Uma estratégia do governo para vender o banco aos pedaços", criticou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto.

De acordo com o dirigente, "é preocupante o desligamento desses trabalhadores sem indicação do banco para a contratação de novos empregados". "Além de piorar as condições de trabalho, a falta de bancários pode prejudicar o atendimento à população; principalmente, neste contexto de pandemia", continuou. 

"Só na pandemia da covid-19, cerca de 120 milhões de pessoas foram atendidas pelo banco para o pagamento do auxílio emergencial e de outros benefícios. Isto significa que, nesta crise, mais da metade da população carente vem contando com os serviços da Caixa, a estatal que está presente na vida dos brasileiros desde 12 de janeiro de 1861", acrescentou.

Além da Fenae, as mobilizações desta terça também são coordenadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e contam com o apoio das 27 associações representativas dos trabalhadores da Caixa nos estados (Apcefs). As ações começaram às 11h por meio de um tuitaço com as hashtags #MexeuComACaixaMexeuComOBrasil e #PrivatizaNão.

Os trabalhadores também protestam contra a chamada "gestão pelo medo", em que denunciam pressão da empresa para adesão a Programas de Desligamento Voluntário (PDVs), reestruturação do banco sem diálogo com os empregados, jornadas exaustivas, condições de trabalho inadequadas para o home office e cobrança de metas consideradas abusivas no contexto da pandemia. 

No tuitaço, também foram usadas as hashtags #MetaDesumanaÉCrime, #MetaDesumanaÉExploração e #MenosMetasMaisContratação.

Dados

Atualmente, a Caixa Econômica Federal tem 54 mil pontos de atendimento no país. São 4,2 mil agências e postos, 8,6 mil correspondentes bancários, 12,9 mil lotéricos e 28,3 mil caixas eletrônicos (ATM’s). Além disso, a Caixa é o único banco que chega aos locais mais remotos por meio de oito unidades-caminhão e duas agências-barco na Região Amazônica.

De acordo com o banco, a Caixa contabiliza 145,4 milhões de correntistas e poupadores, sendo 143,1 milhões de pessoas físicas e 2,3 milhões de pessoas jurídicas.

Leia aqui a entrevista na íntegra com o presidente da Fenae.

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Plano prevê fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público

[Com informações da Contraf/CUT]

A direção do Banco do Brasil pregou uma triste surpresa para seus funcionários e as entidades sindicais ao anunciar na segunda-feira (11) um plano de restruturação que prevê o fechamento de fechar agencias e outras unidades, além de um Plano de Demissões Voluntários (PDV) que tem por meta dispensar 5 mil trabalhadores do banco, entre outras medidas consideradas muito ruins.

O plano prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Também estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização e 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios. O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos.

O banco também quer fazer mudanças no atual modelo e remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver.

“Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje, as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).

Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado para não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga.

Participaram da reunião desta segunda-feira vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. O plano de restruturação foi considerado um ataque à categoria e pode causar, na prática, a redução do papel do Banco do Brasil como banco público, com o fechamento de agências em diversas cidades do país. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do (Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a CEBB orientam os sindicatos a fazerem reunião para saber o impacto do plano nas suas bases e repasses essas informações para as federações. A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira (13) para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

"Tem que vender essa porra logo"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia sinalizado sua intenção de privatizar o Basnco do Brasil.  Em reunião ministerial no dia 22 de abril do ano passado, ele foi taxativo: “O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”.

Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendia que o governo aproveitasse a preocupação geral com a pandemia para passar a “boiada” do desmonte do Estado. Paulo Guedes tomou carona na fala do ministro e abriu o verbo: “É um caso pronto e a gente não tá dando esse passo (…) Então tem que vender essa porra logo”, se referindo ao BB.

Publicado em Economia

Em entrevista à TV 247 nesta segunda-feira, 11, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, falou sobre o acelerado processo de desmonte do Sistema Petrobrás e as perspectivas para 2021. “Como sabem, o movimento petroleiro sempre esteve na luta e agora, mais que nunca, precisamos mobilizar todos os setores. Teremos novas paralisações em 2021, como uma greve já aprovada na Bahia para deter a privatização da Rlam e outras mobilizações que a categoria petroleira aprovou em dezembro. Mas é obvio que sozinhos não conseguiremos impedir as privatizações".

"Precisaremos do apoio e da participação de outras categorias, como os trabalhadores de todas as empresas públicas e estatais que também estão sendo desmontadas pelo atual governo. Mas, principalmente, precisamos que a sociedade brasileira, que já se posicionou contra as privatizações em inúmeras pesquisas de opinião, comece a se indignar contra o que está acontecendo. Precisamos de todos e todas nessa luta contra o desmonte do estado brasileiro executado a toque de caixa por este governo entreguista”, destacou o sindicalista.

Veja os principais trechos da entrevista e assista abaixo a íntegra:

“Sem dúvida alguma, esse ano de 2021 traz uma série de desafios no cenário nacional e em relação à Petrobras. A gestão atual da empresa, comandada por Castello Branco, divulgou um novo plano estratégico para o período de 2021-2025, que sinaliza a ampliação das privatizações e redução ainda maior dos investimentos”.

“Para se ter uma ideia, ao longo dos últimos anos, os investimentos da Petrobrás giraram em torno de 75 bilhões de dólares por ano. Com o novo plano, sofrerá uma redução para algo em próximo a 55 bilhões de dólares/ano. A maior parte dos investimentos será focada no pré-sal, em atividades no eixo Rio-São Paulo”.

“A despeito das necessidades ambientais do planeta, a Petrobrás sinaliza investimentos pífios na transição energética, na contramão do que está sendo feito por outras petrolíferas em todo o mundo. A empresa destinou apenas 1,8% de seus investimentos para energia limpa, enquanto, a Total, petrolífera francesa que também atua no Brasil, investirá 15%, por exemplo”.

“A gestão atual já sinalizou que quer vender absolutamente tudo o que a Petrobrás tem nas regiões Norte, Nordeste, Sul e em parte do Sudeste, onde pretende manter apenas operações no eixo Rio-São Paulo. Os investimentos ambientais previstos no plano de negócios, portanto, serão voltados para esses ativos no eixo Rio-SP, onde até poderá ter certos controles para reduzir impactos ambientais. O restante da empresa, no entanto, ficará a cargo de quem comprar. Que isso fique claro para a sociedade brasileira e também para os investidores”.

“A intenção da gestão Castello Branco é vender até o final de 2021 todas as oito refinarias anunciadas no plano de privatização. Nós continuaremos resistindo, como já estamos fazendo há anos, com mobilizações, interlocuções com os poderes legislativos e executivos dos estados e municípios afetados, além de inúmeras ações judiciais”.

“A venda das refinarias vai criar monopólios privados regionais, que deixarão a população refém do capital internacional, que vai praticar preços mais altos do que os que já estão sendo pagos pelo consumidor, além de colocar o país em risco de desabastecimento. Não somos só nós que estamos dizendo isso, são estudos técnicos do Ineep e da PUC Rio”.

“Por conta da política de preço de paridade de importação (implementada logo após o golpe de 2016), o aumento descontrolado de derivados, como o gás natural e o diesel, inviabilizam setores estratégicos da economia, além de afetar massivamente a população, como é o caso do gás de cozinha”.

“Por conta do desmonte do Sistema Petrobrás, os efetivos próprios e terceirizados foram reduzidos de forma assustadora. Os PDVs reduziram à metade o quadro de trabalhadores próprios, onde éramos mais de 80 mil em todo o Sistema e hoje somos 46 mil na Petrobras. No caso dos terceirizados, nós caímos de 430 mil trabalhadores para cerca de 100 mil trabalhadores. Esses trabalhadores foram sumariamente demitidos. Se ampliarmos para a cadeia produtiva que a Petrobrás engloba, esses números ultrapassam 2 milhões de trabalhadores afetados pelo desmonte da empresa e pela desindustrialização”.

“Iniciamos o ano de 2020 com uma grande greve nacional, que marcou a história não só da categoria petroleira, como da classe trabalhadora brasileira, principalmente, nesse cenário de autoritarismo”.

“Em 2021, teremos novas paralisações, como uma greve já aprovada na Bahia para deter a privatização da Rlam e outras mobilizações que a categoria petroleira aprovou em dezembro. Mas é obvio que sozinhos não conseguiremos impedir as privatizações. Precisaremos do apoio e da participação de outras categorias, como os trabalhadores de todas as empresas públicas e estatais que também estão sendo desmontadas pelo atual governo. Mas, principalmente, precisamos que a sociedade brasileira, que já se posicionou contra as privatizações em inúmeras pesquisas de opinião, comece a se indignar contra o que está acontecendo”.

“Acreditamos que no final da pandemia, com a vacina que virá, haverá grandes manifestações de rua em todo o Brasil e, com certeza, a FUP e os seus sindicatos estarão juntos em todas estas lutas”. 

[Imprensa da FUP, com informações da TV 247]

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Não é novidade que o Governo Federal brasileiro segue uma agenda privatista. Mas uma coisa é certa, esse caminho não está dando resultado em nenhum lugar do mundo 

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Levantamento realizado pela entidade holandesa Transnational Institute (TNI) em 58 países revela reestatização de 924 serviços privados e criação de 483 novos serviços públicos. Os dados estão presentes no ebook “O Futuro é Público pela Propriedade Democrática dos Serviços Públicos”, que teve edição brasileira publicada pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e pela FENAE - Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal. 

O que chamou atenção é a posição dos Estados Unidos, em segundo lugar entre as cinco nações que mais reestatizaram (220). O ranking tem a Alemanha no topo (411), seguida pelos norte-americanos, depois França (156), Espanha (119) e Reino Unido com 110. A pesquisa também mostra que nas últimas décadas centenas de empresas foram remunicipalizadas ou renacionalizadas pelo mundo. 

Para o presidente do Sindipetro PR e SC, Alexandro Guilherme Jorge, a privataria trará resultados desastrosos para o país e é necessário proteger o patrimônio nacional. “As principais nações estão dando o exemplo. O governo não deveria nem cogitar abrir mão do refino, por exemplo, pois compromete a política de preços dos combustíveis e do gás de cozinha, derivados do petróleo que seguem em constante aumento”. 

Sucatear a Petrobrás prejudica os brasileiros. Privatizar faz mal ao país.  

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.