O site da campanha #PetrobrásFicanoES já está no ar! A Petrobrás tem realizado um verdadeiro desmonte de suas atividades pelo país, e não tem sido diferente no Espírito Santo. A empresa não tem levado em conta o interesse público e os impactos destas privatizações aos seus trabalhos, ao próprio Estado e aos municípios capixabas. Além disso, esse movimento de privatização não tem sido debatido com a sociedade e não tem passado pela aprovação do Congresso Nacional.

Capixaba, o que nos une é mais profundo. E essa chama não pode se apagar! Vamos juntos na luta pela permanência da Petrobrás no Espírito Santo.  Conheça e compartilhe as razões para resistir: https://www.petrobrasficanoes.com.br/ .

[Da imprensa do Sindipetro-ES]

Publicado em Petrobrás Fica

Sindipetro-MG alerta que a capacidade da refinaria de responder às emergências será prejudicada com a saída de trabalhadores mais capacitados e preparados

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Na primeira quinzena de dezembro o quadro de trabalhadores do setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Regap será reduzido pela metade. A terceirização do setor da SMS está a pleno vapor. Justamente o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate a emergência na Refinaria.

Hoje, são 25 empregados próprios capacitados para preservar a vida da comunidade externa e interna. Cada turno possui equipe de segurança industrial de quatro técnicos. Mas com a mudança denunciada, cada equipe terá apenas dois técnicos de segurança para atender toda a demanda da unidade.

Cabe lembrar que este é o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate à emergência na Refinaria. Com a terceirização, é evidente que a capacidade de responder às emergências será prejudicada. Pois os bombeiros civis não são preparados para atuar no mesmo nível de conhecimento técnico e prático dos profissionais da Petrobrás.

O Sindipetro alerta que com essa manobra, que só visa a redução dos custos, a gerência está se desfazendo de trabalhadores mais capacitados e preparados, substituindo esses profissionais por funcionários sem experiência específica na área, colocando em risco a vida e a segurança dos trabalhadores e das populações do entorno na Regap.

Quarta, 25 Novembro 2020 16:29

Caixa lucra com demissões de empregados

[Do Reconta aí]

Durante a live de divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Caixa, o presidente do Banco Público, Pedro Guimarães, se gabou da economia que vem fazendo com os gastos internos. O seu quadro de funcionários vem sendo enxugado e, com isso, as pessoas que seguem trabalhando ficam sobrecarregadas.

Recentemente, o Banco Público encerrou um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) com o objetivo de atingir cerca de 7,2 mil empregados. No entanto, somente 2,3 mil bancários aderiram ao programa.

De acordo com Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, o déficit de empregados no Banco Público era de 17 mil. Com o PDV, esse número ultrapassa 19 mil.

“Se para o Banco isso é uma economia, para os trabalhadores isso é uma perda em saúde, qualidade de vida e em trabalho. Qualidade de vida inclusive para a própria família que está ao redor desse empregado”, alerta Rita.

Só nos próximos dois meses serão devolvidos 100 imóveis. “Nós ainda temos 178 prédios, entre próprios e que nós alugamos. Já devolvemos 50 e vamos devolver mais 100”, explica Guimarães.

Lucro na pandemia

A Caixa divulgou nesta quarta-feira (25) os resultados do terceiro trimestre de 2020. O lucro líquido ajustado foi de R$ 2,6 bilhões, um aumento de 1,7% em relação ao segundo trimestre do ano. Até o mês de setembro, o lucro do Banco Público alcançou R$ 8,3 bilhões.

Os resultados mostram o importante papel social da Caixa. O Banco Público foi o responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Só com o auxílio emergencial, a Caixa atendeu 67,8 milhões de brasileiros beneficiados. Já com o FGTS emergencial foram 60 milhões de pessoas beneficiadas.

Para o pagamento de tantos brasileiros, o Banco Público usou o aplicativo Caixa Tem. Mesmo com todos os problemas que a plataforma apresenta desde o lançamento do auxílio emergencial, ela atingiu um recorde de mais de 105 milhões de contas poupanças sociais digitais gratuitas abertas. Além disso, foi importante para a inclusão financeira de milhares de pessoas.

Empregados da Caixa e a pandemia

Guimarães fala em economia, mas o País passa por uma pandemia e a Caixa é estratégica para atender a população brasileira. O Banco Público é responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Dessa forma, agências estão abrindo nos fins de semana e os empregados da linha de frente estão extremamente sobrecarregados. “Quem fica está trabalhando duas, três vezes mais. Mesmo quem ficou em home office teve sua jornada de trabalho triplicada”, diz Rita.

Além de trabalhar muito mais, os bancários estão se arriscando para atender grande parte da população brasileira.

De acordo com a Caixa, mais de 2,5 milhões de máscaras e mais de 36,5 mil protetores faciais de acrílico foram distribuídos para os empregados e colaboradores. Além disso, o Banco Público diz estar disponibilizando testagem de covid-19 para todos os empregados.

No entanto, não está claro como essa testagem vem acontecendo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) precisou enviar um ofício para a direção do Banco solicitando informações sobre o programa de testagem realizado no mês de outubro.

“Queremos que a direção da Caixa apresente os dados gerais obtidos por intermédio deste programa de testagem”, explica a secretária da Cultura da Contraf-CUT e coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/ Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt.

Segundo ela, com o número de testes realizados, a quantidade de casos positivos verificados e a eventual realização de mapeamento por regiões é possível analisar a assertividade dos protocolos preventivos existentes e a possibilidade da adoção de novas medidas.

Publicado em Economia

Para tentar minar a resistência da população às privatizações, o Ministério da Economia lançou um documento comparando o salário praticado pelas estatais com a iniciativa privada. Entre várias desinformações, o estudo divulgado "apresenta um valor médio de remuneração e não mostra a imensa desigualdade salarial entre os trabalhadores de uma mesma estatal. No caso da Petrobras, por exemplo, a maior remuneração mensal é de R$ 106.189,00, do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e a menor é de R$ 1.510,00, representando, assim, uma diferença de 70 vezes", alerta o assessor da FUP, Cloviomar Cararine

[Da imprensa da CUT]

Com o título “Estudo mostra paraíso salarial em estatais” estampado na manchete de um dos maiores jornais do país, o governo neoliberal de Jair Bolsonaro (ex-PSL) tenta mais uma vez colocar a população brasileira contra  os trabalhadores e as trabalhadoras das empresas públicas. O objetivo é abrir caminho para a privatização, minando resistências à venda do patrimônio dos brasileiros. Pesquisa Datafolha de agosto de 2019 mostrou que 67% (dois em cada três brasileiros), são contrários a qualquer tipo de privatização.

A reportagem, baseada na análise do Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais (RAEEF), da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados e Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, ligada ao ministério da Economia, compara os salários pagos entre a iniciativa privada e as estatais, traz diversos pontos que merecem uma revisão mais apurada.

Alegando números elevados e excessivos de empresas, altos salários pagos aos trabalhadores, ineficiência e peso negativo sobre as contas públicas, o relatório não condiz com a realidade atual e ainda despreza o papel e a contribuição dessas empresas para o desenvolvimento do país, bem como a alta qualificação dos trabalhadores e trabalhadoras das estatais, afirma o  economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), da subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP) , Cloviomar Cararine.

“O governo Bolsonaro desconsidera a importância das empresas estatais e públicas. São empresas que atuam em diversos setores e atividades de políticas públicas. Não é objetivo gerar lucro, mesmo gerando”.

O economista diz que o estudo divulgado pelo governo não leva em consideração algumas questões importantes como:

- os valores apresentados pelo estudo do governo não são em relação aos salários, e sim à remuneração total, que incluem outros benefícios como adicionais de periculosidade, sobreaviso e outros;

- apresenta um valor médio de remuneração e não mostra a imensa desigualdade salarial entre os trabalhadores de uma mesma estatal. No caso da Petrobras, por exemplo, a maior remuneração mensal é de R$106.189,00, do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e a menor é de R$1.510,00, representando assim uma diferença de 70 vezes;

O economista reforça que os trabalhadores brasileiros de maneira geral são muito mal remunerados, e no caso da Petrobras, vale uma comparação também com a remuneração de outras petroleiras, estatais ou privadas, no mundo. Os trabalhadores brasileiros recebem a menor média de remuneração anual (em US$) por trabalhador, como mostra o quadro abaixo.

“Quando compara a remuneração de trabalhadores estatais com a média nacional, o governo Bolsonaro inverte a questão central. Não são os trabalhadores das estatais que ganham muito e sim a média nacional que é pequena. Os trabalhadores no Brasil são muito mal remunerados”, reforça Cloviomar.

Ainda de acordo com o economista do Dieese, o relatório do governo desconsidera o processo histórico de luta de décadas que culminaram em  conquistas de direitos, com melhores salários e outros benefícios recebidos.

“Após 2016, ano do golpe contra a ex-presidenta Dilma, a difusão de informações parciais e enviesadas sobre as estatais como estratégia se tornaram recorrentes, para tentar criar ambiente de revolta na população”, alerta o economista do Dieese.

Publicado em Petrobrás Fica

"O Brasil está vivendo um processo de 'nigerização'", segundo o engenheiro e professor Roberto Moraes. "Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais", afirma no artigo publicado esta semana em seu blog. Leia a íntegra:

Por Roberto Moraes, sngenheiro e professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ)

Retorno ao tema que há quatro anos venho tratando aqui neste espaço. Ao olhar para a cadeia global do petróleo e sua geopolítica vemos a participação atual do Brasil nesse circuito econômico vivendo um processo de "nigerização". Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais.

É um processo instalado em 2016 (após o golpe institucional) e que nos dias atuais se amplia de forma importante. A venda anunciada (apelidada de desinvestimentos) nos últimos dias da venda total e/ou parcial de novos campos de petróleo nos polos de Marlim e Albacora se soma ao que já foi feito antes com entrega de áreas como o campo de Carcará, no colosso do pré-sal. Além de tudo que foi sendo entregue dia-a-dia, como as malhas de gasodutos, refinarias, petroquímicas, distribuidora de petróleo, etc. vão transformando o Brasil em uma nova Nigéria.

Mais uma vez repito, com todo respeito ao país africano, mas não se pode deixar de identificar como aquele importante país produtor de petróleo entregou a sua produção, beneficiamento e toda a cadeia produtiva do petróleo, às petroleiras estrangeiras e ao controle dos fundos financeiros globais.

Sobre o tema, acesse duas postagens do blog:

1) A primeira em 19 janeiro de 2019: Desverticalização nacional e re-verticalização global no setor de gás no Brasil: a contradição liberal;

2) A segunda em 28 de fevereiro de 2019 O mercado desintegra a Petrobras para deixá-la sob controle do mercado global no exterior. Elas comentam a interpretação desse processo expondo um esquema gráfico que reproduzimos ao lado.

Assim, se observa que segue em velocidade acelerada (por motivos claros) a desintegração da Petrobras com o fatiamento e o desmonte criminoso de suas unidades de maior valor, que estão sendo vendidas a preço de final de feira, no momento de baixa do preço do petróleo e ativos do setor.

Bom que se diga entrega de unidades que estão prontas, em funcionamento e gerando lucros, para serem controladas pelos fundos financeiros estrangeiros que já comandam outras petrolíferas. As refinarias no Brasil estão sendo vendidas já ociosas. O setor de refino mesmo aberto ao exterior desde o fim do monopólio promovido por FHC, na década de 90, nunca recebeu um projeto de nova refinaria destas players do setor.

Junto disso, antes a ANP reduziu as exigências de conteúdo local, o que leva milhares de empregos do Brasil, na medida em que os novos donos destes ativos compram equipamentos, tecnologia, geram empregos e tributos em seus países e não no Brasil. Fato que contribui para um definhamento do circuito econômico do petróleo que chegou a ser responsável por cerca de 13% do PIB do Brasil e mais de 1/3 no ERJ.

Assim, na prática coube à Petrobras explorar, descobrir e colocar em produção os gigantes campos e potentes bacias de Campos, Santos e o Pré-sal, agora entrega a preço de xepa suas descobertas e seus ativos. Bom lembrar que seis dos maiores campos de petróleo descobertos no mundo estavam no Brasil.

E o pior de tudo isso é o fato que esses dirigentes criminosos a serviço dos interesses a quem representam, vão assim deixando para a Petrobras a parte mais onerosa que é a de seguir explorando áreas offshore, águas muito profundas, inovando em tecnologias, equipamentos, protocolos e expertise de técnicos, para depois entregarem tudo de bandeja, a preço de xepa, aos fundos financeiros. Isso é crime de lesa-pátria, não há outro nome.

Portanto, considerando o porte de nossa produção e do nosso mercado consumidor, bem maior que a da Nigéria, o "case" brasileiro, infelizmente, já permite que o mundo troque o termo "nigerização", pela expressão "brasileirização". O mundo hoje enxerga o Brasil como um caso, em que uma nação opta por retornar à condição de colônia, uma espécie de "condado" ou "protetorado". Seguiremos questionando esse crime de lesa pátria: Petrobras, fica!

 

Publicado em Sistema Petrobrás

[Artigo de José Sérgio Gabrielli e Rodrigo Leão (pesquisadores do INEEP) publicado originalmente pelo UOL]

A Petrobras anunciou a venda de campos terrestres na Bahia. Esse foi mais um passo dado pela estatal para sair completamente do nordeste. Processo que ganhou grande intensidade quando a refinaria do estado (RLAM) foi colocada no seu programa de desinvestimento. 

Os defensores da venda da RLAM costumam dizer que esse processo trará benefícios tanto para a Petrobras como para os consumidores gerando um mercado mais dinâmico e competitivo.

Em primeiro lugar, a venda generalizada de ativos, embora traga recursos imediatos para a Petrobras, deve trazer dificuldades no médio prazo para a geração de caixa e, consequentemente, para financiar investimentos futuros. Em segundo lugar, o fundo Mudabala, provável comprador da refinaria, tem como prática adquirir ativos com dificuldades para depois revendê-los em outras circunstâncias e, por isso, não costuma realizar grandes investimentos nesse tipo de ativo. Em terceiro lugar, vários estudos têm apontado que, dadas as condições estruturais de abastecimento no Brasil, não haverá aumento da concorrência com a transferência de ativos da Petrobras para empresas privadas. 

Recente estudo promovido pelo Departamento de Engenharia Industrial (DEI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) considera que há uma perspectiva elevada de formação de um monopólio privado na região onde a RLAM atua. De acordo com o DEI/PUC-RJ:

“Há uma alta probabilidade de estabelecimento de monopólio regional privado no estado da Bahia. Restrições logísticas para ingresso na área de influência da Rlam de produtos de outras refinarias e/ou importados, com exceção do norte do estado da Bahia, que poderá sofrer pressões competitivas da Rnest”.

Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) aponta que um outro limitador para um aumento da concorrência no mercado de refino é o perfil bastante diferenciado entre as refinarias da Petrobras. Isto é, cada refinaria da Petrobras tem um mix de produção de derivados diferente, o que impede a concorrências entre elas. 

No Nordeste, as três refinarias colocadas à venda têm estruturas produtivas bem diferentes. Em 2019, a produção da Lubnor se concentrou em asfalto (45%). A produção da Rlam se dividiu em óleo diesel (35%) e óleo combustível. A produção da Rnest, por sua vez, se concentrou em óleo diesel (66%) e em nafta (15%). Além disso, existem derivados somente produzidos pela Rlam, como gasolina. Nesse quadro, para a grande maioria dos derivados não existiria competição pelo simples fato de algumas refinarias não produzirem determinados derivados ou pela estrutura das refinarias estarem concentradas na produção de diferentes tipos de derivados. 

No caso da venda dos ativos terrestres, a justificativa seria de que empresas medias e pequenas alavancariam os investimentos dessas áreas. Para corroborar o argumento, a Petrobras alega que, no mercado americano, 25% da produção está mão dessas empresas, enquanto no Brasil apenas 5%. O que não é explicado é a diferença gigantesca das condições de mercado dos dois países. 

Historicamente, as grandes empresas americanas voltaram-se, desde cedo, a buscar petróleo cru fora dos EUA, investindo no Oriente Médio, Ásia e América Latina, deixando a produção doméstica com pequenas e médias empresas. Com isso, as corporações menores dominaram os investimentos da produção terrestre dos EUA. Além disso, a infraestrutura logística, de dutos e ferrovias, foi regulada para uma maior abertura e redução do controle dos grandes compradores, criando-se um sistema que viabilizasse a entrega da produção de múltiplos produtores destinada a múltiplas refinarias, também de propriedade pulverizada. O sistema, portanto, tinha muitas pequenas empresas na produção, na logística e no refino. A indústria de operação de sondas e de fornecimento de insumos para a perfuração e produção também se pulverizou, dando uma grande flexibilidade para o fornecimento de equipamentos e serviços para a produção. 

A história no Brasil é completamente distinta. A produção, desde o seu início dependeu da Petrobras que foi praticamente a única produtora por muitos e muitos anos. A estrutura logística foi inteiramente bancada pela Petrobras, que também controlava as refinarias e a comercialização dos derivados, em disputa com as grandes importadoras. Os dutos foram construídos de forma a integrar sistemas de produção médios e grandes, otimizando os poucos equipamentos existentes. A malha terrestre de escoamento foi planejada para otimizar o conjunto de poços e não cada um de por si. Sondas de perfuração sempre foram um equipamento escasso, com poucas firmas dedicadas ao investimento nesse setor. Insumos eram, na maior parte das vezes, importados, pois não havia produção nacional. Os sistemas de separação óleo-água, que se tornam cada vez mais importantes à medida em que os campos amadurecessem, eram também integrados e bancados pela grande Petrobras. 

Para agravar esse cenário, com os preços atuais de petróleo, várias técnicas de recuperação avançada de campos maduros se tornam economicamente inviáveis. O custo dos investimentos necessários para a adoção dessas técnicas exigiria das pequenas e medias empresas do Brasil uma capacidade investimentos que elas não têm. Nesse sentido, a saída da Petrobras pode significar, ao invés de aumento, uma retração de recursos gastos com exploração e produção terrestre. 

Dessa forma, os argumentos utilizados para a venda dos ativos da Bahia, do nosso ponto de vista, não dialogam com a realidade do mercado de E&P e de refino no Brasil. As comparações com casos internacionais não podem excluir diferenças tão gritantes que terão efeitos completamente distintos, caso estratégias semelhantes de outros países sejam aplicadas no Brasil.

» Leia também outros artigos do INEEP sobre Estratégias nacionais e empresariaisClique aqui

Publicado em Sistema Petrobrás

Rosângela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, criticou duramente a decisão da gestão Castello Branco de vender 50% do Polo de Marlim, na Bacia de Campos. Veja a íntegra de seu comunicado:

Complexo Marlim, definitivamente, não abriram a porteira, ela foi arrancada com a cerca junto

Dados resumidos dos campos em oferta

Novamente somos surpreendidos pela oferta de campos gigantes da Bacia de Campos, compreendidos, como a própria oferta destaca, como a maior acumulação pós-sal no Brasil, um dos ativos prioritários para a companhia, com VOIP (volume in place) acima de 20 Gbbl (bilhões de barris), prazo de concessão até 2052, localizados em águas profundas e ultra-profundas, com oportunidades no pós-sal e pré-sal. Definitivamente, não abriram a porteira, ela foi arrancada, com cerca e tudo.

Inexplicável a venda de 4 campos cuja produção atual soma 240 mil boe/dia com potencial de aumento significativo e reservatórios comprovados, e a testar em curto prazo, no pré-sal. E se pretende desfazer-se da metade de tudo isso. Em que essa decisão vai ajudar a companhia e o país?

Em que, estrategicamente, é bom para a Petrobrás concentrar suas atividades em alguns campos do pré-sal da Bacia de Santos, os mais rentáveis? Pode ser muito bom momentaneamente aos acionistas investidores, que lucrarão como em nenhum outro negócio, mas no curto prazo, pois matarão a galinha dos ovos de ouro.

Como uma gigante do petróleo pretende sobreviver gigante, concentrando suas atividades em plays geológica, logística e tecnologicamente similares, concentrando a produção em poucos campos e unidades? E se ocorrer um problema? O que torna uma empresa de petróleo gigante e resiliente, não é o lucro máximo no menor prazo, é a sua diversificação e verticalização. Os exemplos são múltiplos no planeta, não é preciso desenhar.

Como seria a Petrobrás se, ao longo de sua história, se concentrasse naquilo que domina? A resposta é simples: seria uma anã ou não existiria. Não existiria produção offshore. Seríamos um país dependente das importações de praticamente todo o petróleo e derivadosl que consumimos e as consequências disso, todos nós sabemos.

Anunciam a venda da metade de campos gigantes, com boa, lucrativa e crescente produção, acervos gigantescos de dados geológicos e geofísicos (poços, testemunhos, levantamentos 3D e 4D, etc.,) com todo seu conhecimento  agregado e mais, um atrativo que tem sido ressaltado em várias ofertas: não há obrigação de conteúdo local.

O conteúdo local foi criado para a geração de emprego e desenvolvimento tecnológico no Brasil. Isto posto, realmente a oferta é um excelente negócio: campos lucrativos, conhecimento gerado em décadas de pesquisa e investimentos e mais, sem obrigação de manter ou gerar emprego e tecnologia no Brasil.

Repito novamente a pergunta que fiz há não muito tempo para nova reflexão: a quem interessa mesmo esse negócio?


Acompanhe e participe do mandato de Rosângela, acessando suas publicaçoes na redes sociais

Além dos perfiis no Facebook e no Instagram, a conselheira da Petrobrás mantém um site oficial e lista de transmissão de whatsapp.

Confira os links:

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Instagram:

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Site:

https://rosangelabuzanelli.com.br/

Lista de transmissão pelo WhatsApp: 

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Publicado em Petrobrás Fica

Em live do Sindipetro NF no dia 09 de novembro, o diretor de Relações Institucionais da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a Petrobras deveria parar com o plano de privatizar a atividade de refino.

Pinguelli denominou a venda desses ativos como uma “jabuticaba”, algo que só tem no Brasil, pois as grandes empresas produtoras de petróleo do mundo também investem fortemente em derivados.

“Retirar parte da capacidade de refino da Petrobras é uma contradição, vai na contramão do que fazem a ExxonMobil e a Shell, que são as maiores refinadoras mundiais”, disse Pinguelli.

Segundo o especialista, em virtude das oscilações dos preços internacionais do petróleo, há momentos em que o refino tem maior lucratividade e há outros que a exploração e produção que tem mais lucratividade. “É um erro crasso. Vender refinarias é deixar a Petrobras sem lucro, desdentada”, afirmou.

Privatização sorrateira

Para o diretor da Coppe/UFRJ, o atual governo, liderado pela política na área econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, de vender ativos estatais, acaba por desarmar a Petrobras como empresa de petróleo, indo contra os interesses nacionais e ao próprio equilíbrio econômico-financeiro. Pinguelli lembrou já foram vendidos o controle da BR e um gasoduto, e o plano é vender quatro refinarias.

“É uma privatização sorrateira. O Paulo Guedes vai vendendo tudo que pode e daqui a pouco não vai sobrar nada”, disse. 

De acordo com o ex-presidente da Eletrobras durante o início do governo Lula, o Brasil atual apresenta uma “subserviência vergonhosa” em relação aos Estados Unidos que não leva em conta as necessidades do país, caso da venda de ativos da Petrobras e do 5G na telefonia móvel.

Venda de atividades lucrativas

NNo dia 10, o convidado foi o advogado da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindipetro NF Normando Rodrigues. O advogado reforçou a importância da campanha nacional Petrobras Fica! diante do atual momento do Brasil e da empresa.

“A década de 90 e hoje guardam semelhanças. A eleição de Collor se dá com um discurso neoliberal com a desconstrução do Estado e essa ideia foi reforçada com FHC. No governo fascista de Bolsonaro, a Petrobras não corre risco de ser privatizada, a empresa está sendo forçada a entregar suas atividades lucrativas ao capital privado”, afirmou.

Para Rodrigues, a Petrobras está sendo destruída tendo por trás uma estratégia intencional. “Não é um desgoverno. Existe um plano muito lógico em favor de Guedes e dos investidores transferindo ativos para o capital privado. Nenhuma empresa de petróleo grande sobrevive sem o refino”, argumentou. 

Sobrevivência da Petrobras

O advogado dos petroleiros da FUP e do Sindipetro NF classifica como “crime” a venda da BR Distribuidora. “A Petrobras não sobreviverá como empresa grande de petróleo, será uma empresa de assessoria a outras grandes petrolíferas”, disse. 

Tal venda de ativos ao capital privado, argumentou, vai piorar as condições de trabalho dos empregados. “Quando a Petrobras vende uma plataforma a uma operadora privada, 20% da força de trabalho é reduzida por causa da escala de trabalho”.

Sobre a crise econômica no Norte Fluminense devido à redução das atividades da Petrobras, ele ressaltou o fim da política de conteúdo nacional na compra de equipamentos, que afastou diversas empresas da região, com a perda de postos de trabalho. “Macaé perdeu 11 mil postos formais de trabalho por conta do fim do conteúdo local com impactos no trabalho informal. Nas eleições deste domingo, a população dos municípios do NF deveria refletir sobre os candidatos que apoiaram esse suicídio econômico na região”, afirmou Rodrigues.

Importância das eleições municipais

No dia 11, foi a vez de Roberto Moraes, professor, engenheiro, blogueiro, E pesquisador circuito petróleo-porto e do capitalismo de plataformas e finanças, que também alertou para importância das eleições municipais deste domingo. “Que a eleição de vereadores e prefeitos possa ajudar a transformar o Brasil em um país para a maioria, é importante que os trabalhadores escolham os candidatos que tenham lado sobre os seus interesses”, afirmou Moraes.

Sobre a atual política de negócios da Petrobras, que envolve a venda de ativos e a redução drástica da produção da Bacia de Campos, ele avalia que a principal questão é se é uma empresa voltada para enriquecer os acionistas ou para desenvolver o país.

“Não adianta criar facilidades para o investimento privado porque ele vai para onde a rentabilidade é maior”, disse. “Só empresas estatais podem ter a lógica de geração de riqueza e de desenvolvimento regionais”, completou.

O engenheiro falou sobre o impacto da financeirização e da atuação das plataformas digitais sobre os setores de petróleo e de portos, com a presença cada vez maior de fundos financeiros no controle das empresas.

“O processo de plataformismo só tem interesse no resultado de curto prazo e pode ser visto no setor de petróleo, como na Petrobras”, observou.

O resultado, concluiu Moraes, é a maior retirada do valor do trabalho, com a maior precarização do trabalho em um contexto em que o mercado controla a produção e descarta a regulação do Estado.

Apoio à cadeia produtiva

O especialista também comentou sobre o problema do petrorrentismo dos royalties sem levar em conta o apoio a políticas de desenvolvimento da cadeia produtiva de equipamentos e serviços do setor de petróleo por parte de parte dos governantes municipais da região do Norte Fluminense.

“Existe a economia gerada pela produção do petróleo. Em Macaé, a receita de ISS é maior que a de royalties porque tem economia do petróleo, ao contrário de Campos, que é uma economia de royalties e não vinculada diretamente à economia do petróleo”, explicou. 

Para o engenheiro, o fim da política de conteúdo nacional causou sérios estragos na economia da região. “Tendemos a ficar só com a economia dos royalties, que é menor e gera empregos de menor qualificação com salários mais baixos”, afirmou.

 [Da campanha Petrobras Fica na Bacia de Campos]

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O anúncio da venda de 50% do Polo Marlim feito pela gestão da Petrobrás é o mais novo passo para esvaziar a companhia, desvalorizá-la e transformá-la numa mera exportadora de óleo cru, aponta a federação

[Com informações do Sindipetro-NF e da campanha Petrobrás Fica na Bacia de Campos]

O anúncio do teaser de venda de 50% do Polo Marlim, na Bacia de Campos, feito pela gestão da Petrobrás nesta segunda-feira (16/11), é a mais recente confirmação de que a companhia está sendo privatizada em partes, o que vai transformar a Petrobrás numa empresa esvaziada e sem valor. Essa é a avaliação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que questiona o fato de a companhia estar vendendo um complexo de campos produtores que é o terceiro maior do país e o quarto maior das Américas, e “com um fluxo promissor de atividades futuras, incluindo a revitalização dos campos no curto prazo e potencial significativo do pré-sal”, conforme o próprio teaser de venda.

“Alegando um suposto prejuízo, que é contábil, a gestão da Petrobrás vai entregando ativos lucrativos e importantes para o resultado da empresa. Foi assim com a BR Distribuidora e com transportadoras de gás natural, está sendo assim com as refinarias e também com campos produtores de petróleo e gás. Com a venda de tantos ativos que dão lucro, o que será da Petrobrás? É por isso que afirmamos que a empresa está, sim, sendo privatizada, mas privatizada aos pedaços. Nesse ritmo, não vai sobrar nada da Petrobrás, que vai ser tornar uma empresa pequena e mera exportadora de petróleo cru, sujeita a perdas imensas com o sobe-e-desce das cotações internacionais de petróleo”, reforça Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.

Apenas entre fevereiro e agosto deste ano, a gestão da Petrobrás colocou à venda 382 ativos, segundo levantamento do Sindicato dos Petroleiros Unificado de São Paulo (Sindipetro Unificado). A lista inclui 41 campos terrestres, 12 campos de águas rasas, 39 plataformas e nove blocos exploratórios. Na infraestrutura de gás natural, inclui a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e a Gaspetro, que participa de 19 distribuidoras de gás, que, juntas, somam 12 mil quilômetros de dutos, bem como cinco dutos de escoamento de plataformas e oito Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN). Sem falar em termelétricas, usinas eólicas e a Petrobras Biocombustíveis – PBIO.

“Se isso não é um desmonte da Petrobrás, como devemos chamar? Já está muito claro que o objetivo é gerar lucro imediato para acionistas e tirar toda a sustentabilidade da empresa para o futuro”, completa Bacelar. 

PREOCUPAÇÃO NO NORTE FLUMINENSE

A venda do Polo Marlim não preocupa apenas a FUP e seus sindicatos, mas também gerou reações de lideranças empresariais e sindicais e economistas do Norte Fluminense, que abriga a Bacia de Campos e que vem sofrendo um esvaziamento econômico desde 2018, quando a Petrobrás intensificou a venda de campos e plataformas na região. Somente Campos dos Goytacazes e Macaé perderam 41.500 postos de trabalho nos últimos quatro anos.

“Na minha visão, o que se apresenta no momento seria uma situação de cessão de 50% num prazo de 32 anos, para manter as garantias de produção com a manutenção de operação. Agora, tudo tem um preço, plataformas serão substituídas por FPSOs, que certamente não irão absorver toda esta mão-de-obra, acarretando mais um impacto na economia, principalmente da nossa região”, afirmou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), o empresário Leonardo Castro de Abreu.

Mestre em políticas públicas, estratégia e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o economista Ranulfo Vidigal disse que o anúncio faz parte da estratégia de priorizar o investidor detentor de títulos da Petrobrás, em detrimento da visão estratégica nacional de longo prazo que permeia as grandes empresas públicas de óleo e gás. “A busca por lucros de curto prazo pode custar graus de soberania e empregos, notadamente no Norte Fluminense carente de oportunidades produtivas”, observou.

Na visão do engenheiro e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Roberto Moraes, segue em velocidade acelerada a desintegração da Petrobrás com o fatiamento e o desmonte de suas unidades de maior valor, que estão sendo vendidas a preço de “final de feira”, no momento de baixa do preço do petróleo e ativos do setor. “Entrega das unidades que estão prontas, em funcionamento e gerando lucros, para serem controladas pelos fundos financeiros estrangeiros que já comandam outras petrolíferas. Assim, a Petrobrás que explorou, descobriu e colocou em produção os gigantes campos e potentes bacias de Campos, Santos e o pré-sal, agora entrega a preço de xepa suas descobertas e seus ativos. E o pior, esses dirigentes criminosos a serviço dos interesses a quem representam, vão assim deixando para a Petrobrás a parte mais onerosa, que é a de seguir explorando áreas offshore, águas muito profundas, inovando em tecnologias, equipamentos, protocolos e expertise de técnicos, para depois entregarem tudo de bandeja, a preço de xepa, aos fundos financeiros. Isso é crime de lesa-pátria, não há outro nome”, criticou Moraes.

“É um absurdo a Petrobras vender ativos lucrativos, que geram emprego e renda para o Norte Fluminense. A atual política de desinvestimentos da companhia tem impacto direto na economia de Campos e Macaé, que, em apenas quatro anos, tiveram quase 41.500 pessoas perdendo seus empregos”, confirmou Tezeu Bezerra, coordenador geral do SindipetroNF. Entre 2015 e 2019, foram perdidos 11.598 empregos formais em Campos e 29.868 empregos formais em Macaé, como apontam dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho. 

SOBRE O POLO MARLIM

Segundo o teaser divulgado pela Petrobrás, o Polo Marlim compreende quatro concessões de produção localizadas na Bacia de Campos. A Petrobras é a operadora dos campos, com 100% de participação.

Os campos de Marlim e Voador ocupam área de 339,3 km2 e estão localizados em águas profundas, com lâmina d’água entre 400 m e 1.050 m, a cerca de 150 km de Macaé, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Marlim e Voador compartilham a infraestrutura de produção e, entre janeiro e outubro de 2020, produziram em média 68,9 mil barris de óleo e 934 mil m3/dia de gás por dia.

O campo de Marlim Leste está situado a leste do campo de Marlim, a uma distância de cerca de 107 km do Cabo de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, em águas profundas e ultraprofundas, com lâmina d’água que varia de 780 m a 2.000 m. De janeiro a outubro de 2020, Marlim Leste produziu, em média, 38,5 mil barris de óleo por dia e 615 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Sul, está situado ao sul dos campos de Marlim e Marlim Leste, a uma distância de cerca de 90 km do litoral norte do Rio de Janeiro, localizado em águas profundas e ultraprofundas, em lâmina d’água que varia de 800 a 2.500 m. Produziu em média, de janeiro a outubro de 2020, cerca de 109,6 mil barris de óleo por dia e 2,062 milhões de m3/dia de gás.

Publicado em Petrobrás Fica
Segunda, 16 Novembro 2020 14:21

Petrobrás coloca Polo de Marlim à venda

A atual gestão da Petrobrás segue no seu propósito de desmantelamento total da sua atuação na Bacia de Campos.  A estatal começou com a venda de campos com a produção considerada como relativamente pequena e com baixa perspectiva de crescimento, como foi o caso de Pargo, Carapeba e Vermelho. No final de setembro anunciou a venda de Albacora e Albacora Leste que estão entre os maiores produtores da Bacia de Campos. E agora quer vender 50% do restante da Bacia de Campos.

Anunciou hoje (16/11) a venda de 50% de sua participação nas concessões de Marlim, Voador, Marlim Leste e Marlim Sul, denominadas em conjunto como Polo Marlim, localizadas em águas profundas na Bacia de Campos.

Apesar da Petrobras afirmar que se manterá como operadora dos campos, o Sindipetro-NF é contrário a venda de mais um Polo lucrativo e com possibilidades de resultados positivos futuros para a empresa e o terceiro maior do país. Como o próprio teaser apresenta “o Complexo de Marlim é o 3º maior do Brasil e o 4º maior das Américas (offshore) em termos de produção, com um fluxo promissor de atividades futuras, incluindo a revitalização dos campos no curto prazo e potencial significativo do pré-sal”.

A diretoria do Sindipetro-NF se reúne hoje para decidir as futuras ações em relação a mais essa venda na Bacia de Campos. “Não vamos aceitar que esse governo continue aproveitando a pandemia para “passar a boiada” e entregar nosso patrimônio público num momento de fragilidade da população brasileira e a impossibilidade de ir às ruas” – disse o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

Sobre o Polo Marlim

Como divulgado pela Petrobras no teaser, o Polo Marlim compreende 4 concessões de produção localizadas na Bacia de Campos. A Petrobras é a operadora dos campos com 100% de participação.

Os campos de Marlim e Voador ocupam uma área de 339,3 km2 e estão localizados em águas profundas, com lâmina d’água que varia entre 400 m e 1.050 m, a uma distância de cerca de 150 km de Macaé, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Marlim e Voador compartilham a infraestrutura de produção e, entre janeiro e outubro de 2020, produziram em média cerca de 68,9 mil barris de óleo por dia e 934 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Leste está situado a leste do campo de Marlim, a uma distância de cerca de 107 km do Cabo de São Tomé, localizado em águas profundas e ultra profundas, com lâmina d’água que varia de 780 m a 2.000 m. De janeiro a outubro de 2020, Marlim Leste produziu, em média, 38,5 mil barris de óleo por dia e 615 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Sul, está situado ao sul dos campos de Marlim e Marlim Leste, a uma distância de cerca de 90 km do litoral norte do Rio de Janeiro, localizado em águas profundas e ultra profundas, em lâmina d’água que varia de 800 a 2.500 m e produziu em média, de janeiro a outubro de 2020, cerca de 109,6 mil barris de óleo por dia e 2.062 mil m3/dia de gás.

[Via Sindipetro-NF]

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