27 de dezembro de 1998: um vazamento de nafta na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, matou cinco pessoas e deixou outras várias feridas. O acidente aconteceu durante uma parada de manutenção na unidade de hidrotratamento de querosene, ao mesmo tempo em que ocorria a partida de outra unidade.

Segundo relato de petroleiros que estavam na refinaria no dia do acidente e já se aposentaram, o vazamento aconteceu próximo ao local onde era realizado um serviço de solda. Isso foi suficiente para que a nafta – subproduto do petróleo que é altamente inflamável – pegasse fogo e que as chamas rapidamente se alastrassem pelo setor.

José Afonso de Carvalho, que era supervisor da empresa Potencial, morreu no local. André Neves dos Santos, Nilson Bispo Soares e Ricardo Luís da Silva Ferreira, também da Potencial, chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos. Também faleceu em decorrência acidente o empregado próprio José Carlos Campos Cordeiro da Silva.

De acordo com o aposentado João Beato, que estava trabalhando na parada de manutenção quando ocorreu o acidente e ajudou a socorrer algumas das vítimas, o fato deixou lembranças difíceis de serem esquecidas.“Era uma época muito difícil, como agora. E a Petrobrás queria que eu ficasse ainda mais um tempo, mas depois que vi aquilo ali eu vi que não dava mais. Quanto mais rápido eu conseguisse me aposentar, melhor seria, e me aposentei em 1999. A gente tinha medo de ficar e morrer também”, relatou.

Conforme reportagens da época, das nove unidades operacionais da Regap, oito estavam passando por manutenção. Isso fez com que a refinaria reduzisse a sua produção de 23 mil m³ de combustível por dia pela metade. A parada de manutenção teria tido início no dia 10 de novembro e deveria terminar em 6 de janeiro.

“Depois do fato, as pessoas queriam saber o que aconteceu, mas aí não adiantava mais. Não adianta apontar culpados. A culpa foi do sistema porque todo mundo queria fazer bem feita a parte dele, querendo bater recorde, e aí aconteceu o que aconteceu. Na tentativa de ganhar um dia e partir a unidade um dia antes, nós acabamos perdendo 27 dias e cinco vidas”, afirmou José Beato.

 

Após a tragédia, a Delegacia Regional do Trabalho de Minas Geraus (DRT-MG) abriu uma investigação para apurar as causas do acidente e também interditou algumas unidades da Regap. O órgão informou que, à época do acidente, a Refinaria teria quase 2 mil operários de empreiteiras contratados para fazer o trabalho de manutenção em oito das nove unidades da refinaria. Também foi apurada a informação de que eles estariam excedendo a jornada regular de trabalho, chegando a trabalhar até 30 dias sem descanso, e uma média de 14 horas ao dia.

Segundo o presidente do Sindipetro/MG à época, Márcio Nicolau Machado, o acidente na Regap foi consequência de uma série de irregularidades na operação da refinaria que já vinham sendo denunciadas pelo Sindicato há algum tempo. “Nós montamos um dossiê das condições de trabalho e de todos os acidentes anteriores àquele registrados na Regap e entregamos ao Ministério Público de Minas Gerais e ao Ministério Público do Trabalho em maio daquele mesmo ano, mas nenhuma providência foi tomada”, disse.

Márcio Nicolau recorda ainda que o Ministério Público Estadual a partir do dossiê do Sindipetro/MG, abriu uma investigação que durou alguns anos e resultou em uma série de medidas sobre o que a gestão da Regap deveria e o que não deveria fazer, sob pena de multa e outras penalidades. Também foi aberto um inquérito policial para apurar as causas das mortes.

“‘Na Regap, há uma diferenciação evidente: a administração, que segue a cartilha neoliberal, só pensa em garantir privilégios, enquanto liquida os direitos dos trabalhadores. Assim, salário digno e condições de trabalho são tratados como supérfluos, pois, para a empresa, o que importa é o lucro e o aumento dos privilégios dos parasitas’. Essas frases poderiam descrever o que acontece agora na Regap mas, na verdade, elas foram retiradas de um boletim do Sindicato publicado em dezembro de 1999, mas que tratava da conjuntura do acidente de 1998. Fico triste em ver essa conjuntura retornar à nossa realidade agora e, mais uma vez, essa situação se comprovar com o aumento de acidentes na refinaria”, disse o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindipetro/MG, Alexandre Finamori.

[Via Sindipetro-MG]

 
Publicado em Sistema Petrobrás

Um incêndio de grandes proporções atingiu a Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, na tarde desta segunda-feira (17). Os bombeiros levaram duas horas para controlar o fogo. Não houve nenhum ferido.

Segundo informações preliminares da refinaria, o incêndio teria começado em um dos caminhões na área de descarga, no local onde o combustível é retirado dos veículos.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, o fogo começou às 13h30. Imagens da redes de televisão mostraram caminhões combustíveis estacionados na área em chamas.

Três quartéis do Corpo de Bombeiros foram acionados por volta das 13h40. Por volta das 14h40, os bombeiros informaram que não havia feridos.

Os bombeiros atuaram na área das chamas mais altas tentando fazer o resfriamento com espuma e água. Por volta das 15h, as chamas já estavam mais baixas e era possível ver uma cobertura branca de espuma na área do incêndio.

Os Bombeiros orientaram moradores do entorno da refinaria a deixar suas casas preventivamente. Várias comunidades ficam no entorno. As imagens mostram que o fogo era visto a quilômetros de distância. 

[Com informações das agências de notícias]

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A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados Federais realizou nesta terça-feira (04) audiência pública onde ficou clara a importância estratégica do refino de petróleo para o país e para a Petrobrás. Fruto de requerimento de autoria dos deputados Bohn Gass (PT/RS) e Leonardo Monteiro (PT/MG), o debate deverá reunir especialistas do setor, membros do governo e representantes dos sindicatos dos petroleiros.

A Brigada Petroleira, que vem atuando em Brasília contra o PLC 78, acompanhou o debate, onde a FUP foi representada pelo diretor Dary Beck Filho. Também participaram da audiência o representante da AEPET, Felipe Campos Cauby Coutinho e o Secretário Geral da FNP, Adaedson Bezerra da Costa.

#OPetroleoEdoBrasil

Foram convidados ainda para o debate o ex-consultor da Câmara dos Deputados para petróleo e energia, Paulo César Ribeiro Lima, representantes do Ministério de Minas e Energia, Moreira Franco, da direção da Petrobras e do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra – INEEP.

Importância do Refino

Ao solicitar a audiência pública, os deputados petistas Bohn Gass e Leonardo Monteiro ressaltam a importância do fortalecimento da política refino no país, que consiste no conjunto de processos destinados a transformar o petróleo bruto em derivados, como gasolina e óleo diesel. “O refino é vital para que se garanta o abastecimento do país. Por esse motivo, é estabelecido constitucionalmente a garantia do fornecimento dos derivados de petróleo em todo o território nacional. As atividades de refino e logística não são importantes apenas para o Brasil e para a Petrobrás; elas são fundamentais para todos os países e para as grandes empresas petrolíferas, privadas ou estatais”, afirmam os autores do requerimento.

Os parlamentares manifestaram preocupação com a possível privatização do setor pela Petrobras e defendem um amplo debate nacional sobre o tema. “Os desinvestimentos em refino distanciariam a Petrobras de seu objeto social, que tem foco na integração das atividades e na cadeia de agregação de valor”, destacaram.

Assista a integra da audiência:

 

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Terça, 04 Dezembro 2018 14:39

Fogo: desmonte deixa refinaria em chamas

Os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, passaram por um grande susto na manhã desta terça-feira, 04, durante um incêndio que atingiu uma torre da unidade de Coqueamento Retardado (U-21). A emergência teve início por volta das 06h40 e só foi controlada às 09h, após o fogo ser debelado. Por sorte, ninguém se feriu durante o acidente, que ocorreu menos de quatro meses após a grave explosão que atingiu a Replan na madrugada de 20 de agosto.

A Petrobrás informou que a unidade atingida pelo incêndio está paralisada. A Abreu e Lima é uma das refinarias que está na mira dos gestores para ser privatizada e tem sofrido uma série de problemas em função dos desinvestimentos. “Acidentes como este são consequência de redução de efetivos e falta de manutenção, além de outros problemas graves de gestão”, revela o coordenador do Sindipetro-PE/PB, Rogério Almeida.

 

Não é de hoje que a FUP e seus sindicatos vêm alertando a Petrobrás para os riscos de um grande acidente industrial nas unidades operacionais, em função dos cortes de efetivos e do desmonte que a empresa vem passando. A situação foi agravada após a saída de cerca de 20 mil trabalhadores nos planos recentes de desligamento (PIDV), que levaram os gestores a implantarem de forma unilateral estudo de reestruturação de efetivos (Organização e Métodos -O&M), que reduziu ainda mais os quadros de trabalhadores nas áreas operacionais. 

A redução de efetivos gerou um déficit imenso de técnicos de operação, de manutenção e de segurança, comprometendo os processos de manutenção. As paradas foram reduzidas e, quando ocorrem, não há o devido acompanhamento dos técnicos da Petrobrás por falta de trabalhadores próprios. As refinarias foram as unidades mais afetadas e se transformaram em bombas-relógio.

[FUP]

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Em artigo publicado na edição brasileira do jornal francês Le Monde Diplomatique, o diretor da FUP, Alexandre Finamori, explica porque a Petrobras passou a importar, demasiadamente, derivados de Petróleo, demonstrando que a empresa tem plena capacidade de suprir o abastecimento nacional

Leia a íntegra:

Nos recentes eventos ocorridos no Brasil – greve dos caminhoneiros e greve do petroleiros – a política de preços aplicada pela Petrobras e a produção nacional de óleo diesel tomaram proporções de debate público. Mesmo bombardeada com informações falsas sobre a necessidade de importação, por falta de capacidade em nosso parque de refino, a população brasileira se posicionou contra as privatizações e a favor de uma intervenção do Estado na política de preço da Petrobras.

Conforme pesquisa do Datafolha divulgada em 11 de junho, 68% dos brasileiros são contra a política de reajustes de combustíveis utilizada atualmente pela Petrobras, a qual atrela os valores domésticos à variação internacional do barril de petróleo e à variação interna do preço do dólar. Antes, em 5 de maio, esse mesmo instituto de pesquisa apontou que 74% da população é contra a venda da Petrobras para empresas estrangeiras.

O que fica como um questionamento para a sociedade é se a Petrobras conseguiria alçar a posição de empresa com capacidade de suprir todo o abastecimento nacional de óleo diesel, não necessitando – dessa forma – recorrer à importação.

É desse ponto em específico que queremos tratar nessa reflexão. Por que a Petrobras passou a importar, demasiadamente, derivados de Petróleo? Ela não teria capacidade interna de suprir o abastecimento nacional?

Os dados que trazemos abaixo demonstram a produção total nas refinarias brasileiras, o consumo de diesel total e a importação total de óleo diesel dos últimos dez anos.

A partir dos dados acima, percebe-se que para atendimento anual das nossas necessidades de consumo interno de diesel, temos que recorrer à importação de cerca de 10% do nosso consumo total. Ocorre que o central desse debate é que nós não estamos operando no refino com capacidade total!

É importante ressaltar que esses valores de produção não são os valores máximos possíveis, as refinarias estão trabalhando muito abaixo da capacidade máxima, isso se reflete em um fator de utilização, que avalia qual percentagem da capacidade máxima ela está trabalhando. Podemos, ainda com dados da ANP, recuperar o fator de utilização desses períodos e, considerando um fator de 95%, valor abaixo do máximo já praticado (98%), calcular o que chamaremos de produção possível.

Outro fato que contribui mais positivamente para referendar nossa tese de que a Petrobras pode produzir o necessário para nosso consumo interno é a inserção do biodiesel na mistura do óleo diesel. Essa mistura teve início em 2004, com sua obrigatoriedade ocorrendo em 2005 com um teor de 2% e aumentando gradativamente até chegar a 8% em 2017. Chamaremos de “produção nacional possível de óleo diesel” a “produção possível levando em conta a capacidade produtiva em 95%” acrescentada da inserção do biodiesel.

Comparando a capacidade produtiva de óleo diesel, considerando os avanços obtidos com investimentos no parque de refino e a incorporação do biodiesel, e o consumo nacional, chegamos à clareza que é possível abastecer o mercado interno com a produção das refinarias nacionais.

No momento anterior às greves dos caminhoneiros e dos petroleiros e petroleiras, a produção no parque de refino nacional estava próximo a 68% da capacidade produtiva. Nesse momento já estávamos batendo recorde na importação de derivados de petróleo e avançando na exportação de óleo cru.

Ou seja, a pergunta que precede nosso debate deveria ser: Por que a Petrobras tem operado com capacidade ociosa no refino de derivados e aberto mão da possibilidade de garantir o abastecimento nacional sem recorrer às importações?

Para nós, a resposta a essa questão só pode ser compreendida dentro de um projeto mais geral, que envolve a desestruturação da Petrobras, mediante políticas que enfraquecem seu peso político e econômico no desenvolvimento nacional. Um dos principais pilares de enfraquecimento da companhia é a comercialização de ativos fixos, como a anunciada venda de 40% do controle do refino nacional.

Ou seja, a política de preços praticada pela Petrobras só tem como objetivo possibilitar as privatizações, pelo aumento da concorrência interna e a retirada de qualquer possibilidade do Estado intervir em um setor tão estratégico para o país.

A Petrobras, com seu parque de refino e a exploração do pré-sal, pode atender a demanda nacional de combustíveis e nos tornar um país com soberania energética, podendo assim suavizar na indústria nacional e no bolso dos consumidores as variações do petróleo e do dólar. A política de preço da Petrobras não pode ter como objetivo o desmonte da própria empresa, privatizações e o ataque aos interesses de seu sócio majoritário, a população brasileira. A política de preços de uma empresa estratégica como a Petrobras tem que ter como objetivo central um projeto de desenvolvimento nacional e de curto, médio e longo prazo.

Publicado em Petróleo
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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