Os petroleiros das plataformas de P-48 e P-62 andam inseguros com a informação de que a Petrobrás solicitou um estudo prévio sobre a terceirização das operações das unidades. Em nenhum momento o Sindipetro-NF foi consultado pela empresa, mas diante da informação absurda e o contato que tem mantido com os trabalhadores, procurou o RH da empresa para mais informações.

A gerência por sua vez usou um discurso superficial e disse que a terceirização está em fase de projeto piloto e que o intuito não é de economizar. Na visão do sindicato, o intuito dessa gestão bolsonarista é como eles próprios dizem: “passar a boiada” e colocar a empresa em situação de terra arrasada.

“Ja visitei empresas de petróleo como a Modec, SBM e BW e todas elas mantem sua área operacional com 100% de pessoal próprio. É um absurdo o que esses entreguistas estão fazendo com a Petrobrás. Não se terceiriza a operação de uma unidade ou embarcação!” – afirma o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

O Sindipetro-NF irá solicitar uma reunião emergencial e oficial com a gestão da Petrobrás para esclarecer os fatos e já se reuniu com a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Companhia, Rosângela Buzanelli, para que isso também seja colocado em reunião do Conselho. Também pretende realizar reuniões setoriais com os trabalhadores dessas unidades para definir estratégias de atuação, já que a empresa deu seis meses para que sejam transferidos.

A direção do Sindipetro-NF convoca a categoria petroleira a entrar nessa luta em defesa da empresa e dos seus empregos. Não adianta num momento como esse apenas os diretores do sindicato fazerem algo. É importante que todos percebam que sindicato e categoria estão do mesmo lado e que o maior inimigo é o governo que quer acabar com tudo.

Na Bacia de Campos, já foram vendidas diversas unidades. “Estamos em choque com a capacidade de essa gestão fascista tem de querer destruir tudo que a Petrobrás e os governos anteriores construíram. Só reafirmo que a categoria petroleira não aceitará esse ataque de braços cruzados. Vamos reagir!” – afirma Tezeu Bezerra.


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[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Petroleiros baianos realizaram uma paralisação de quatro horas na manhã desta quarta-feira, 10, em protesto contra a venda da Rlam. Mobilização foi "esquenta para a greve", que já está aprovada pela categoria e está sendo organizada pelo Sindipetro Bahia, junto com os trabalhadores

[Com informações da imprensa Sindipetro Bahia e do Ineep | Fotos: Pedro Henrique Caldas]

O Trevo da Resistência, via de acesso à Refinaria Landulpho Alves (Rlam), no município de São Francisco do Conde, na Bahia – palco de grandes manifestações da categoria petroleira -, foi tomado por milhares de trabalhadores na manhã dessa quarta (10). Em protesto à venda da Rlam, anunciada pela direção da Petrobrás, petroleiros do turno, do administrativo e também trabalhadores terceirizados cruzaram os braços, atrasando em quatro horas a entrada no expediente.

“A manifestação, organizada pelo Sindipetro Bahia, foi uma prévia do que podemos esperar para a greve, já aprovada, e que deve começar a qualquer momento. Tivemos uma grande participação da categoria – cerca de 1.500 pessoas – e isso foi muito importante, pois mostra a disposição para a luta e a unidade dos petroleiros”, afirmou o coordenador do Sindipetro, Jairo Batista.

Também marcaram presença no ato, representantes de diversas entidades sindicais como a APUB, UEB, UNE, CTB, Sitticcan, UJS, MPJ Disparada e Unegro. Além do coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, do vice-presidente da CUT Bahia, Leonardo Urpia e do metalúrgico e diretor da CTB, Aurino Pedreira.

O deputado federal Joseildo Ramos e o deputado estadual Rosemberg Pinto (ambos do PT) declararam total apoio à luta dos petroleiros e ressaltaram a importância da Refinaria Landullpho Alves para a economia da Bahia.

Primeira refinaria do Sistema Petrobrás e segunda do país em capacidade de processamento, a Landulpho Alves tem hoje cerca de 900 trabalhadores próprios e aproximadamente 1.700 terceirizados, que se dizem revoltados com a venda da refinaria, além de estarem apreensivos em relação ao que os aguarda em um futuro próximo, ou seja, “o desemprego e a retirada de direitos”.

O Sindipetro Bahia e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) há anos vêm realizando ofensivas nas áreas jurídica, sindical e politica para evitar a venda da Rlam e das outras unidades do Sistema Petrobrás. “Somos contra a privatização da Petrobrás por uma questão de soberania, de preservação do bem estar da população brasileira que não aguenta mais pagar valores altíssimos pelo gás de cozinha, diesel e gasolina. A Petrobrás não pode ser vendida e muito menos entregue a preço de banana como vem acontecendo. A Rlam, por exemplo, de acordo com cálculos divulgados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), vale entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões e está sendo entregue por US$ 1,65 bilhão”, denuncia o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

O diretor de comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa, afirmou que o sindicato vai continuar resistindo e lutando para defender os interesses da Petrobrás, do povo brasileiro e da categoria petroleira. Ele também lembrou da importância da Rlam para a economia da Bahia e de diversos municípios que dependem dos royalties, ISS e ICMS pagos pela refinaria. “Em seus 70 anos, a Rlam alavancou o desenvolvimento econômico e industrial da Bahia, contribuindo para a ascensão social de muitos trabalhadores de diversas categorias. Sua operação também possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia”.

Greve

Os petroleiros se preparam agora para dar início à greve já aprovada em assembleia. O movimento paredista em defesa dos empregos, dos direitos e da soberania, está sendo organizado através de setoriais que acontecem na quinta (11) e sexta(12), quando a categoria dará sugestões sobre a melhor forma de conduzir a greve.

Já no sábado (13), acontece o Seminário de Qualificação de Greve, quando a diretoria do Sindipetro e a categoria analisam as sugestões, organizam e escolhem o melhor dia para dar iniciar ao movimento paredista. Em seguida, a diretoria do Sindipetro irá notificar a Petrobrás com antecedência de 72 horas do início da greve, como determina a lei.

Venda pela metade do preço

O valor da venda da RLAM comprova que a privatização da unidade está sendo feita a perço de banana, num momento de crise econômica global. Segundo cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base no método de fluxo de caixa descontado, o valor da refinaria estaria avaliado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. No enanto, a Rlam foi vendida pela metade deste valor.

“A RLAM está sendo vendida a preço de banana. Só em hidrotratamento, a refinaria recebeu investimentos de R$ 6 bilhões nos últimos dez anos, mas está sendo vendida por pouco mais que isso, num momento economicamente ruim em todo o mundo. E não é apenas a planta de refino que está sendo vendida a preço de banana, mas toda a infraestrutura de armazenamento e escoamento da RLAM. São quase 700 quilômetros de dutos, fora os tanques de armazenagem. É um péssimo negócio para a Petrobrás, para a Bahia, para o Nordeste e para todo o Brasil”, aponta Bacelar.

Junto com a refinaria, estão sendo vendidos para o Fundo Mubadala 669 quilômetros de oleodutos, que ligam a RLAM ao Complexo Petroquímico de Camaçari e ao Terminal de Madre de Deus, que também está sendo vendido no pacote, junto com outros três terminais da Bahia – Candeias, Jequié e Itabuna.

Além disso, desde o ano passado a FUP e seus sindicatos vem denunciando que a venda da RLAM vai criar um monopólio regional no estado e em toda a região Nordeste, com combustíveis mais caros e risco de desabastecimento para os consumidores. Tal problema foi constatado por estudo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, encomendado pela Associação das Distribuidoras de Combustíveis – Brasilcom, que avaliou ainda outras cinco refinarias que estão à venda e indicou o mesmo risco para todas as plantas.

Empregos em risco

A venda da RLAM ainda causa incertezas para quem trabalha na unidade. Atualmente, a refinaria conta com 900 trabalhadores próprios da Petrobrás e cerca de 1.700 trabalhadores terceirizados.

“Os mais afetados serão os trabalhadores terceirizados. Esses devem perder seus empregos e poucos serão recontratados. Os funcionários concursados serão transferidos para outros estados ou devem aderir ao Plano de Demissão Voluntária oferecido pela Petrobrás, mesmo sem ter tempo suficiente para aposentadoria. Será um grande baque para todos, inclusive com a fuga de capital para outros estados”, lamenta Radiovaldo Costa, diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia.

Deyvid Bacelar, da FUP, ressalta a importância e o papel estratégico da refinaria na cadeia produtiva da Petrobrás. “A RLAM é responsável pela produção de 30% de todo óleo combustível e óleo bunker que está sendo exportado pela Petrobrás e vem desempenhando um papel crucial para garantir a flexibilidade e resiliência da companhia nesse momento conturbado de pandemia”, explica.

História

Primeira refinaria da Petrobrás, a RLAM foi criada em 1950, antes mesmo da fundação da empresa, em outubro de 1953, e foi impulsionada pela descoberta do petróleo na Bahia, a partir do campo de Candeias, e pelo sonho de uma nação independente em energia.

Sua operação possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Petroquímico de Camaçari.

Na RLAM, são refinados, diariamente, 31 tipos de produtos, das mais diversas formas. Além dos conhecidos GLP, gasolina, diesel e lubrificantes, a refinaria é a única produtora nacional de food grade, uma parafina de teor alimentício, utilizada para fabricação de chocolates, chicletes, entre outros, e de n-parafinas, derivado utilizado como matéria-prima na produção de detergentes biodegradáveis.

Segunda maior refinaria do país em capacidade de processamento – são 323 mil barris diários –, a RLAM tem posição estratégica, pois sua localização é próxima a um terminal marítimo. Em 2018, a refinaria foi responsável por 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) baiano e por 20% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do estado.

Ao longo dos 70 anos de seu funcionamento, a refinaria foi ampliada e recebeu bilhões de reais em investimentos, chegando a ser responsável pela produção de 30% da demanda do país e garantindo hoje o abastecimento da Bahia e outros estados do Nordeste.

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Venda da RLAM é o início de um monopólio privado, cuja conta cairá no colo do consumidor

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Publicado em Petrobrás Fica

No dia primeiro de fevereiro, a Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia (SEDDM) divulgou um documento intitulado Relatório de Benefícios das Empresas Estatais Federais, que, sem qualquer consistência metodológica, trata como privilégio salários e supostas vantagens de profissionais que trabalham em empresas estatais controladas pelo governo federal, entre elas a Petrobrás. 

Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira, 05, a Federação Única dos Petroleiros repudia veementemente o documento elaborado pelo governo Bolsonaro. "Sem consistência metodológica, o levantamento não utiliza os mesmos critérios para todas as empresas que supostamente analisa, variando conforme a estatal, o que indica a clara intenção de confundir a opinião pública. Além da completa ausência de uma metodologia precisa, o ‘relatório’ também não informa o período de aplicabilidade dos benefícios recebidos pelos trabalhadores", ressalta a FUP na nota divulgada pela entidade, cuja íntegra segue abaixo.

Essa não é a primeira vez que o governo Bolsonaro divulga informações distorcidas sobre salários dos trabalhadores de estatais, tentando confundir a opinião pública, com o objetivo de tentar justificar as privatizações e as medidas de desmonte do setor público. Em novembro do ano passado, o mesmo Ministério da Economia já havia divulgado um estudo com base no Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais (RAEEF), cujo teor não condiz com a realidade atual e ainda despreza o papel e a contribuição das estatais para o desenvolvimento do país. “O governo Bolsonaro desconsidera a importância das empresas estatais e públicas. São empresas que atuam em diversos setores e atividades de políticas públicas", afirmou na época o assessor da FUP e economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cloviomar Cararine. Leia a matéria aqui.

Posicionamento FUP: relatório Ministério da Economia 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade que reúne 13 sindicatos filiados em todas as regiões do país e representa mais de 100 mil trabalhadores do setor petróleo, repudia veementemente ‘relatório’ elaborado pelo Ministério da Economia que divulga valores de salários e supostas vantagens de profissionais que trabalham em empresas estatais controladas pelo governo federal, em especial, a Petrobrás. 

Sem consistência metodológica, o levantamento não utiliza os mesmos critérios para todas as empresas que supostamente analisa, variando conforme a estatal, o que indica a clara intenção de confundir a opinião pública. Além da completa ausência de uma metodologia precisa, o ‘relatório’ também não informa o período de aplicabilidade dos benefícios recebidos pelos trabalhadores. 

Somente por esses argumentos, o levantamento já não se sustenta. Mas, além disso, é importante observar que, como admite o próprio Ministério da Economia, os benefícios dos trabalhadores não são ilegais, porque são resultado de negociações em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Alguns temas pactuados, inclusive, prevalecem sobre a legislação, como estabelecido pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467, de 2017) defendida por vários integrantes do atual governo, e que valem tanto para estatais como para empresas privadas. 

Há benefícios históricos, que foram negociados pelas empresas e seus trabalhadores há 10 ou mais anos. Alguns foram obtidos no lugar do reajuste  salarial anual, ou mesmo por um percentual de aumento menor do que a inflação do período do acordo, ou ainda trocados por outros benefícios que existiam anteriormente. Novamente, é importante destacar que muitos benefícios citados também são comuns em grandes empresas privadas. A própria Petrobrás anunciou há alguns anos uma tentativa de equiparar salários e benefícios aos de outras petroleiras, a fim de reter talentos. 

Especificamente para os trabalhadores da Petrobrás, a maioria dos “benefícios” tem relação com o trabalho em condições inóspitas, insalubres e principalmente perigosas, inerentes às atividades em refinarias, terminais e plataformas de petróleo. Prova disso é o número de trabalhadores da Petrobrás que se mutilam, adoecem e morrem no trabalho. De acordo com relatórios de administração da Petrobrás e sindicatos filiados à FUP, a média anual na Petrobrás é de 15 mortes. Deste total, 81% são de terceirizados e 19% próprios. Entre 1995 até 2019 foram registrados 385 mortes, 73 trabalhadores diretos e 312 indiretos. O surto de contaminação pelo novo coronavírus na Petrobrás, por exemplo, atingiu quase 15% dos seus trabalhadores próprios desde março de 2020. Ou seja, quase cinco mil pessoas. 

Por fim, importante frisar que a Petrobrás não depende da União para pagar os salários e benefícios dos seus empregados. E que os trabalhadores da Petrobrás não têm estabilidade no emprego. No último Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), fechado em setembro de 2020, a Petrobrás se comprometeu a não demitir trabalhadores sem justa causa nos próximos dois anos, mas tal cláusula custou um reajuste salarial zero para a categoria. Além disso, seu estabelecimento foi motivado pela atual política da empresa de vender ativos em todo o país, o que poderia provocar o desligamento de trabalhadores que não pudessem ser transferidos para outras regiões de uma hora para outra.

Federação Única dos Petroleiros

 

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Após novas denúncias de descontos abusivos lançados pela Petrobrás nos contracheques do adiantamento do dia 10 dos salários benefícios dos aposentados e pensionistas, a FUP tornou a acionar a empresa, que admitiu erros no sistema e informou que irá corrigi-los. 

Em reunião com a Federação no dia 27 de janeiro, os representantes da Petrobrás na Comissão da AMS haviam se comprometido a suspender a cobrança em fevereiro de valores extraordinários referentes ao Benefício Farmácia. Isso, no entanto, não aconteceu, o que deixou aposentados e pensionistas desesperados com os descontos absurdos lançados pela empresa. Além disso, nos extratos de pagamento dos aposentados e pensionistas, não constam a devolução de 60% do valor que foi descontado em janeiro a título de saldo devedor do Benefício Farmácia. A empresa havia garantido que faria a devolução no pagamento do dia 10. 

Questionada pela FUP, a Petrobrás informou que corrigirá os problemas e que a Petros irá gerar uma segunda folha de pagamento no dia 10 para estornar o que foi descontado a mais e efetuar a devolução de 60% dos valores descontados em janeiro a título de saldo devedor do Benefício Farmácia. 

Os conselheiros deliberativos da Petros eleitos pela categoria, Norton Almeida e André Araújo, também vêm fazendo gestões junto à Fundação para minimizar o impacto dos descontos da AMS nos benefícios dos aposentados e pensionistas (veja o vídeo abaixo). No próximo dia 09, haverá uma reunião da FUP com o presidente da Petros, Bruno Dias.   

A FUP orienta os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos em seus contracheques a comunicar ao sindicato para que possa ser apurado de forma ampla junto à Comissão de AMS, que voltará a se reunir no dia 08, a pedido da Federação.

“A gestão bolsonarista da Petrobrás não dá trégua à categoria, com ameaças constantes de retirada de direitos e até mesmo da perda de conquistas históricas, como a AMS e a Petros. O objetivo é enfraquecer e dividir os trabalhadores, jogando uns contra os outros e também a sociedade contra nós. É o projeto ultraliberal de um governo de extrema direita que hoje dita as ordens na Petrobrás. Não nos intimidaremos, vamos seguir na luta, defendendo os direitos da categoria”, afirma o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

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[Imprensa da FUP | Imagem: Sindipetro-PR/SC]

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Nesta quinta-feira, 28, a diretoria do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense se reuniu com o presidente da Alerj, o Deputado André Ceciliano para tratar de questão pertinentes ao Norte Fluminense.

O tema emprego e renda foi um dos principais assuntos do encontro. Na ocasião, o diretor do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, apresentou uma carta com dados, que comprovam a redução de empregos na Bacia de Campos e os impactos que essa nova realidade pode trazer não só para a região como para todo o Estado do Rio de Janeiro.

“Tivemos uma reunião muito proveitosa, que envolveu vários assuntos, mas principalmente a questão do emprego e renda no Norte Fluminense. Demos o primeiro passo pra estreitar essa relação e o Deputado se mostrou disposto a contribuir, realizar audiências públicas para buscarmos melhorias para esse cenário, inclusive, com a participação dos prefeitos”, avaliou Tezeu.

O representante do Ineep, Rodrigo Leão, também aproveitou o momento para apresentar alguns dados importantes sobre o atual cenário. “Nós fizemos uma fala sobre o risco da saída da Petrobras da Bacia de Campos, que está desmontando toda a cadeia de Petróleo e gás. Os investimentos continuam caindo. E o Deputado se mostrou muito sensível a essa questão e afirmou que vai cobrar a Petrobrás e levar o assunto para ser debatido na Alerj”, comentou.

Também foram tratados temas como o desmonte da AMS e a pandemia de Covid-19 na Petrobrás, a troca da Petrobrás pelo Setor Privado na exploração de Petróleo na Bacia de Campos e a redução dos investimentos e os impactos para o Rio de Janeiro e em especial no Norte Fluminense.

Participaram da reunião o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, Carlos Takashi (Dieese), Rodrigo Leão (Ineep), Dr. Ricardo Garcia (Médico do Trabalho) e  Fábio Lima, (assessor da Veredas).

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Petrobrás Fica

[Última atualização às 20h]

Nesta segunda-feira, 01 de fevereiro, data em que as entidades representativas dos caminhoneiros convocaram uma paralisação nacional em protesto contra o alto custo do diesel e outras reivindicações da categoria, a FUP e seus sindicatos realizaram diversos atos pelo país afora, em apoio ao movimento e contra a política de reajuste dos derivados de petróleo imposta pela direção da Petrobrás. Desde 2016, as gestões neoliberais da empresa praticam o Preço de Paridade de Importação (PPI), que varia conforme o sobe e desce do valor do barril de petróleo no mercado internacional e as oscilações do dólar e dos custos de importação, o que faz com que os reajustes sejam frequentes e abusivos. 

Os petroleiros vêm denunciando há quatro anos esse disparate, que fez o preço do botijão de gás subir mais de 130% desde julho de 2017 e a gasolina e diesel sofrerem reajustes nas refinarias de 60% e 43%, respectivamente (saiba mais aqui). Já o preço do barril do petróleo aumentou 15,40% neste mesmo período e a inflação medida pelo INPC (IBGE) ficou em 15,02%.  “Por conta da política de preços da Petrobrás, estamos sofrendo com aumentos descontrolados dos derivados de petróleo, o que inviabiliza setores estratégicos da economia, além de afetar massivamente a população", alerta o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.  

Nesta segunda-feira, os sindicatos de petroleiros novamente foram às ruas protestar contra o PPI, que faz parte do processo de desmonte do Sistema Petrobrás. Em ações de solidariedade, a categoria subsidiou a distribuição de 1.150 botijões de gás, que foram doados ou vendidos pela metade do preço praticada pelas distribuidoras. As mobilizações ocorrem em regiões da periferia de Pernambuco, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Esteio (RS). Veja as fotos no final da matéria.

Em Vitória, no Espírito Santo, o Sindipetro realizou uma carreata com motoristas de aplicativos, que receberam vales para abastecimento de combustíveis. Ao todo, 100 motoristas receberam descontos limitados a 20 litros para carros e a 10 litros para motocicletas.

Em Salvador, também houve o mesmo tipo de ação com descontos no abastecimento de até 20 litros para 100 automóveis e 10 litros para 100 motocicletas, ao preço de R$ 3,00 o litro. Além disso, o Sindipetro distribuiu 230 botijões de gás no bairro de Pituaçu, ao preço de R$ 40,00, menos da metade do que as distribuidoras cobram na região.

Em Belo Horizonte, o sindicato subsidiou 100 botijões de gás para movimentos de luta pela moradia, sendo que 50 foram distribuídos pela manhã, na comunidade Pedreira Prado Lopes, e outros 50 foram distribuídos na parte da tarde, na região de Barreiro.

No Recife, além da doação de 50 botijões para famílias em vulnerabilidade social, o sindicato distribuiu 200 marmitas para os caminhoneiros, em parceria com o Projeto Mãos Solidárias do Armazém do Campo. 

Em Manaus, foram doadas 30 cestas básicas, e em Mossoró, no Rio Grande do Norte, os petroleiros realizaram um protesto contra o avanço da covid e as mais de 220 mil mortes pela doença, exigindo o afastamento do presidente Jair Bolsonaro. 

Ainda pela manhã, houve distribuição de mais 200 botijões de gás, ao custo de R$ 35,00, para as famílias em situação de vulnerabilidade social do Jardim São Bento, na região de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Aação foi realizada pelo Sindipetro-NF e pelo Sindipetro Duque de Caxias. Na Baixada Fluminense, foram distribuídas 100 cestas básicas e mil máscaras de proteção ao coronavírus, em ações organizadas pelos petroleiros.

Em Porto Alegre, a ação ocorreu no final da tarde, com distribuição de 100 botijões de gás, no município de Esteio, subsidiados pelo valor de R$ 35,00.

Em função da greve dos revendedores, o Sindipetro Unificado de São Paulo programou para esta terça, 02, e quarta-feira, 03, a distribuição de 200 botijões de gás nas comunidades do Grajaú e de São Miguel Paulista, na Grande São Paulo. 

Em Curitiba, a ação solidária dos petroleiros realizou recarga de gás para a cozinha comunitária do Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria). Também por conta da greve dos revendedores, a distribuição de 250 botijões de gás será realizada nos próxmos dias, com venda subsidiada para famílias de Araucária, por R$ 40,00 o botijão de 13 kg.

[Imprensa da FUP, com informações dos sindicatos |Fotos: Sindipetros]

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Publicado em Sistema Petrobrás

Trabalhadores cruzaram os braços nas agências de Norte a Sul do país. Adesão entre os caixas do banco atingiu cerca de 80% da categoria, que será a mais afetada com as demissões anunciadas pelo comando do BB

[Da imprensa da Contraf/CUT]

Nesta sexta-feira (29), agências, postos de atendimento, escritórios e outras unidades do Banco do Brasil pararam suas atividades contra o plano de reestruturação da direção da instituição. O movimento alcançou todo o país, em um sinal da rejeição por parte dos funcionários do plano de restruturação da direção do banco, que prevê 5 mil demissões e fechamento de centenas de agências, postos e escritórios do BB.

A paralisação ocorreu tanto nas capitais e grandes cidades, como em municípios do interior. Logo pela manhã foram registradas paralisações em cidades como Lagoa Santa (MG), Catanduva (SP), Divinópolis (MG), Passo Fundo (RS), Rolante (RS), Parobé (RS), Igrejinha (RS), Campina Grande (PB), Blumenau (SC), Rio Grande (RS), Macaé (RJ), Dourados (MS), Umuarama (PR), Assis Chateaubriand (PR), Cruzeiro do Oeste (PR), Campos de Goytacazes (RJ), Paranavaí (PR), Taubaté (SP), Olinda (PE), Paulista (PE), Igarassu (PE), Arcoverde (PE), Gravatá PE), Vitória de Santo Antão (PE), Apucarana (PR), Borborema (SP). Uberaba (MG), Mogi das Cruzes (SP) e Juiz de Fora (MG), Assis (SP), Cândido Mota (SP), Paraguaçu Paulista (SP) e Palmital (SP), Alta Floresta (MT), Sinop (MT), Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Pontes e Lacerda MT).

“A paralisação no dia de hoje foi muito boa. Muitos bancários entenderam a importância de cruzar os braços. Não foi uma paralisação contra o nosso trabalho, mas para cobrar respeito e dignidade por parte da direção do Banco do Brasil”, explicou o coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. Além da paralisação, houve também um tuitaço com a hashtag #MeuBBvalemais.

Negociação

Na semana que vem, será avaliada a mobilização e sua continuidade, caso a direção do Banco do Brasil se recuse a dialogar com seus funcionários sobre eventuais mudanças no banco. “A Comissão de Empresa vai se reunir na próxima semana, junto com o Comando Nacional, para avaliarmos como foram os atos no Brasil inteiro. Vamos montar um novo calendário de lutas caso o banco não nos chamar para a negociação. Não descartamos a possibilidade de greve dos funcionários do Banco do Brasil”, afirmou o coordenador da CEBB.

Para ver as fotos da paralisação desta sexta-feira, clique aqui.

Publicado em Trabalho

Desde o início da capitalização da empresa, no final de 2017, dívida bruta cresceu R$ 4,5 bilhões; no mesmo período, foram distribuídos R$ 5,88 bilhões aos acionistas em juros e dividendos

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP |Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil]

Um dos mantras dessa e das últimas gestões da Petrobrás é a necessidade de realizar privatizações para diminuir a dívida da empresa e, com isso, poder focar seus investimentos no pré-sal, em ativos que o atual presidente Roberto Castello Branco denomina como de “classe mundial”.

Diminuir a dívida foi, justamente, o argumento utilizado no processo de transferência da BR Distribuidora – maior do setor de distribuição de combustíveis do país – para a iniciativa privada. Em dezembro de 2017, a Petrobrás arrecadou R$ 5 bilhões ao oferecer 29% das ações da subsidiária ao mercado financeiro.


Leia também: Após um ano da privatização, diretoria da BR Distribuidora aumenta salário em 272%


Posteriormente, em julho de 2019, já durante o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a petroleira se desfez de mais 33,5% do capital que possuía, perdendo o controle acionário da empresa. Em agosto do ano passado, em plena pandemia, o Conselho de Administração da estatal aprovou a venda da participação remanescente de 37,5% na BR Distribuidora, ainda não concretizada.

Com isso, o Estado brasileiro abriu mão de uma rede de 7,7 mil postos de combustíveis, construídos com capilaridade em todo o território nacional ao longo dos últimos 50 anos. Após a privatização, a nova diretoria da empresa decidiu mudar a identidade da sua rede conveniada, mas manteve o nome “Petrobras”.

Dois pesos e duas medidas

A necessidade de diminuição da dívida da Petrobrás, o que justificaria a desestatização em curso, parece não se aplicar à lógica de empresas privadas. Isso porque a BR Distribuidora, desde o início da sua capitalização, aumentou sua dívida em R$ 4,5 bilhões.

De acordo com o Relatório de Referência, em dezembro de 2017 a dívida bruta da empresa era de R$ 4,73 bilhões. Já em setembro de 2020, data do último balanço disponibilizado, o valor estava em R$ 9,29 bilhões, um aumento de 96%.

No mesmo período, conforme apontado na área do site destinada aos investidores, foram pagos R$ 5,88 bilhões em juros e dividendos aos acionistas. Este montante ainda não inclui todos os repasses que serão realizados neste ano, referentes ao ano de 2020.

Este valor é semelhante ao lucro líquido obtido pela empresa no período. Em 2018, a BR obteve R$ 3,03 bilhões; em 2019, R$ 2,10 bilhões; e nos três primeiros trimestres de 2020, R$ 757 milhões; totalizando um lucro líquido de R$ 5,89 bilhões.

Contradição

Com a privatização, a nova diretoria da BR Distribuidora incorporou um discurso clássico no setor privado de diminuição de custos e otimização dos recursos humanos. Na prática, houve o desligamento de 962 trabalhadores por meio de “planos de demissão optativa”. O número de empregados caiu de 3.240, em 2017, para 2.278, em 2019.

Além disso, 1030 funcionários tiveram reduções salariais a partir de janeiro deste ano. Alguns cortes chegaram a 50% dos honorários mensais, limite estabelecido no Acordo Coletivo assinado em fevereiro, que contou com a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Por outro lado, como noticiado com exclusividade pela comunicação do Sindipetro-SP, no final do ano passado a diretoria da BR Distribuidora aumentou o próprio salário em 272%. Em média, os 17 administradores da empresa receberam cada um a quantia de R$ 3.054.146,05 ao longo de 2020, com gasto total de R$ 51.920.483,40.

Somente a diretoria estatutária, formada por cinco integrantes, foi responsável pelo gasto de R$ 41.012.483,40. Em média, cada membro recebeu 8.202.496,68 durante o ano, ou R$ 683 mil reais por mês.

Esse é o salário que Wilson Ferreira Junior receberá ao trocar a presidência da Eletrobrás pela BR Distribuidora. O executivo usou como justificativa para a sua saída o pouco empenho do Congresso Nacional para aprovar o processo de privatização da estatal de energia.

Entretanto, em termos pessoais, Ferreira Junior também será beneficiado, como noticiado pelo jornal O Globo. No ano passado, a Eletrobrás pagou para os sete membros da diretoria estatutária o valor de R$ 10,5 milhões. Com isso, o aumento médio do seu salário poderá chegar a 546%.

Publicado em Sistema Petrobrás

Grupo que controla os postos Ipiranga e a Ultragaz ganhou concorrência de compra da refinaria; economista alerta para possível aumento no preço dos combustíveis na região Sul

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Na última terça-feira (19), a Petrobrás anunciou a aprovação da proposta vinculante da Ultrapar Participações S.A. para a venda da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada no município de Canoas (RS). Além dela, a estatal está conduzindo a privatização de outras sete de um total de 13 unidades de refino que possui.

A Ultrapar também participa do processo de venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), situada no município de Araucária (PR). Entretanto, caso vença mais essa concorrência, precisará escolher qual das compras dará prosseguimento.

A Refap iniciou suas operações em 1968 e, ao longo dos anos, foi ampliando sua capacidade de processamento de derivados até chegar aos 32 mil metros cúbicos por dia, em 2010. Nesse mesmo ano, a Petrobrás readquiriu 30% da participação da unidade que havia sido vendida à Repsol em 2000, em troca de 700 postos de combustíveis que a empresa espanhola possuía na Argentina. 


Leia também: Petrobrás avança na venda ilegal de refinarias. Live vai debater Projeto de Lei contra privatizações


No ano passado, a Refap foi responsável por 7% de todos os derivados de petróleo processados no país, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os principais insumos produzidos foram diesel, gasolina, gás liquefeito de petróleo (GLP), óleo combustível, querosene de aviação e solventes.

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS), a refinaria possui cerca de 1200 trabalhadores, entre próprios e terceirizados. “O número de terceirizados foi previamente reduzido, por determinação da empresa. Os próprios só saíram por meio de plano de demissão voluntária. Como saíram muitos, agora falta gente para operar a refinaria”, relata o presidente da entidade, o petroleiro Fernando Costa Maia.

O sindicalista ainda ressalta a ansiedade coletiva provocada pela falta de informações e perspectivas de futuro para as pessoas que trabalham na refinaria. “A empresa [Petrobrás] fez uma apresentação na última semana dizendo que nenhum empregado próprio será demitido, e todos aqueles que não quiserem sair terão lugar garantido no Sistema, mas em outras unidades, fora do estado do Rio Grande do Sul. Até que ponto isso é verdade nós não sabemos”, admite Maia.

Possíveis riscos

Segundo o economista Cloviomar Cararine, assessor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), existe a possibilidade de que o grupo Ultra opte por manter alguns trabalhadores da Repar na operação da nova gestão da unidade, por não ser uma empresa especializada em refino. “Mas é importante lembrar que, se ocorrer, há riscos de perda na qualidade de serviços, segurança para os trabalhadores e até mesmo uma piora do produto final”, pondera.

Além dos riscos aos trabalhadores, as comunidades vizinhas à refinaria também ficam mais suscetíveis a acidentes. “Geralmente, em processos de privatização, ocorre uma redução de investimentos em saúde e segurança. Por isso, além dos petroleiros que sentirão uma piora na qualidade do emprego, a população no entorno da Repar passa a correr mais riscos, porque uma refinaria é uma bomba-relógio, precisa de bons investimentos e manutenção”, comenta o economista.

Monopólio privado

De acordo com estudo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a forma como o mercado de refino está constituído no Brasil tende à formação de monopólios regionais. Com a privatização, o monopólio que hoje está sob controle da Petrobrás passaria a ser privado e os preços dos combustíveis ditados pelos interesses de lucratividade dos futuros comprados. 

A análise coloca à prova a justificativa utilizada pelo Conselho de Defesa Econômica (Cade) para forçar um acordo com a Petrobrás, assinado em junho de 2019, para vender oito de suas 13 refinarias, com o objetivo de quebra de monopólio.

“A Refap é a principal fornecedora de derivados para o Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e uma parcela do oeste paranaense. Essa região não sofre influência de nenhuma outra refinaria, e isso acaba criando um mercado monopolizado. Por isso, com a privatização, ninguém vai conseguir importar porque não terá como descarregar derivados no Rio Grande do Sul, então a empresa compradora poderá praticar o preço que ela quiser”, explica Maia.

Cararine também endossa essa ideia de que uma única empresa privada no comando do refino do Rio Grande do Sul coloca a população à mercê do grupo comprador e dos valores que ele quiser praticar. “O aumento de preço dos derivados para o consumidor local depende da estratégia que o grupo Ultra irá adotar, que pode até apresentar valores mais baixos de início, mas que em determinado momento tentará recuperar esse lucro, porque esse é o objetivo de uma empresa privada: lucrar”, opina.

Transferência

O diretor sindical também chama atenção que o grupo Ultrapar é dono da rede Ipiranga, que controla 7,2 mil postos de combustíveis no país, o que poderia gerar uma espécie de cartel entre o refino e a distribuição. “A Abicom [Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis] questiona que a empresa pode fechar o mercado de venda de derivados para outras distribuidoras, o que dificultaria os demais participantes da distribuição e permitiria que a empresa compradora jogue o preço que ela quiser para o derivado”, pondera. 

Além do refino e da distribuição, a Ultrapar também controla a Ultragaz, responsável por aproximadamente 23% do mercado de revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP) no país. Em 2018, o grupo tentou comprar a Liquigás, distribuidora de gás da Petrobrás, mas foi impedido pelo Cade por formação de cartel. 

Segundo Cloviomar, o processo de venda da Refap já está em acordo com o Cade e a justificativa usada por parte da Petrobrás para privatizar a refinaria é contraditório. “É um absurdo a gestão da Petrobrás dizer que a venda da Refap aumentaria a concorrência no Rio Grande do Sul, seria apenas a troca do Estado por uma empresa que não tem compromisso nenhum com o abastecimento local”.

O pesquisador ainda lembra que, do ponto de vista econômico, esse é o pior cenário para a Petrobrás vender suas refinarias. “Com a redução do consumo provocada pela pandemia, o preço da unidade de refino fica muito abaixo do que realmente vale. Será muito difícil a Petrobrás conseguir vender suas refinarias por um bom preço, portanto, quem aproveita é o comprador”, finaliza.

Publicado em Petrobrás Fica

A representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, votou contra a venda das três usinas eólicas que a empresa detinha do Rio Grande do Norte e que tiveram a venda autorizada na última reunião do CA em 2020. Em seu site, ela explica porque votou contra a privatização

[Do site do mandatode Rosângela Buzanelli]

Em continuidade à sua vigorosa política de desinvestimento, a Petrobrás anunciou no começo deste ano a venda de três usinas eólicas do Rio Grande do Norte, a Mangue Seco 1, 3 e 4. A pauta foi debatida e aprovada na última reunião de 2020 do CA, em 16 de dezembro. Como conselheira, representante das trabalhadoras e dos trabalhadores da Petrobrás, eu votei contra essa venda. Considero que essa decisão vai na contramão da política de expansão da produção nacional de energia renovável e redução das emissões de carbono, cujo tema tem sido uma preocupação mundial.

O informe oficial da empresa sobre a negociação foi divulgado no dia 7 de janeiro deste ano. A Petrobrás argumentou, na nota, que “essa operação está alinhada à estratégia de otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os seus acionistas”. Uma justificativa bastante questionável.

Essa política adotada pela atual gestão da companhia traz em si equívocos e contradições óbvias. Equívocos, pois a “otimização do portifólio” tem significado privatizações camufladas, que em si já são questionáveis. Mas não apenas isso, vendas de ativos públicos lucrativos e estratégicos em nome da maximização de retorno ao acionista, num flagrante desvio da real função da empresa Estatal. E contradições, pois energias renováveis devem estar no radar e no planejamento de todas as companhias de petróleo. E, sim, estão incluídas no “Plano Estratégico” 2021-2025 da Petrobrás.

Conforme o que foi divulgado ao mercado, a estratégia aprovada pela Petrobrás para o período 21-25 traz no quesito Transição Energética “desenvolver pesquisas visando a atuação, em longo prazo, em negócios de Petroquímica e energia renovável com foco em eólica e solar no Brasil”, com o objetivo de, eventualmente, reposicionar a Petrobrás neste segmento no futuro. Além de ignorar o próprio plano, desnecessário aqui enfatizar que estar no negócio, seja ele qual for, é um dos movimentos essenciais para aquisição de known how e domínio da tecnologia. Portanto, mais uma vez, prevalece a visão imediatista em detrimento da estratégica.

Não é demais ressaltar que os estudos de demanda do Plano Nacional de Energia (PNE 2050), elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do Ministério de Minas e Energia (MME), aponta para os seguintes cenários*:

*Disponível em: https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-227/topico-202/Cen%C3%A1rios%20de%20Demanda.pdf

  • crescimento constante no consumo de energia no país. Mesmo no cenário inferior, mais pessimista, na ordem de 1,6% ao ano até 2030, 1,6% ao ano até 2040 e 0,9% ao ano em 2050;
Figura 1 – Evolução do consumo final por cenário

 

  • o Brasil tem uma capacidade de consumo de energia abaixo dos países em igual condições de PIB per capita. Em comparação com países como a China e África do Sul, que possuem PIB per capita semelhantes ao nosso, ainda temos um consumo médio de energia muito baixo;
Figura 2- Intensidade Energética X PIB per capita
  • Entre as fontes de produção de energia, haverá perda de espaço para as energias consideradas mais sujas, como petróleo, e crescimento de produção de energias limpas, como a eólica. Nas previsões do EPE, a produção de energia derivada de petróleo cairá de 43% em 2015 para 39% em 2050. Já a produção de eletricidade passará de 17% para 24% no mesmo período de comparação;
Figura 3 – Participação das fontes no consumo final

 

  • A crise de fornecimento de energia no Amapá, em novembro de 2020, mostra que o Brasil vive momentos de instabilidade na produção e abastecimento de energia elétrica em diversos momentos, seja por problemas climáticos (como ocorreu em 2014 e 2015), seja pelo processo de privatização do setor e redução dos investimentos em manutenção da produção e fornecimento de energia;

Ou seja, exatamente quando o país necessita de mais energia elétrica, especialmente de fonte limpa, na esteira de todo o esforço mundial para diminuição das emissões de carbono, a gestão da empresa, que em seu “Plano Estratégico” 21-25 estabelece investimentos em energia solar e eólica, aliena sua participação em usinas de produção de energia eólica. Parece contraditório, e é.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.