Demissões e privatização da distribuidora de energia refletem na qualidade do atendimento à população do Piauí. Capital, Teresina, sofreu com falta de energia por 65 horas

[Da imprensa da CUT]

Desde que a Companhia de  Energia do Piauí (Cepisa) foi privatizada e vendida para a Equatorial Energia, em outubro de 2018,foram demitidos 1.500 trabalhadores concursados, houve aumento de 40% nas tarifas de luz e os postos de atendimento ao consumidor espalhados pelo interior do estado do Piauí e a capital, Teresina foram fechados.

O resultado foi uma queda de energia que começou no último dia do ano que só foi  normalizado 65 horas depois. As causas, segundo a Equatorial  foram as árvores que caíram em cima da rede de distribuição, após forte chuva. A zona urbana foi a primeira a ter a energia restabelecida, enquanto a zona rural até a última segunda-feira (5) registrava localidades sem energia.

“Estamos investigando quantas equipes eles tinham de plantão ou se ocorreu negligência quanto da podagem de árvores próxima à rede, mas não podemos afirmar ainda”, diz o diretor de comunicação do Sindicato dos Urbanitários do Piauí, diretor do Coletivo Nacional dos Eletricitários, Herbert Marinho.

Independentemente das causas da falta de energia, a população vem pagando a conta da privatização desde novembro de 2017 porque para vender a Cepisa, o governo autorizou um reajuste imediato de 27,5% e mais 12,5% após a privatização. No acumulado até agora as contas de luz estão mais caras 40%.

Quem também sofreu com a privatização foram os trabalhadores da Cepisa. O Piauí tinha 2.200 trabalhadores do quadro próprio e quase a mesma quantidade de trabalhadores terceirizados.

“ Tínhamos atendendo todo o estado com quase 5 mil trabalhadores, hoje a gente não tem como dizer a quantidade total por que a empresa não nos dá acesso ao número de terceirizados. Os concursados são agora somente 650”,  critica Herbert, que é trabalhador da  Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf/Piauí)

População reclama, mas não é atendida

Para o diretor do CNE desde que fecharam os postos de atendimentos e foi demitida a reserva técnica de trabalhadores da Cepisa, que não repassou o conhecimento para os novos trabalhadores novos, a Equatorial pode ter diminuído o número de plantonistas, refletindo na  qualidade do atendimento das reclamações.

Piauí X Amapá

Diferente do que aconteceu no Amapá, que ficou três semanas em novembro de 2020 sem energia,  onde o serviço era feito exclusivamente pela transmissora do estado e que não investiu em novas subestações como alternativa em caso de desligamento e reestabelecer o sistema, a situação no Piauí só não chegou ao mesmo patamar porque tecnicamente existe o atendimento da Chesf, empresa geradora de energia, que tem três subestações na capital Teresina.

“Se o Piauí fosse coberto apenas pelo serviço privado poderia até ser que no futuro isso pudesse acontecer, mas como tem uma empresa pública aqui essa a população está um pouco mais segura. Mas, infelizmente, a Chesf, do sistema Eletrobras, também está na mira de privatizações do governo Bolsonaro”, afirma Herbert.

A Equatorial é responsável pela rede de distribuição em todo o estado do Piauí. A empresa pública, Chesf é a geradora de energia, contudo também tem subestações que liga à geração, passando pela transmissão e chegando até a rede de distribuição da Equatorial.

Publicado em Economia

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deu um ultimato à direção da Petrobrás para que conclua as negociações dos 54 campos de petróleo em terra e em águas rasas, que compõem os Polos de Recôncavo, Miranga, Remanso, Garoupa, Peroá-Cangoá, Merluza e Ceará Mar, até o dia 30/06/2021. Fixou ainda o prazo de 31/12/2021 para a venda dos 15 campos dos polos de Carmópolis, Potiguar e Urucu (que não tiveram sucesso na primeira fase do desinvestimento da estatal). Caso a Petrobrás não consiga vender esses campos no prazo determinado, a ANP deixou claro que pode “iniciar o processo de extinção contratual para os campos sem produção caso conclua que não houve evolução do processo”. Ou seja, o governo Bolsonaro/Guedes, está colocando a “faca no pescoço” da direção da Petrobrás para acelerar o processo de privatização da empresa, mesmo que isso cause prejuízo. Se a venda desses campos de petróleo e gás, já causa um enorme dano a nação, imagine vender esses ativos com pressa, sem esperar a melhor oferta. O valor, com certeza, será abaixo do que vale o ativo. O fato é que está cada vez mais claro que há uma articulação envolvendo o governo federal, a ANP e empresas privadas com o objetivo de acelerar a privatização da Petrobrás. Afinal, se não vender os campos no prazo determinado, a Petrobrás terá de devolvê-los a ANP, que, por sua vez, ficará responsável pela venda. E a Petrobrás não receberá nada em troca. “Isso é uma perversidade. O problema não é porque os campos estão maduros ou têm baixa produção, o que está em jogo é uma decisão governamental de vender a qualquer custo. Mesmo que o campo de Candeias, na Bahia, por exemplo, tivesse o custo de extração de um dólar e o barril estivesse sendo vendido a 40 dólares ( que daria um lucro fabuloso), mesmo assim, o campo de Candeias seria vendido”. Analisa o Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa. Para o Coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, “o que está em jogo não é a lucratividade. O objetivo é entregar o patrimônio público e enfraquecer uma das mais importantes empresas públicas para privilegiar o capital privado e em especial o capital internacional. É um projeto de governo, de Bolsonaro e Guedes”. Com esse tipo de decisão politica do governo federal, que não é econômica, financeira e muito menos técnica, como podemos a acreditar no slogan “Brasil acima de tudo..” ? Como o nosso país está acima de tudo se a ação governamental privilegia o capital estrangeiro que não tem identidade, tradição ou preocupação social com o Brasil e os brasileiros? Com o aval de Bolsonaro, essas empresas ganham trânsito livre para especular e ganhar dinheiro com o patrimônio construído com dinheiro público ao longo de décadas. De acordo com a ANP “até o momento, dos 183 campos de terra e águas rasas colocados no processo de desinvestimento original, 100 (55%) campos foram concluídos, 54 (29%) campos encontram-se em fase avançada de negociação com manifestações das empresas, 15 (8%) não tiveram sucesso e foram incluídos em novos polos do projeto de desinvestimento da Petrobras, distribuídos entre os Polos Carmópolis, Potiguar e Urucu, e 14 (8%) estão em processo de devolução (análise para o descomissionamento ou inclusão na Oferta Permanente)”. [Da imprensa do Sindipetro Bahia | Foto: Agência Brasil]

Publicado em Petrobrás Fica

Um vazamento de óleo proveniente de um duto da Petrobrás que aconteceu no domingo (20) atingindo a região de Massui (incluindo uma fazenda particular), na cidade de Candeias, deixou apreensivo os moradores locais que divulgaram um vídeo do óleo correndo na estrada.

Para o Sindipetro Bahia o acidente pode ser apenas a ponta de um iceberg que vem despontando após uma série de desinvestimentos que vêm sendo feitos na estatal pelo governo Bolsonaro. Em processo acelerado de privatização, com a venda da maior parte de suas unidades, a Petrobrás reduziu o seu efetivo de trabalhadores, incentivando a demissão voluntária e transferindo parte da força de trabalho para outros estados. Ao mesmo tempo diminuiu o investimento para manutenção das instalações e terceirizou serviços fins que não poderiam ser terceirizados.

Com a falta de manutenção e investimento, acidentes como esse podem acontecer em outros campos e unidades e terem consequências imprevisíveis atingindo o meio ambiental e os trabalhadores.

Diretores do Sindipetro Bahia foram ao local do derramamento de óleo e percorreram a região conversando com os moradores. A entidade sindical também vai exigir a participação na comissão que irá investigar o acidente, como está previsto no Acordo Coletivo de Trabalho da categoria, pois apesar dessa garantia, a atual gestão da Petrobrás tem dificultado a participação do sindicato nessas comissões de investigação.

A Petrobrás já havia avançado muito no quesito da segurança, deixando para trás a época do governo de FHC, quando os acidentes ambientais e com vitimas eram constantes, exatamente por conta da tentativa de privatização da estatal que aconteceu nessa época. Um triste exemplo foi o acidente com a P-36, em 2001, que tirou a vida de 11 petroleiros. A plataforma acabou naufragando.

Fonte – Sindipetro Bahia

Publicado em Sistema Petrobrás

Com uma mobilização em frente à unidade de Taquipe na manhã dessa terça-feira (22), a direção do Sindipetro Bahia e a categoria petroleira protestaram contra a privatização do campo de Candeias, que foi vendido pelo governo bolsonaro com mais 13 outros campos terrestres de petróleo e gás, localizados na Bahia.

Durante a mobilização, que durou cerca de duas horas, os diretores do Sindipetro conversaram com os trabalhadores explicando os impactos que virão com a venda desses campos, como a demissão. Muitos se mostraram surpresos e apreensivos com a velocidade com que as unidades do Sistema Petrobrás estão sendo vendidas e de como a estatal está sendo privatizada aos pedaços, apesar de toda a luta do Sindipetro Bahia e da FUP para barrar essa privatização.

Os diretores do Sindipetro garantiram que vão continuar lutando para impedir o desmonte total da Petrobrás. Como legitimo representante dos trabalhadores do setor privado, o Sindipetro Bahia, vai procurar a 3R Petroleum (empresa que adquiriu os 14 campos de petróleo e gás da Petrobrás) para garantir as melhores condições, benefícios, salários, assim como a contratação desses trabalhadores que serão demitidos.

Já os trabalhadores diretos (concursados), que são cerca de 40, serão transferidos para outras unidades, já que não podem ser demitidos graças ao Acordo Coletivo de Trabalho assinado pela FUP e os sindicatos, que garante a estabilidade no emprego.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em Petrobrás Fica

Royalties pagos por empresas privadas de petróleo podem sofrer redução de 50%, prejudicando centenas de municípios no Brasil

[Da imprensa do Sindipetro Bahia | Texto: Carol Athayde | Foto: Divulgação]

Uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), já aprovada pelo presidente Bolsonaro (Diário Oficial da União de 1/7/2020), determina que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estude a admissão de medidas com o objetivo de reduzir os royalties de 10% para até 5%, para campos concedidos a empresas de pequeno ou médio porte.

A ANP, por sua vez, já aprovou os procedimentos necessários para reduzir os valores desses royalties cobrados sobre a produção dos campos maduros de petróleo e também realizou uma videoconferência sobre o assunto com as empresas interessadas.

A próxima etapa é enviar para a Câmara dos Deputados um Projeto de Lei (PL), propondo a redução das alíquotas com o aval da ANP e do CNPE.

Na prática, o PL, se transformado em lei, irá prejudicar centenas de municípios que dependem da arrecadação dos royalties do petróleo para garantir gastos com saúde, educação e infraestrutura.

A diretoria do Sindipetro Bahia vê essa Resolução e uma eventual lei como uma afronta aos brasileiros. “Durante anos, a Petrobrás investiu nesses campos terrestres de petróleo. Apesar de todo o trabalho e gasto para descobrir e desenvolver os campos, nunca houve no Brasil uma discussão de redução de royalties. A estatal sempre pagou o que deveria ser pago, contribuindo, assim, para o desenvolvimento dos municípios onde está instalada. Agora que o setor está sendo privatizado, o governo Bolsonaro lança mão dessa iniciativa que irá garantir mais lucros para essas empresas e provocar prejuízos para os munícipios”, afirma o Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa.

O Coordenador Geral da FUP, Deyvid Bacelar, faz um alerta aos prefeitos e vereadores eleitos das cidades onde há campos terrestres da Petrobrás e que já foram vendidos (ou serão) para a iniciativa privada. “É preciso pressionar a Câmara, a ANP e o governo Bolsonaro para que essa medida absurda não se concretize. Caso contrário, haverá grande impacto no orçamento desses munícipios”.

Bacelar ressalta ainda que “a redução dos royalties também não trará vantagem ou benefício para os trabalhadores, que passarão a receber salários mais baixos e terão seus benefícios reduzidos, como acontece na maioria das empresas privadas do setor. Portanto, o único objetivo é proporcionar lucro para as empresas, revelando o real objetivo da privatização do Sistema Petrobrás”.

Diversos municípios serão prejudicados, tendo redução das suas receitas em plena pandemia da Covid-19, momento em que a situação, com cerca de 14 milhões de desempregados no Brasil, não está nada fácil.

Na Bahia, serão atingidos diretamente os municípios de Esplanada, Entre Rios, Cardeal da Silva, Araças, Alagoinhas, Ouriçangas, Água Fria, Biritinga, Catu, Pojuca, Mata de São, São Sebastião do Passé, Candeias, São Francisco do Conde.

Publicado em Petróleo

Meses após a privatização da distribuidora de combustíveis pelo governo Bolsonaro, derramamento de 100 mil litros de óleo diesel contamina rio e lagoa em Betim e Ibirité

Assista ao vídeo do coordenador do Sindipetro MG 

A diretoria do Sindipetro/MG recebeu grave denúncia sobre contaminação ambiental por acidente na unidade da BR Distribuidora em Betim (MG), recentemente privatizada pelo governo Bolsonaro. O vazamento ocorreu na manhã de ontem (19), em acidente durante operação de bombeamento de óleo diesel no Terminal de Betim (TEBET).

O óleo vazado atingiu o Córrego Pintados, contaminando o curso d’água que percorre a área da Refinaria Gabriel Passos (Regap) até a Lagoa de Ibirité. Previsões iniciais contabilizam um volume vazado de 100 mil litros, o que representa mais de 3 vezes o volume de um caminhão tanque de combustíveis.

Equipes da Petrobrás que atuam no setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da Regap têm atuado na região, de forma a conter o vazamento. Os trabalhadores da estatal denunciaram a ausência de equipes da BR Distribuidora e a atuação descoordenada por parte da empresa recém-privatizada diante de uma emergência ambiental tão grave.

Privatização e crimes ambientais: uma longa história

Meses depois da venda da BR Distribuidora de uma forma totalmente questionável – por meio da venda direta de ações na Bolsa de Valores – o impacto da privatização da maior empresa de distribuição de combustíveis do país já pode ser percebido. Como ocorreu em outros casos recentes, empresas estatais sob risco de privatização – como a Regap, em Betim – são acionadas para atuar em tragédias protagonizadas por empresas privadas.

Em 2019, quando manchas de óleo surgiram no litoral do Nordeste e chegaram até o Sudeste, foi a Petrobrás que colocou toda sua estrutura para combater e controlar a contaminação ambiental. Em 2020, quando o estado do Amapá sofreu por três semanas com um apagão após falha em uma subestação privatizada, a Eletrobrás foi acionada para restabelecer o fornecimento de energia elétrica.

O acidente na BR Distribuidora remonta a outros tempos sombrios, quando o desmonte da Petrobrás promovido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso foi responsável por uma série de acidentes ambientais. A velha receita “sucatear para privatizar” resultou em grandes vazamentos de óleo no início da década de 2000, contaminando áreas de rios e oceanos: Baía de Guanabara (RJ), Tramandaí (RS), São Sebastião (SP) e Araucária (PR).

Em 2011, a gigante privada Chevron também foi responsável por um grande vazamento em poço de petróleo na Bacia de Campos. Além dos grandes acidentes ambientais no setor de petróleo, é importante relembrar dos emblemáticos crimes protagonizados pela gigante Vale, privatizada ainda na década de 1990. Brumadinho e Mariana representaram os maiores e mais dramáticos acidentes ambientais no período recente em todo o mundo.

Desmonte: Bolsonaro quer transformar a Petrobrás em uma Nova Vale

O Sindipetro/MG tem denunciado, desde o início do processo de sucateamento e privatização de setores da Petrobrás, sobre os impactos para a segurança das comunidades e do meio ambiente em regiões onde atua. A atual gestão da estatal tem vendido unidades operacionais com alto risco potencial de acidentes e reduzindo investimentos nos setores de segurança, meio ambiente e saúde.

O descaso com a questão ambiental, pauta prioritária de Jair Bolsonaro e de seu Ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, também tem encontrado eco na gestão da estatal. Em 2019, a Petrobrás anunciou o fechamento das suas bases de Centros de Defesa Ambiental (CDA’s), inclusive em Betim, na Refinaria Gabriel Passos. Além disso, a empresa iniciou no último ano um processo de terceirização de suas equipes de emergência, com a redução de técnicos experientes nos seus efetivos de brigada.

Em defesa da vida e do meio ambiente, a #PetrobrásFicaEmMinas

O acidente da BR Distribuidora é apenas uma amostra dos riscos envolvidos na privatização da Regap e de outras unidades operacionais da Petrobrás. A ex-estatal, que realizou uma profunda reestruturação com centenas de demissões e redução de salários de seus trabalhadores, agora parece seguir a trajetória de outras empresas privatizadas, que colocam o lucro em curto prazo para acionistas acima da vida e do meio ambiente. Pelo potencial de riscos envolvidos na operação da refinaria de Betim, a privatização da Regap poderá transformar a Petrobrás em uma nova Vale.

O Sindipetro/MG irá cobrar esclarecimentos sobre o acidente e realizar a denúncia desse crime ambiental nos órgãos competentes e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Diante desse claro alerta à população mineira, seguiremos engajados na campanha #PetrobrásFicaEmMinas, de forma a evitar que o projeto de desmonte e privatização prossiga no nosso estado e cause danos ainda maiores à saúde, segurança e meio ambiente dos mineiros.

por Sindipetro MG

 

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobrás assinou contrato para a venda de 100% de sua participação em 14 campos de produção terrestre do Polo Recôncavo (BA), que foi adquirido pela Ouro Preto Energia Onshore, subsidiária da 3R Petroleum, que já havia comprado outros ativos da estatal na Bahia e no Rio Grande do Norte e está também disputando o Polo de Urucu, na Bacia do Solimões. A venda do Polo Recôncavo, com toda a estrutura de extração, tratamento e processamento de produtos, foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobrás na última quarta-feira, 16, com o voto contrário da Conselheira eleita pelos trabalhadores, Rosângela Buzanelli.

"Sou contra pois discordo frontalmente do atual direcionamento dado à companhia, pautado pela sistemática redução de investimentos. O Polo Recôncavo é lucrativo para a Petrobrás, que investiu e construiu toda a infraestrutura logística de sua operação, já tendo amortizado há muito esses investimentos. Este contribuiu e ainda contribui com suas reservas provadas e fluxo de caixa positivo para a Companhia", afirmou a conselheira em nota divulgada.

"O atual caminho seguido ignora as bases da constituição da Petrobrás e volta sua estratégia para uma visão exclusivamente de mercado, por sinal ultrapassada, cujo objetivo é maximizar o lucro dos acionistas a qualquer preço, independentemente do impacto que possa gerar para a Petrobrás, para o abastecimento nacional e para a economia nacional e regional", ressaltou Rosângela.

O Polo Recôncavo possui campos localizados nos municípios de Candeias, Salvador, Santo Amaro, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Simões Filho, com produção média diária  de 2.145 barris de petróleo e 465 mil metros cúbicos de gás natural. Junto com os 14 campos de produção terrestre, foram entregues também 13 estações de tratamento, o Parque São Paulo (responsável pelo armazenamento, tratamento e movimentação do petróleo do polo, localizado no Campo Candeias) e o Núcleo Candeias, com Estação de Compressão e Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN).

O CEO da 3R, Ricardo Savini, em entrevista à imprensa, comemorou a aquisição dos campos de petróleo. “O ativo apresenta grande potencial de aumento no fator de recuperação e de incremento de reservas de óleo e gás”, disse Savini.

Sindipetro Bahia alerta sobre demissões e perdas de recursos para o estado

A direção do Sindipetro Bahia repudia mais essa “ação equivocada da atual gestão da Petrobrás” e alerta para as graves consequências para os municípios de São Francisco do Conde e Candeias, que virão em curto e médio prazo. “De imediato haverá demissões, pois os contratos dos trabalhadores terceirizados – cerca de 250 - serão rescindidos. É uma incógnita se serão (e quantos serão) recontratados ou não pela nova empresa e em que termos se dará esse contrato. A experiência nos mostra que as empresas privadas da área de petróleo tendem a contratar com salários mais baixos e restrição de direitos, comparado com a Petrobrás. Isso vai impactar não só a vida desses trabalhadores, mas também o comércio local, pois haverá menos dinheiro circulando. Por outro lado, os trabalhadores concursados devem aderir ao Plano de Demissão Voluntária da Companhia ou optarem pela transferência para outros estados”, explica o Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista.

Outras consequências negativas serão a perda na arrecadação dos royalties, ISS e ICMS, a redução da capacidade de investimento e de compra de bens e serviços. “Uma empresa nova, que ninguém conhece, que é privada, que só visa o lucro, quer garantir o retorno imediato dos investimentos feitos. É realmente uma lógica empresarial, que prejudica o estado, beneficiando apenas o capital”, afirma o Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa.

Costa ressalta que “apesar de antigos, os campos de petróleo que foram vendidos, são lucrativos, rentáveis e estão longe de dar prejuízo à Petrobrás. Muito pelo contrário. As atividades de produção e exploração de petróleo e gás na Bahia ainda são um grande negócio. Um negócio de mais de R$ 2 bilhões. A Petrobras é a maior empresa da Bahia e a venda desses campos é mais um passo dado pelo governo Bolsonaro para concretizar a saída dessa grande e importante Companhia da Bahia”.

Poço Candeias 1 foi o primeiro do país

Entre os campos que foram vendidos está o de Candeias, onde está localizado o Poço Candeias 1, primeiro poço de exploração comercial de petróleo do Brasil que entrou em atividade em 14 de dezembro de 1941, e, hoje, após 79 anos, ainda está ativo, produzindo. "A exploração do poço foi o pontapé inicial para a criação da Petrobrás com as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos, empresa que chegou a ser, no governo Lula, a quarta maior do mundo em valor de mercado, e hoje, vem sendo desmontada e vendida pelo governo Bolsonaro. Um crime e uma afronta à soberania nacional", ressaltou o Sindipetro-BA, em nota divulgada nesta sexta.

"Muito foi feito pelo Sindipetro Bahia e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) para evitar que a Petrobrás, patrimônio do povo brasileiro, fosse privatizada. Foram realizadas dezenas de mobilizações, audiências públicas, reuniões com prefeitos, senadores, deputados estaduais e federais, vereadores e o governo da Bahia, alertando e mostrando os prejuízos para o estado e municípios com a saída da Petrobras da Bahia. Também foram realizadas greves, uma das quais, em 2020, durou 20 dias. As entidades sindicais contrataram ainda escritórios de advocacia para judicializar a questão e impedir a venda dos ativos. Todas essas ações fizeram com que as vendas dessas unidades fossem adiadas, mas devido à atual conjuntura política do país, o Sistema Petrobrás está sendo privatizado, aos pedaços".

[Imprensa da FUP, com informações do Sindipetro-BA e do site do mandato de Rosângela Buzanelli]

Publicado em Petrobrás Fica

A Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interditou as plataformas P-65, P-08, Pampo 1 e Enchova 1, operadas pela Trident Energy, em águas rasas da Bacia de Campos. As unidades de produção, de acordo com ANP, têm em seu histórico não conformidades oriundas de ações de fiscalização anteriores referentes aos assuntos abordados na temática SDV, Dilúvio e Drenagem, demonstrando que as situações verificadas já vinham sendo identificadas. A Trident assumiu a operação das unidades em junho.

A empresa foi notificada pela ANP para:

  • Realizar novo diagnóstico do sistema de Dilúvio, Drenagem e Emergency shut-down valves (ESDV), levando em consideração os resultados apresentados na documentação pertinente, confrontando com a condição operacional real da instalação e aplicando correções quando necessário;
  • Apresentar os testes de estanqueidade e funcionalidade válidos para todas as ESDVs de fronteira;
  •  Realizar a manutenção nas ESDVs degradadas. Para o caso de implementação de contingenciamento o mesmo deverá levar em consideração minimamente os estudos de risco da instalação, inclusive o estudo de propagação de incêndio; a integridade dos trechos de tubulação relacionados a mudança; a integridade dos equipamentos a prova de explosão; e o treinamento da equipe;
  • Apresentar os testes de dilúvio molhado válidos, conforme último procedimento Trident, contendo a medição de vazão e comparando todas as variáveis medidas com os valores de referência;
  • Realizar o teste de performance das bombas de combate a incêndio (BCI);
  • Realizar em dois meses uma avaliação sobre a alta quantidade de solicitações de desligamento por parte de funcionários ligados à atividade fim da Trident. Esta análise deverá identificar os motivos e avaliar os impactos na segurança das operações da Trident, apresentando plano de ação para implementação de ações, caso seja pertinente.

[Do Sindipetro-NF | Texto: Veredas Inteligência Estratégica]

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Em vídeo enviado aos trabalhadores do Sistema Petrobrás, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, reforça a importância da categoria participar aprovar nas assembleias um amplo calendário de luta contra as privatizações em curso.

A construção de uma agenda nacional de mobilizações em defesa do Sistema Petrobrás foi deliberada no último Conselho Deliberativo da FUP. O calendário está sendo apresentado aos trabalhadores nas assembleias que prosseguem até o dia 23 para deliberar sobre o indicativo de aceitação da proposta de regramento da PLR.  

Atos e mobilizações em defesa da Petrobras

Em plena pandemia da Covid-19, com os trabalhadores cada vez mais expostos à contaminação e sendo transferidos a toque caixa, em meio ao desmonte da empresa, a gestão Castello Branco acelerou o processo de privatização. Nos últimos meses, a Petrobrás comunicou ao mercado que está em estágio final de venda de diversas unidades, como os complexos de refino e terminais da Bahia (Rlam), do Paraná (Repar e Six) e do Ceará (Lubnor).

Não bastassem todas as dificuldades que a pandemia impõe, os petroleiros estão sendo obrigados a enfrentar um dos momentos mais dramáticos da história da categoria. A resistência coletiva é o único caminho possível.

Por isso, a FUP e seus sindicatos convocam os trabalhadores a aprovar uma agenda de mobilizações e atos, tanto em nível nacional, quanto local, em defesa do Sistema Petrobras, dos direitos, dos empregos e da vida.

>Ato nacional contra a venda da Rlam e dos terminais da Bahia, com data a ser definida pela FUP

> Dia Nacional de Luta em defesa da redução do preço do botijão de gás, com ações em diversas cidades do país, articuladas em conjunto com os sindicatos, cuja data ainda será definida.

O Sindipetro Bahia também está submetendo aos trabalhadores de suas bases a aprovação de uma greve local para barrar o desmonte da Petrobrás no estado. A orientação da FUP é de que os demais sindicatos avaliem também outras formas de mobilizações permanentes (paralisações, atrasos, cortes de rendição) contra as privatizações.

[Imprensa da FUP]

 

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Campo vendido faz parte da Bacia de Sergipe e Alagoas, onde a Petrobrás está se desfazendo de ativos estratégicos, como a maior área de produção terrestre do país 

[Da imprensa da FUP | Foto: divulgação]

A Petrobrás divulgou que assinou no dia 11 de dezembro o contrato de venda da sua participação no campo terrestre de Rabo Branco, em Sergipe, para a Energizzi Energias do Brasil, que pagou US$ 1,5 milhão por 50% do ativo. A outra metade pertence à empresa Petrom. A Petrobrás está de desfazendo de outras 11 concessões no estado que integram o Polo de Carmópolis, onde está localizada a maior área de produção terrestre de petróleo do Brasil, com reservas estimadas em 1,7 bilhão de barris e produção média diária de 10 mil barris de óleo e 73 mil metros cúbicos de gás.

O pacote de ativos que a Petrobrás colocou à venda em Carmópolis inclui cerca de 3.000 poços de petróleo, 17 estações de tratamento de óleo, uma estação de gás, mais de 350 quilômetros de gasodutos e oleodutos, o Terminal Aquaviário de Aracaju (Tecarmo), uma UPGN e uma estação de processamento de óleo, além das bases administrativas de Carmópolis, Siririzinho e Riachuelo.

A Petrobrás também está vendendo os ativos do Polo de Alagoas, que incluem seis concessões terrestres e uma de águas rasas, duas estações de tratamento (Furado e Pilar), 230 Km de gasodutos e oleodutos, a base operacional de Pilar e a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) de Alagoas, com capacidade de produzir 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

A privatização da Bacia Sergipe-Alagoas acelera a saída da Petrobrás do Nordeste, impactando profundamente a economia e os empregos da região, como a FUP e seus sindicatos vêm denunciando. "O Sistema Petrobrás está sendo desmontado em todo o país, sob a lógica da atual gestão de reduzir a empresa à produção e exportação do pré-sal, concentrando as atividades no eixo Rio-São Paulo. É fundamental que a sociedade organizada se some à campanha Petrobras Fica, denunciando as privatizações e os riscos que apresentam para a soberania nacional", afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.


*Essa matéria foi corrigida e atualizada

Publicado em Petrobrás Fica
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.