Há 10 anos, um dos piores ataques sofrido pelos petroleiros no governo FHC, finalmente se revertia, após uma década de luta. No dia 13 de dezembro de 2010, foi anunciado a aquisição integral da Refap pela Petrobrás. Fruto de uma decisão política, o processo que resultou na reestatização da Refap iniciou com a eleição do governo Lula, que interrompeu as desenfreadas privatizações que vinham acontecendo desde 1995. Na época, para atender as exigências de uma legislação ambiental que reduzia a quantidade máxima de enxofre nos combustíveis, precisava fazer investimentos, avaliado em R$ 1,6 bilhão, para a construção de uma unidade de hidrotratamento. Pressionados a investir, os espanhóis da Repsol não queriam mais colocar dinheiro na refinaria, o que obrigaria a refinaria parar... 

Esta é uma parte da história que será relembrada na LIVE do dia 15/12, às 19h, que terá a participação de alguns atores daquela época no processo de retorno da Refap ao Sistema Petrobrás e cujo resgate se faz decisivo neste momento, em que a Refinaria está sob grave ameaça de privatização, agora em 100%. Participarão também os deputados responsáveis pelas comissões parlamentares estadual -  Pepe Vargas -  PT-  e Nacional - Elvino Bonh Gass - PT.  A mediação será com o jornalista Juremir Machado. 

A participação dos petroleiros é fundamental! Assista pelo Facebook (sindipetro.rs) ou pelo Youtube: sindipetrors.

[Da imprensa do Sindipetro-RS]

Publicado em Sistema Petrobrás

Em nota, eletricitários, federações e centrais sindicais (entre elas, a FUP), parlamentares e movimentos sociais alertam que em menos de 10 anos sob controle privado, a Subestação de Macapá explodiu, incendiou, colapsou e deixou população sem luz por 22 dias

[Foto: Rudja Santos/Amazônia Real]

Apagão no Amapá é colapso da privatização. Com essa chamada, a nota divulgada nesta quinta-feira, 03/12, por mais de 50 entidades e parlamentares denuncia o caos que tomou conta do Amapá, em função do apagão de 22 dias, que deixou sem energia elétrica cerca de 210 mil residências e outras unidades consumidoras. 

As entidades colocam a conta dessa tragédia anunciada na privatização. Elas ressaltam que a subestação de Macapá, que em menos de 10 anos de concessão sob controle privado explodiu, incendiou e colapsou, pertence a uma sociedade empresarial chamada de “Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE)”, controlada pelo capital financeiro internacional.

A nota também indica o que precisa ser feito para evitar novos apagões no futuro, ter energia a preços menores e serviços de boa qualidade. “Será necessária uma profunda reorganização da indústria de eletricidade, sob serviço e controle público, com soberania e distribuição da riqueza, além de uma reforma radical nas estruturas de Estado que atualmente estão a serviço do capital financeiro. Só assim seremos capazes de superar as estruturas hegemônicas de mercado e colocar a vida acima do lucro. Água e energia não são mercadorias!”.

Leia a íntegra:

Apagão no Amapá é colapso da privatização

No dia 03 de novembro de 2020, o transformador da Subestação de Macapá/Amapá explodiu causando o apagão mais longo da história brasileira. Cerca de 210 mil unidades consumidoras foram atingidas pela falta de luz. O apagão no Amapá deixou a população do estado sem luz por 22 dias.

Em menos de 10 anos de concessão sob controle privado a Subestação de Macapá explodiu, incendiou e colapsou.

Passado o apagão, o problema no Amapá revelou que a energia produzida em seu território não é para o povo. Enquanto o estado está exportando grandes volumes de eletricidade ao centro do país, a população estava sem luz. A causa não foi falta de energia gerada nas usinas, mas o colapso das estruturas sucateadas de uma subestação privatizada.

Documentos internos dos órgãos oficiais do governo, inclusive da Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), indicavam a necessidade de ter quatro grandes transformadores na subestação, sendo que três deveria funcionar plenamente e um de reserva. Cada um com capacidade de 150 MVA (megavolt-ampères). Porém, a máquina de reserva não existia, outra estava estragada desde 2019, uma terceira funcionava parcialmente e apenas um transformador funcionava adequadamente. A ANEEL sabia do problema, mas blindou a companhia privada, que seguia recebendo pagamento integral pelo serviço.

O apagão é o resultado da privatização e da forma como foi organizado o modelo energético de mercado, controlado por empresas transnacionais, bancos e fundos de investimentos internacionais que busca o lucro acima de tudo. Lamentavelmente, em meio a um apagão ocasionado pela privatização, o governo federal e governadores estão querendo privatizar várias empresas, o que vai acelerar o caos e o colapso do setor elétrico, como tem sido os casos de tentativa de privatização da CEB (Distrito Federal), da CEEE (Rio Grande do Sul), do Sistema Eletrobras, entre outros. Por isso, é urgente, necessário e obrigatório o cancelamento imediato desses processos de privatização.

Os organismos de Estado e de direito privado como ANEEL, Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Operador Nacional do Sistema (ONS) e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) foram capturados e transformados em instituições de defesa, proteção e blindagem dos interesses privados de empresas e bancos nacionais/internacionais que dominam o setor elétrico nacional.

Vale destacar que a subestação de Macapá pertence a uma sociedade empresarial chamada de “Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE)”, controlada pelo capital financeiro internacional. Inicialmente pertencia desde 2008 à empresa espanhola Isolux, que foi à falência em 2017. Assim, a subestação foi transferida para outro grupo internacional, a Gemini Energy, que está sendo gestada por fundos financeiros internacionais e agencias de consultoria que ninguém consegue saber ao certo quem são os atuais e verdadeiros donos e nem seus responsáveis. Essa é a face parasitária do capital financeiro no setor elétrico.

Desde 2008, a empresa recebia anualmente uma receita de R$ 135 milhões (ano base 2020), para oferecer serviços de elevada qualidade das linhas de transmissão e subestações ao longo dos 30 anos de sua concessão (2008 – 2038). Porém, na busca do lucro máximo a empresa colocou equipamentos de baixa qualidade que, em menos de dez anos virou sucata.

Frente a incapacidade do setor privado resolver o problema, o governo teve que pedir socorro para uma estatal, a Eletronorte, que pertencente ao sistema Eletrobrás e que o próprio governo deseja privatizar.

A solução apresentada pelo governo Bolsonaro, por meio do MME, foi fazer o povo pagar a conta do impacto do apagão. O prejuízo poderá chegar a R$ 360 milhões de custo extra, referente à contratação de energia térmica.  

A Portaria Federal nº 406, de 6 de novembro de 2020, assinada pelo MME autoriza a contratação de até 150 MW por até 180 dias de energia térmica, sendo que 40 MW de imediato, custo extra que será transferido e cobrado integralmente de todos os consumidores residenciais brasileiros na forma de aumentos futuros nas contas de luz.

Se essa energia for contratada no Mercado de Curto Prazo (MCP) via Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) terá alto custo. Conforme boletim semanal da CCEE, a tarifa de comercialização por meio deste mecanismo na Região Norte está em R$ 559,75/MWh. A contratação dos 40 MW de térmicas vai causar um custo de R$ 96,7 milhões, equivalente a R$ 550,00/residência do estado do Amapá. Mas rombo aos consumidores poderá chegar a 360 milhões de reais , o que equivaleria a R$ 2.000,00/consumidor, equivalente a um ano de consumo médio de uma família no estado. Este é o impacto do apagão no bolso do povo.

Mas o fato mais perverso da privatização revelou que, enquanto a população sofre as consequências do apagão mais longo da história, o Amapá produz e exporta energia de quatro hidrelétricas a outros estados brasileiros. As 207 mil unidades consumidoras da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), no ano de 2019 consumiram 1.068.105 MWh (122 MWmédios), no entanto as quatro hidrelétricas (Jari; Ferreira Gomes; Cachoeira Caldeirão e Coaracy Nunes) com capacidade instalada de 942 MW, possuem garantia física para produzir ao longo do ano de 5.150.880 MWh (558 MWmédios), ou seja, 4,5 vezes mais.

Vale destacar que em pleno apagão, do dia 03 ao dia 19 de novembro, mesmo em período seco essas usinas chegaram a produzir diariamente cerca 260 MWmédios, o dobro do consumo estadual, energia que foi para fora do estado. O excedente de energia é canalizado ao SIN por meio de uma Linha de Transmissão que passa inclusive sobre a capital Macapá. Como é de fonte hidráulica possui um dos menores custos de produção, inclusive a usina de Coaracy comercializa a R$ 70,00/MWh, oito vezes mais barato. A energia de menor custo vai para fora e o povo do amapaense é obrigado pagar caro por energia térmica de empresas privadas. A questão não é falta de energia, mas o colapso do sistema privatizado que coloca o lucro acima da vida.

Portanto, o que aconteceu em Macapá pode ser a ponta do que está por vir nos demais estados brasileiros. 

O fato é que o apagão revelou um problema estrutural do modelo energético brasileiro. Os serviços privatizados reduzem investimentos, cobram caro pela energia, não entregam a qualidade do serviço prometido e com o tempo, o sistema entra em colapso.  Ao final, o conserto precisa ser realizado por empresas públicas e o povo é obrigado a pagar a conta.

Mesmo pagando uma das tarifas mais altas do mundo o sistema privatizado não entrega o que promete. Essa é a verdade.

Por isso, para evitar novos apagões no futuro, ter energia a preços menores e serviços de boa qualidade será necessária uma profunda reorganização da indústria de eletricidade, sob serviço e controle público, com soberania e distribuição da riqueza, além de uma reforma radical nas estruturas de Estado que atualmente estão a serviço do capital financeiro. Só assim seremos capazes de superar as estruturas hegemônicas de mercado e colocar a vida acima do lucro.

Água e energia não são mercadorias!

Assinam:

Frente Brasil Popular

Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE)

Associação dos Artesãos do Divino Espírito Santo (Amapá)

Associação de Empregados da Eletrobras (AEEL)

Associação Nacional dos Empregados da Dataprev (ANED)

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

Clínica de Direitos Humanos da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)

Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE)

Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Comitê de Luta Contra as Privatizações e em Defesa do Povo Brasileiro

Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ)

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)

Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU)

Consulta Popular

Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil)

CUT Amapá

Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (CONTRACS)

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI)

Deputado estadual Paulo Lemos (PSOL-AP)

Federação dos Trabalhadores Interestadual Urbanitários do Norte (FTUN)

Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo (FTIUESP)

Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)

Federação Regional dos Urbanitários Centro‐Oeste

Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste (FRUNE)

Federação Regional dos Urbanitários do Sul (FSU)

Federação Única dos Petroleiros - FUP (Sindipetro AM; Sindipetro CE/PI; Sindipetro RN; Sindipetro PE; Quimicos e Petroleiros da BA; Sindipetro MG; Sindipetro ES; Sindipetro Caxias; Sindipetro NF; Sindipetro Unificado SP;  Sindipetro PR/SC; Sindipetro RS);

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE)

Força Sindical

Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental

Intercel

Intersul

Instituto Madeira Vivo (IMV)

Levante Popular da Juventude

Movimento Camponês Popular (MCP)

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)

Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)

Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST)

Observatório do Saneamento Básico da Bahia

Padre Sisto Magro (CPT Amapá)

Partido Comunista do Brasil (PC do B)

Partido dos Trabalhadores (PT)

Partido Socialismo e Liberdade (Psol – Diretório Estadual do Amapá)

Pastoral da Juventude Rural (PJR)

Pastorais Sociais do Amapá

Rede Eclesial Pan-Amazônica do Amapá (REPAM)

Senador Randolfe Rodrigues - Amapá (Líder da Rede Sustentabilidade no Senado Federal)

Senge BA

Senge PR

Senge RJ

Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto da Bahia (SINDAE)

Sindicato dos Administradores do Estado do Rio de Janeiro (SINAERJ)

Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Instituições de Pesquisa Agropecuária e Florestal (SINPAF)

Sindieletro-MG

SINDUR-RO

Sinergia CUT

STIU-AP

STIU-DF

União Geral dos Trabalhadores (UGT)

União de Negras e Negros Pela Igualdade (UNEGRO)

União Nacional dos Estudantes (UNE)

Publicado em Movimentos Sociais

Principal objetivo é gerar valor para os acionistas, por meio da redução das atividades da empresa e foco na exportação de óleo cru 

[Da imprensa do Sindipetro-BA \ Texto: Carol Athayde | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

Ao anunciar o plano estratégico 2021/2025 da Petrobrás, a diretoria comandada por Castello Branco destacou que o principal objetivo será gerar valor para os acionistas, por meio da redução das atividades da empresa. Para isso, prometeu distribuir cerca de US$ 35 bilhões em dividendos aos acionistas nos próximos cinco anos e arrecadar, no mesmo período, US$ 35 bilhões com vendas de ativos.

A estatal informou também uma previsão de investimentos de US$ 55 bilhões, sendo que 84% deles focados na Exploração e Produção de Petróleo e Gás (E&P) e, prioritariamente para o pré-sal, que terá US$ 32 bilhões dos US$ 46 bilhões destinados ao E&P.

Seguindo com o seu plano de concentrar seus investimentos no pré-sal, a Petrobrás reduz outros investimentos e abre mão de ativos preciosos e muito importantes para o Brasil, como o refino, a exploração de petróleo em terra e em águas rasas, termoelétricas, usinas de biodiesel, fábricas de fertilizantes, transporte e sistema de dutos.

“É uma decisão que segue na contramão do mundo do petróleo, enquanto grandes petrolíferas estão diversificando, ampliando e integrando seus ativos e atividades, o governo brasileiro e a Petrobrás decidem se apequenar e se manterem na rota da dependência energética internacional, desprezando toda a integração e agregação de valor, existentes no Sistema Petrobrás”, relata Leonardo Urpia, vice-presidente da CUT Bahia.

Assim, a gestão da Petrobrás favorece a exportação de petróleo bruto e importação de derivados com maior valor agregado. De acordo com o blog Fazcomex, em 2019, o Brasil importou 3.625.620 toneladas de gasolina e exportou 2.239.886 toneladas. Os países que mais exportam gasolina para o Brasil são os Estados Unidos, em primeiro lugar, seguido da Holanda e Bélgica.

O Coordenador Geral da FUP, Deyvid Bacelar, ressalta que “a partir de 2016, momento em que Pedro Parente mudou o plano de negócios e a política de preços da Petrobrás, aplicando o famigerado PPI – Preço de Paridade de Importação, alterando os preços de todos derivados de petróleo no Brasil de acordo com o valor do barril de petróleo no mercado internacional, o dólar e os custos de importação de derivados – nos governos Temer e Bolsonaro -, a gasolina e o diesel chegaram a ter aumentos semanais e o preço do GLP (gás de cozinha), há muito tempo, não cabe no bolso da maioria dos consumidores”.

Para o economista e técnico do DIEESE, Cloviomar Cararine, é um acinte ao povo brasileiro, a Petrobrás vender derivados a preços internacionais, “como se não produzíssemos petróleo”. O economista ressalta que o Brasil é um grande produtor de petróleo, com imenso parque de refino (são 13 as refinarias da Petrobrás), diferente de outros países. “Quando a Petrobrás vende ativos, concessão de reservas de petróleo, ou derivados mais caros aos brasileiros, está vendendo parte do que a população acumulou, pois essa é uma empresa estatal e tem décadas de investimentos da população nela”.

Desvio de finalidade

Criada em 1953, por meio de lei, com as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos, a Petrobrás, sob a direção do governo Bolsonaro/Guedes/Castello Branco, vem se desviando, de forma abrupta, dos fins para o qual foi concebida. De acordo com princípios defendidos pelo Sindipetro Bahia e FUP, através de ações jurídicas contra a privatização da estatal, propostas pelo Escritório Advocacia Garcez, “a Companhia, que tem capital aberto, deve levar em consideração os interesses dos acionistas, mas não só esses. A estatal tem de prezar também pelo interesse público e a coletividade nacional, caso contrário, o seu caráter público deixa de existir”.

Administrar com responsabilidade social garantindo à população acesso aos produtos que produz é uma das obrigações da estatal. “Mas a julgar pelos preços desses produtos, esse, há muito, deixou de ser um dos objetivos da Petrobrás”, pontua o diretor do Sindipetro Bahia, Attila Barbosa, que também é funcionário da Refinaria Landulpho Alves, um dos ativos da Petrobrás, cuja venda já foi anunciada. Barbosa contesta o afastamento da companhia de outras das suas atribuições a exemplo do refino, “o que vem prejudicando a população”.

Estudo elaborado por professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), aponta que a Petrobrás vem subutilizando a capacidade de produção das suas refinarias, que registrou um nível médio de 75% no primeiro semestre de 2020. “Se operasse em plena capacidade, além de pressionar para baixo a inflação medida nos setores de transportes, alimentos e bebidas, entre outros, teria impacto positivo superior a R$ 3,6 bilhões sobre o Produto Interno Bruto (PIB)”.

O povo brasileiro não é prioridade

Para Cararine, “fica claro que estamos falando de venda de patrimônio público para “encher” bolso de acionistas. Enquanto isso, a estatal reduz o número de trabalhadores, reduz seus direitos, os investimentos e geração de empregos e renda no país e ainda por cima, cobra preços de paridade de importação em seus derivados, penalizando ainda mais a população brasileira”. O economista ressalta também que “as imensas reservas de petróleo, que o Brasil possui, e a riqueza gerada em sua produção pertencem a todo o povo brasileiro e não a poucas famílias que possuem ações da empresa”.

De acordo com o Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, a Bahia é um bom exemplo dos resultados negativos que já podem ser sentidos com a nova política da Petrobrás, com perda de milhares de postos de trabalho e de redução na arrecadação de ICMS, ISS e royalties, além dos prejuízos causados no comércio, “muitos comerciantes e até vendedores ambulantes que montaram seus negócios no entorno das unidades da Petrobrás estão amargando grandes prejuízos”. Para Batista, “a atual direção da estatal, além de desviar a Petrobrás de sua finalidade, está lesando o país”.

 

Publicado em Petrobrás Fica

Ineep analisa investimentos anunciados pelas principais operadoras de petróleo do mundo e alerta que Brasil poderá perder de vez o protagonismo no setor e ficar "perigosamente dependente de know-how estrangeiro e da exportação de petróleo e outras commodities como fonte de divisas", se continuar abrindo mão de investimentos estatais

[Do Ineep]

A norueguesa Equinor anunciou, no último dia 10, contratos com Baker Hughes, Halliburton e Schlumberger para perfuração e serviços de poços no campo de Bacalhau, no pré-sal da bacia de Santos. Juntos, os acordos totalizam US$ 455 milhões. 

De origem norte-americana e francesa (no caso da Schlumberger), essas três empresas dominam o segmento de poços de petróleo globalmente, ao lado da também estadunidense Weatherford. 

Maior delas na área de poços, a Halliburton foi responsável pelas campanhas de perfuração de Libra e do campo de Mero 1, além de ter fechado, em 2019, grande contrato com a Shell para atividades de desenvolvimento no pós-sal e exploração do pré-sal. 

A Baker e a Schlumberger tem ainda importante atuação no segmento submarino, fornecendo equipamentos avaliados em milhões de dólares, como árvores de natal molhadas (ANMs), cabeças de poço, manifolds e, no caso da primeira, dutos (risers) flexíveis. 

A Baker ganhou know-how subsea ao se fundir com a GE O&G em 2017 e, hoje, tem vultosos contratos vigentes com a Petrobras, como um de R$ 590 milhões para fornecimento de 138 km de flexíveis iniciado este ano. 

Já a Schlumberger incrementou sua carteira com a aquisição da Cameron em 2016, com quem mantém a joint venture OneSubsea. Em março, a empresa fechou contrato com a Petrobras para fabricar as ANMs do campo de Mero 2. 

Entre outros importantes players no mercado subsea brasileiro estão a norueguesa Aker Solutions, que está produzindo as ANMs de Mero1, e a TechnipFMC, resultante da compra, pela francesa Technip, da norte-americana FMC Technologies. 

Além de fornecer equipamentos submarinos, a TechnipFMC atua como epecista subsea, oferecendo serviços de instalação com sua frota de PLSVs (embarcações para lançamento de linhas submarinas). Em 2019 e este ano, a companhia fechou contratos de EPCI (engenharia, suprimentos, construção e instalação) avaliados entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, para Mero 1 e 2. 

A norte-americana Mcdermott, a norueguesa Subsea 7 e a italiana Saipem completam a lista dos grandes nomes do EPC subsea no Brasil. 

A primeira está terminando de lançar o gasoduto Rota 3, que interligará o pré-sal à Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj, em Itaboraí (RJ), e assinou, em 2019, contrato para fornecer o EPCI do campo de Sépia, operado pela Petrobras. 

Também no ano passado, a Subsea 7, que tem quatro PLSVs afretados pela petroleira estatal, fechou com a francesa Total contrato para interligação de poços do campo de Lapa. E, em janeiro deste ano, assinou com a Equinor, em aliança com a Schlumberger, acordo para elaborar a engenharia de detalhamento (FEED) do campo de Bacalhau. 

Já a Saipem assinou, em julho, contrato de EPCI de US$ 325 milhões com a Petrobras para o campo de Búzios 5. 

Na área de umbilicais submarinos, são basicamente três os fabricantes com atuação no país: a texana Oceaneering, a italiana Prysmian e a brasileira MfX. Dentre elas, quem tem se saído melhor nas últimas licitações da Petrobras para contratação de linhas de aço (steel tube umbilicals) é a Prysmian. 

A dominância de empresas de origem estrangeira se repete em outros importantes elos da cadeia de bens e serviços de óleo e gás offshore no Brasil, como sísmica (Westerngeco, do grupo Schlumberger, CGG, PGS e Polarcus) e operação de FPSOs (SBM e Modec), enquanto grupos fundados no país se destacam em áreas menos intensivas em capital e tecnologia, como apoio marítimo (casos da Companhia Brasileira Offshore, Starnav e Oceanpact, por exemplo) e engenharia com foco em manutenção de plataformas e em obras em refinarias e ativos de logística e gás natural, como mostrou o Ineep em análise publicada no início de novembro. 

Sobretudo graças à política de conteúdo local, diversas multinacionais instalaram fábricas e centros de serviços no Brasil na última década, gerando empregos e transferência tecnológica. Um exemplo ilustrativo é o da Aker Solutions, que construiu sua maior planta global de equipamentos submarinos em São José dos Pinhais (PR), a qual, hoje, atende a projetos no Brasil e no exterior. 

No entanto, ainda que essas empresas sejam, por lei, consideradas brasileiras ao adquirirem CNPJ, elas se mantêm, em última análise, associadas aos interesses nacionais de seus países de origem. De sua terra natal regulam o nível de transferência tecnológica que será feito ao Brasil e por lá seguem desenvolvendo softwares e componentes de ponta para integrarem os bens produzidos por aqui. 

Em momentos de crise ou quando as reservas de óleo e gás brasileiras começarem a declinar, muitas delas poderão fechar suas portas e deixar o país na busca de mercados mais atrativos. 

O historiador norueguês Helge Ryggvik conta como, na década de 1970, o governo do país se preocupou em localizar a indústria de óleo e gás na Noruega criando a Statoil (atual Equinor) e fomentando o desenvolvimento de uma cadeia local de bens e serviços, com apoio à qualificação de pessoal, a criação de instituições de pesquisa e desenvolvimento e o estabelecimento de medidas protecionistas, como exigências de conteúdo nacional.

No Brasil, há casos de sucesso de companhias nacionais que, com o suporte do governo e da Petrobras, conseguiram se inserir em segmentos mais intensivos em capital e tecnologia. Entre os exemplos estão os da Ocyan e Constellation, que, hoje, operam sondas e plataformas, além da própria MfX, cujo desenvolvimento interessava para ampliar as opções de fornecimento. 

No entanto, com a flexibilização das regras de conteúdo local e a orientação “pró-mercado” adotada pelo governo/ Petrobras nos últimos anos, tornam-se mais difíceis as condições para que cases de tal natureza se repitam no país. 

Cabe ao governo brasileiro pensar em políticas de Estado, ou seja, de longo prazo e sem viés fisiológico e ideológico, para expandir a base de fornecedores locais intensivos em tecnologia, a fim de evitar que o país fique perigosamente dependente de know-how estrangeiro e da exportação de petróleo e outras commodities como fonte de divisas.


Fonte: RYGGVIK, H. The Norwegian Oil Experience: A toolbox for managing resources?. Universidade de Oslo: Oslo, 2010, p. 58

Publicado em Petrobrás Fica

A partir de obras variadas, a lista de filmes elaborada pelo Sindipetro Unificado SP traz elementos que ajudam a entender o modo de funcionamento do setor econômico e político mais importante do último século. Vale a pena conferir

[Da imprensa do Sindipetro SP | Por: Guilherme Weimann]

Espionagens, golpes, assassinatos, dinheiro e poder, uma busca incessante pelo poder. Provavelmente nenhum outro setor possua na sua gênese elementos tão dramáticos – e por isso tão válidos às produções cinematográficas – como a indústria do petróleo. Isso não quer dizer que essa combinação tenha gerado um extenso catálogo de filmes. Apesar disso, algumas obras se destacam não apenas na abordagem do tema, como na própria história do cinema.

Desde a perfuração do primeiro poço em 1859, na Pensilvânia, o petróleo está no centro do capitalismo. Além disso, sua utilização foi se diversificando ao longo dos anos e, hoje, são raras as casas ao redor do mundo que não tenham nenhum produto fabricado à base de petróleo.

O Brasil, após a descoberta do pré-sal, também não passou ileso a esse roteiro. Nos últimos anos, os veículos jornalísticos Intercept e Pública revelaram documentos que comprovam a ligação de procuradores da Lava Jato com funcionários ligados à agência de espionagem norte-americana (CIA).

Diante disso, mesmo a lista contendo apenas um filme brasileiro, é impossível não traçar paralelos das obras apontadas, mesmo que ambientadas em outros contextos, com a tragédia nacional em curso.

Confira abaixo os filmes:

O CASO MATTEI 

[Itália, 1972, 116 minutos]

Muito além do que um filme sobre petróleo, O Caso Mattei é um clássico do cinema mundial. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1972, esta ficção documental foi dirigida por Francesco Rosi, ícone da retomada do cinema político italiano. Também foi protagonizada por Gian Maria Volonté, que além da participação em obras engajadas também se tornou conhecido por papéis em filmes de Sergio Leone, grande artista do gênero western.

O longa-metragem narra a história de Enrico Mattei, um combatente da resistência católica na Lombardia contra o regime fascista de Benito Mussolini [1922-1943], derrotado junto com os outros países do Eixo (Alemanha e Japão) na Segunda Guerra Mundial [1939-1945].

Durante o governo provisório que sucedera o fascismo, Mattei foi nomeado em 1945 justamente para destruir um dos símbolos da propaganda do governo de Mussolini, a Azienda Generale Italiana Petroli (Agip), empresa estatal de petróleo. Entretanto, ao se deparar com pesquisas e documentos que comprovavam o potencial da petrolífera, o engenheiro fez um movimento inverso.

Mattei readmitiu antigos funcionários, costurou parcerias com as mais diversas vertentes políticas e criou, em 1953 – mesmo ano de fundação da Petrobrás –, a Ente Nazionale Idrocarburi (ENI). A partir de então, iniciou uma história de fortalecimento estatal e combate implacável contra as “Sete Irmãs”, termo cunhado pelo próprio Mattei para se referir ao cartel de empresas que dominavam o mercado de petróleo na época – principalmente estadunidenses.

Em uma das cenas do filme, em diálogo com um jornalista, Mattei sintetiza seu pensamento e atuação: “A única maneira de impedir que tudo seja revirado é considerar o Terceiro Mundo como um mundo de seres humanos, não de seres inferiores”. E foi justamente isso que pautou sua atuação à frente da ENI. Aproveitando-se que a Itália havia perdido suas colônias após a Segunda Guerra, Mattei encampou um discurso anticolonialista e um movimento de aproximação com os países produtores da África e Oriente Médio.

Também por interesses econômicos, foi um grande incentivador do movimento de independência na Argélia, além de ter estreitado laços com outros países da região, como Marrocos e Egito. Mas o que talvez tenha despertado a ira do governo dos Estados Unidos foram justamente os contratos estabelecidos com os governos da China e da Rússia, como também a sua atuação decisiva na criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que deu mais soberania às nações produtoras.

Com uma linguagem que mistura cenas reais, documentais e dramatizadas, o filme se concentra justamente nas consequências dessa afronta ao cartel do mercado e ao imperialismo norte-americano. Em 1962, quando somava quase duas décadas no comando da estatal petrolífera italiana, o avião de Enrico Mattei caiu após ser sabotado, o que causou sua morte aos 54 anos.

Entretanto, na época da gravação do filme, este fato ainda estava no plano da especulação, o que fez com que o diretor Francesco Rosi contratasse o jornalista Mauro De Mauro para fazer uma investigação sobre os últimos dois dias da vida de Mattei. Como se já não bastasse a carga de dramaticidade presente na morte de Mattei, De Mauro foi assassinado pela máfia siciliana enquanto realizada suas pesquisas.

Somente 35 anos após a morte de Mattei, a tese de assassinato foi confirmada de forma oficial. Em 1997, o ex-chefe da máfia, Tommaso Buscetta, admitiu por meio de delação premiada que havia explodido o avião que transportava Enrico Mattei. Entretanto, o inquérito foi encerrado em 2003 sem descobrir os mandantes do crime.

Essa história de conspiração e guerra contra a tentativa de fortalecimento da soberania nacional no setor de petróleo fez com que diversos analistas fizessem comparações do caso Mattei com o vivido pela Petrobrás nos últimos anos. Um deles é o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Giorgio Romano Schutte, que recorda em artigo a espionagem realizada contra a estatal brasileira por órgãos de inteligência dos Estados Unidos.

O filme está disponível neste site com legenda em espanhol ou em DVD.

A CORDILHEIRA

[Argentina, 2017, 114 minutos]

Se O Caso Mattei se baseia em fatos verídicos para construir sua narrativa ficcional, A Cordilheira parte de um roteiro totalmente ficcional para fazer uma crítica apurada da história de subserviência latino-americana ao imperialismo norte-americano. O filme do argentino Santiago Mitre, que também dirigiu Paulina e Leonera, é protagonizado pelo consagrado Ricardo Darín.

O ator interpreta o papel de presidente da Argentina, chamado na obra de Hernán Blanca, que ocupa o cargo há seis meses. Com uma vida pública ilibada até então, o político descobre que o ex-esposo da filha está à frente de uma denúncia de corrupção, ainda não tornada pública, em uma de suas gestões passadas. Além disso, o mandatário está convivendo com críticas da imprensa por uma postura considerada pouco assertiva da sua gestão, que o denomina como um “presidente invisível”.

Diante desses obstáculos, Blanca viaja ao Chile para uma reunião de líderes latino-americanos que irão discutir a criação da Aliança Petroleira, uma espécie de estatal plurinacional capitaneada pelo presidente brasileiro, que na obra se mostra como um forte estadista, de histórico populista, que diminuiu drasticamente a miséria em seu país. Aqui é impossível não fazer uma fazer uma ligação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um cenário insólito de um hotel cercado pela neve da Cordilheira dos Andes, tudo indica que o presidente argentino seguirá o apoio até então declarado ao projeto liderado pelo Brasil. No entanto, diversas conversas paralelas modificarão a votação que parecia ganha em favor de um projeto que visava se construir como uma alternativa ao poder dos Estados Unidos no continente.

Além disso, a chegada da filha do presidente, que sofre com transtornos psicológicos, traz à obra uma dose de suspense e mistério. Durante o desenrolar do longa-metragem, a personagem de Darín se mostra menos previsível do que aparentava no início da narrativa e, ao conceder entrevista a uma conceituada jornalista política, prenuncia: “o mal existe, e uma pessoa não chega à presidência sem tê-lo visto pelo menos um par de vezes”.

O filme está disponível no Youtube e no Now.  

SYRIANA – A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO

[Estados Unidos, 2005, 128 minutos]

Embora o título sugira o contrário, Syriana – A Indústria do Petróleo se coloca no extremo oposto do didatismo. Mesmo baseado no livro See No Evil, do ex-agente da CIA Robert Baer, o filme foi indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro original no ano de 2006. O responsável pelo feito é o diretor e roteirista Stephen Gaghan, que venceu a estatueta por Traffic, dirigido por Steven Soderbergh.

Se o longa-metragem não levou a premiação como melhor roteiro original, George Clooney foi agraciado como melhor ator coadjuvante pela atuação como Bob Baer, que tudo indica ter sido inspirado na vida do autor do livro no qual a obra se apoia.

Na ficção, Bob Baer trabalha há 21 anos para a CIA investigando terroristas, especialmente no Oriente Médio. Pelo uso de métodos pouco convencionais, como a troca de um arsenal de guerra por informações privilegiadas, o espião é colocado de molho pela alta cúpula da entidade.

Paralelamente, desenrolam-se diversas histórias que vão se chocar ao longo da narrativa. Uma delas é de um analista norte-americano de uma grande empresa de energia interpretado por Matt Damon. Após um drama familiar, o executivo se torna consultor do Príncipe Nasir (Alexander Siddig), de um país não definido do Oriente Médio.

Em um dos diálogos, Nasir sintetiza a disputa simbólica realizada em torno do petróleo: “Quando aceitei a melhor oferta da China para explorar meus poços, o fiz pensando em meu povo, em usar o dinheiro para melhorar a condição de vida de todos, investir em infraestrutura e bem estar social. Por isso, sou chamado pela mídia e pelo seu governo de terrorista, comunista e ateu”.

Se o jovem herdeiro possui um pensamento soberano e desenvolvimentista sobre a reserva de petróleo existente em seu país, seu irmão é rigorosamente o extremo oposto. Um verdadeiro playboy interessado apenas em usufruir da riqueza do seu posto político hereditário. Por essa fragilidade, é alvo de assédio e suborno do governo e do cartel de empresas dos Estados Unidos.

Por fim, uma outra personagem importante para a trama é o advogado Bennett Holiday (Jeffrey Wright), que investiga um possível esquema de corrupção na fusão de duas empresas petrolíferas. Ao questionar o executivo Danny Dalton (Tim Blake Nelson), o advogado escuta uma frase que pode ser considerada a síntese do modus operandi da indústria do petróleo: “Corrupção? Corrupção é a nossa proteção. Corrupção nos mantém a salvo e aquecidos. Corrupção é a razão pela qual você e eu estamos viajando o mundo em vez de ficarmos brigando nas ruas por um pedaço de carne. Corrupção é porque nós vencemos!”.

O filme está disponível no Youtube.

SANGUE NEGRO

[Estados Unidos, 2007, 158 minutos]

Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos cineastas mais talentosos de sua geração, Sangue Negro é um grande épico ficcional ambientado no início do século XX, que conta a história de um empresário pioneiro do ramo do petróleo chamado Daniel Plainview. A interpretação do protagonista rendeu a Daniel Day-Lewis o Oscar de melhor ator – o filme também levou a estatueta de melhor fotografia, concedida a Robert Elswit.

Toda a construção da personagem principal dialoga com a aridez das paisagens que servem como cenário ao filme. Inicialmente, Daniel Plainview é um operário, que incorpora em si o sonho americano em busca do “ouro negro”. Neste percurso, acaba herdando o filho de um dos colegas que morre durante a perfuração de um poço.

Quando já se mostra um empresário proeminente do ramo, recebe a visita de um jovem com informações privilegiadas de uma região rica em petróleo. De fato, Little Boston acaba se mostrando como um grande tesouro descoberto por Daniel. O que ele não imaginava, todavia, eram as dificuldades que enfrentaria exatamente com o garoto que havia entregado a informação privilegiada.

Ele se chama Eli Sunday (Paul Dano) e é um pastor fervoroso da comunidade. Assim como Daniel, busca por meio da religião alcançar pujança econômica e, principalmente, poder. Por isso, é inevitável o choque entre duas personalidades marcadas pela busca incansável de riqueza – seja ela em forma de petróleo ou fiéis.

A partir do momento em que Daniel não permite que o pastor faça uma benção ao poço recém construído na pequena comunidade, as duas personalidades iniciam uma batalha grandiloquente marcada por sangue, mortes e perdas. No fundo, as duas personagens incorporam traços marcante da formação norte-americana – a indústria do petróleo e a religião.

Uma obra que soube mesclar os elementos históricos e os dramas subjetivos das personagens de forma magistral, sem um se tornar acessório do outro. Um filme que já nasceu com o atributo de clássico.

O filme está disponível no Now e dublado no Youtube.  

TERRA PROMETIDA

[Estados Unidos, 2012, 106 minutos]

O boicote das distribuidoras e as críticas mordazes não diminuem o filme, muito pelo contrário. Mostra a potência que Terra Prometida tem enquanto crítica não apenas à indústria do petróleo, como ao próprio procedimento sistêmico das grandes corporações. Dirigido por Gus Van Sant, o longa-metragem é roteirizado por Matt Damon (Gênio Indomável) e John Krasinski (The Office), que também protagonizam a narrativa junto com a atriz Frances McDormand.

Na trama, Steve Butler e Sue Thomason (Matt Damon e Frances McDormand, respectivamente) são funcionários da Global, uma grande empresa de energia. Eles são enviados ao interior dos Estados Unidos para comprar terras pelo menor custo possível de agricultores pobres, com poder de consumo e financiamento totalmente impactados pela crise de 2008, para iniciar a extração de gás natural por meio do fraturamento hidráulico do xisto.

Apesar de se ambientar no interior da maior potência econômica e militar, a história poderia se desenrolar em qualquer parte do mundo, inclusive no Brasil. Aqui, por exemplo, existem diversas personagens semelhantes a Steve Butler e Sue Thomason nos locais onde as corporações e o Estado pretendem construir hidrelétricas, explorar minérios ou erguer grandes obras de infraestrutura. Os métodos, entretanto, costumam ser muito mais violentos em terras tupiniquins.

A personagem interpretada por John Krasinski também pode ser encontrada em diversas partes do mundo. Ele incorpora um militante ambientalista que pertence a uma ONG, que atua na denúncia dos efeitos nocivos do fraturamento hidráulico à natureza, responsável pela contaminação de rios e mortandade de animais.

No final, contudo, ocorre uma grande reviravolta (cuidado com o spoiler), carregada de uma dose extrema de niilismo. Mas a redenção vem à galope, com o protagonista passando de vilão à mocinho em um ato heroico e autodestrutivo. Apesar disso, é uma obra essencial para entender o próprio capitalismo.

O filme está disponível no Youtube

VIRUNGA

[Congo/Reino Unido, 2014, 105 minutos]

Como dito anteriormente, as táticas mudam, mas os métodos das grandes empresas petrolíferas são os mesmos em todos os lugares do mundo. No caso de Virunga, documentário indicado ao Oscar em 2014, o cenário é a República Democrática do Congo, mais especificamente no Parque Nacional do Virunga.

Dirigido pelo cineasta Orlando von Einsiedel, o filme mostra a luta desigual entre a população local e uma grande petroleira, a britânica SOCO Internacional, pelo futuro do mais antigo parque nacional do continente africano – circunscrito em uma área de 7.800 km² que abriga a maior população de gorilas das montanhas, espécie em extinção. Nos anos que antecederam o longa-metragem, 140 funcionários haviam morrido na fiscalização contra invasores da reserva.

Se de um lado aparece todo o poderio corruptor de uma grande companhia internacional, interessada na recém descoberta de petróleo dentro do perímetro do parque, de outro se destacam quatro personagens: o belga Emmanuel de Merode, diretor do parque; o congolês Rodrigue Katembo, chefe de segurança; o também congolês André Bauma, cuidador de quatro gorilas órfãos; e a francesa Mélanie Gouby, jornalista.

A partir de recursos do jornalismo investigativo, que incluem gravações por meio de câmeras escondidas, o documentário consegue captar o poder corruptivo da empresa sobre pessoas e organizações, incluindo o grupo rebelde M23, que inicia uma guerra civil captada de forma assustadora pela equipe do filme.

Além disso, os diálogos do diretor da SOCO Internacional merecem destaque pela sordidez do seu conteúdo. Ele revela todo o plano de suborno e escancara todo seu racismo ao tratar os congoleses como uma raça inferior.

O filme está disponível na Netflix.

HORIZONTE PROFUNDO: DESASTRE NO GOLFO

[Estados Unidos, 2016, 107 minutos]

Dirigido por Peter Berg, Horizonte Profundo: Desastre no Golfo é outro filme que mostra o feitiço virado contra o feiticeiro, assim como o já citado Terra Prometida. Baseado em fatos reais, o longa ficcional mostra os bastidores do maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, ocorrido em 2010, no Golfo do México.

A responsável pelo crime é a petroleira britânica BP, que força uma plataforma semissubmersível, denominada justamente Horizonte Profundo (Deepwater Horizon), de propriedade da empresa terceirizada Transocean, a acelerar o processo de extração de petróleo de um poço na região de Louisiana, mesmo com os riscos evidentes.

O resultado foi uma explosão que matou 11 pessoas e deixou sequelas físicas e psicológicas em mais de uma centena de trabalhadores – o que pode ser considerado praticamente um milagre frente à dimensão do desastre.

Além disso, a narrativa também traz, mesmo que de forma secundária, elementos subjetivos que perpassam a vida de petroleiros embarcados – desde solidão e distância da família até a amizade e parceria criadas a partir do convívio extremo de um cotidiano restrito a poucos metros quadrados de uma “ilha” flutuante.

O filme está disponível na Netflix

O OLHO E A FACA

[Brasil, 2016, 107 minutos]

Se em Horizonte Profundo a questão subjetiva é meramente acessória, em O Olho e a Faca ela ganha um caráter de centralidade, apesar do filme não demonstrar isso logo de cara. Durante vários minutos, o longa-metragem sugere muito mais uma narrativa sobre o cotidiano de uma plataforma de petróleo, com uma estética típica do gênero documentário. O que faz recordar a primeira obra do diretor, O Prisioneiro da Grade de Ferro (2003), excelente filme que se passa dentro do extinto Complexo Penitenciário do Carandiru.

Em certo momento, entretanto, os dramas pessoais começam a surgir em volta do protagonista Roberto, interpretado pelo ator Rodrigo Lombardi. Um típico peão, amigo e querido por todos os colegas, é tragado pela lógica da promoção interna da empresa em que trabalha. Isso faz com que sua vida, na qual vigorava até então a retidão – pelo menos aparentemente -, comece a desmoronar.

Em uma das cenas, Roberto mostra um fio de prumo ao filho. O rigor da ação e de sua vida, entretanto, entra em completa ebulição – tanto do ponto de vista pessoal, como profissional.

O trabalhador exemplar se vê perdendo tudo aquilo que havia construído como a base da sua existência. E, como ocorre com diversos trabalhadores, o resultado contém uma grande dose de solidão e dramaticidade. Com certeza, uma personagem que diversos petroleiros poderão se ver representados.

Um outro elemento de destaque é o ambiente do machismo tóxico da plataforma em que Roberto trabalha. Neste ponto, a trama sai do singular e dialoga com a universalidade da indústria do petróleo. Na Petrobrás, por exemplo, as mulheres representam apenas 17% do quadro de funcionários.

O filme está disponível no Youtube.

Publicado em Petróleo

Genial nos campos, jogador argentino nunca escondeu sua proximidade com líderes da esquerda latino-americana

[Do Brasil de Fato | Edição: Rodrigo Chagas]

Ele parecia imortal. Tantas vezes, Diego Armando Maradona driblou os boatos sobre sua morte e as circunstâncias que poderiam levá-lo ao óbito. Porém, por volta das 13h15 desta quarta-feira (25), chegou a informação de que o ex-jogador argentino faleceu em sua casa, aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória.

Maradona foi operado no dia 6 de novembro para remover um hematoma subdural. Porém, sofreu com uma baixa anímica, anemia e desidratação, que o mantiveram internado até 11 de novembro, quando finalmente teve alta hospitalar e foi levado para sua residência em Buenos Aires.

Diego Maradona estreou em 1977 pela seleção argentina. Tinha apenas 16 anos e todo o país desejava que fosse convocado para a Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina e ganha pelos argentinos.

Em 1986, veio a consagração. No México, Maradona, que já era uma estrela mundial, teve uma atuação épica e levou a Copa do Mundo, pela segunda vez, para a Argentina. Durante o torneio, o craque argentino fez um dos mais importantes gols de sua carreira, nas quartas-de-final, contra a seleção da Inglaterra.

Quatro anos antes, ingleses e argentinos guerrearam pela posse das Ilhas Malvinhas, um arquipélago ao sul da Argentina, que acabou sob comando da Inglaterra, após conflitos sangrentos, que vitimaram cerca de 650 soldados argentinos.

Durante a Copa do Mundo, um gol de mão e outro antológico, driblando metade do time inglês, serviram para eliminar a seleção europeia. Era a vingança de Maradona e de todos os argentinos.

A partida, transformada em ato político por Maradona, é apenas um capítulo de sua história com a política. No corpo, o ex-jogadores carregava duas tatuagens, uma do revolucionário argentino Che Guevara, no braço direito, e outra do ex-presidente cubano Fidel Castro, na perna esquerda.

Com Fidel Castro, manteve a amizade mais próxima. Por diversas vezes, visitou o ex-presidente cubano na ilha. Em uma delas, para se tratar da dependência química que o acompanhou durante toda a vida. Foi em Cuba que Maradona ganhou uma sobrevida, após uma série de complicações em decorrência do vício.

Hugo Chavéz, ex-presidente venezuelano, foi outro amigo próximo de Maradona, que também recebeu visitas do jogador durante o seu mandato. Em março deste ano, o argentino recordou os sete anos de morte do líder da Venezuela. “Nunca se rendeu, lutou até seu último suspiro. Depois de sete anos de sua morte, está mais vivo que nunca.”

A amizade foi estendida à Nicolás Maduro, sucessor de Chávez no comando da Venezuela. Em agosto de 2017, após mais uma turbulência no mandato do venezuelano, Maradona anunciou em suas redes sociais. “Somos chavistas até a morte. E quando Maduro ordenar, estarei vestido de soldado para uma Venezuela livre, para lutar contra o imperialismo e os que desejam apoderar nossas bandeiras, que é o que temos de mais sagrado.”

Maradona sempre explicitou sua admiração pelo ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Quando o petista estava preso, o argentino enviou uma mensagem. “Se querem voltar à era dos desaparecidos, como hoje fazem Lula ‘desaparecer’, estão muito enganados”, afirmou o ex-jogador.

Quando Lula foi solto, em 8 de novembro de 2019, Maradona se manifestou. O ídolo argentino publicou uma foto abraçado ao ex-presidente brasileiro e escreveu. “Hoje, se fez justiça.”

Com o casal Kirchner, Cristina e Nestor, manteve uma relação próxima e de apoio incontestável nas eleições presidenciais enfrentadas por cada um. A adesão se estendeu a Alberto Fernandez, eleito presidente da Argentina em outubro de 2019.

Duas semana após a posse de Fernandez, Maradona o visitou e mandou um recado a Maurício Macri, presidente argentino derrotado nas urnas e alvo constante do ex-jogador. “Esse não volta mais. Que vá morar na Tailândia”. “Falei em nome dos mais necessitados, para que neste momento tão complicado, todos possamos comer e trabalhar”, concluiu.

Macri nunca teve vida fácil com Maradona. Quando presidia o Boca Junior já era alvo de críticas do ídolo argentino. Hoje, Fernandéz se despediu da lenda. "Você nos levou ao lugar mais alto do mundo, Nos fez imensamente felizes. Foi o maior de todos. Obrigado por ter existido, Diego. Sentiremos sua falta pelo resto de nossas vidas.”

No último ano de sua vida, Maradonna foi técnico do modesto Gimnasia y Esgrima La Plata. 

Publicado em Cidadania
Quarta, 25 Novembro 2020 16:29

Caixa lucra com demissões de empregados

[Do Reconta aí]

Durante a live de divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Caixa, o presidente do Banco Público, Pedro Guimarães, se gabou da economia que vem fazendo com os gastos internos. O seu quadro de funcionários vem sendo enxugado e, com isso, as pessoas que seguem trabalhando ficam sobrecarregadas.

Recentemente, o Banco Público encerrou um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) com o objetivo de atingir cerca de 7,2 mil empregados. No entanto, somente 2,3 mil bancários aderiram ao programa.

De acordo com Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, o déficit de empregados no Banco Público era de 17 mil. Com o PDV, esse número ultrapassa 19 mil.

“Se para o Banco isso é uma economia, para os trabalhadores isso é uma perda em saúde, qualidade de vida e em trabalho. Qualidade de vida inclusive para a própria família que está ao redor desse empregado”, alerta Rita.

Só nos próximos dois meses serão devolvidos 100 imóveis. “Nós ainda temos 178 prédios, entre próprios e que nós alugamos. Já devolvemos 50 e vamos devolver mais 100”, explica Guimarães.

Lucro na pandemia

A Caixa divulgou nesta quarta-feira (25) os resultados do terceiro trimestre de 2020. O lucro líquido ajustado foi de R$ 2,6 bilhões, um aumento de 1,7% em relação ao segundo trimestre do ano. Até o mês de setembro, o lucro do Banco Público alcançou R$ 8,3 bilhões.

Os resultados mostram o importante papel social da Caixa. O Banco Público foi o responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Só com o auxílio emergencial, a Caixa atendeu 67,8 milhões de brasileiros beneficiados. Já com o FGTS emergencial foram 60 milhões de pessoas beneficiadas.

Para o pagamento de tantos brasileiros, o Banco Público usou o aplicativo Caixa Tem. Mesmo com todos os problemas que a plataforma apresenta desde o lançamento do auxílio emergencial, ela atingiu um recorde de mais de 105 milhões de contas poupanças sociais digitais gratuitas abertas. Além disso, foi importante para a inclusão financeira de milhares de pessoas.

Empregados da Caixa e a pandemia

Guimarães fala em economia, mas o País passa por uma pandemia e a Caixa é estratégica para atender a população brasileira. O Banco Público é responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Dessa forma, agências estão abrindo nos fins de semana e os empregados da linha de frente estão extremamente sobrecarregados. “Quem fica está trabalhando duas, três vezes mais. Mesmo quem ficou em home office teve sua jornada de trabalho triplicada”, diz Rita.

Além de trabalhar muito mais, os bancários estão se arriscando para atender grande parte da população brasileira.

De acordo com a Caixa, mais de 2,5 milhões de máscaras e mais de 36,5 mil protetores faciais de acrílico foram distribuídos para os empregados e colaboradores. Além disso, o Banco Público diz estar disponibilizando testagem de covid-19 para todos os empregados.

No entanto, não está claro como essa testagem vem acontecendo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) precisou enviar um ofício para a direção do Banco solicitando informações sobre o programa de testagem realizado no mês de outubro.

“Queremos que a direção da Caixa apresente os dados gerais obtidos por intermédio deste programa de testagem”, explica a secretária da Cultura da Contraf-CUT e coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/ Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt.

Segundo ela, com o número de testes realizados, a quantidade de casos positivos verificados e a eventual realização de mapeamento por regiões é possível analisar a assertividade dos protocolos preventivos existentes e a possibilidade da adoção de novas medidas.

Publicado em Economia

Assim como o atual governo está fazendo com a Petrobrás, vendendo todos os seus ativos, um patrimônio que é do povo brasileiro, estão fazendo também com o setor elétrico do país. Um exemplo disso, é o que acontece hoje no Amapá. Onde a distribuição de energia foi vendida ao capital internacional. E hoje sofrem em decorrência de um apagão do sistema elétrico que já dura uma semana por um acidente em um transformador de um fornecedor privado.

O episódio traz um alerta que deve ser levado em conta pelo Congresso Nacional: a privatização do setor elétrico é um erro. Nem nos Estados Unidos o controle sobre recursos estratégicos – como água e energia – está nas mãos de interesses privados. A demora da empresa privada espanhola responsável pela Isolux em responder à crise e solucionar a falta de energia no Amapá mostra que a privatização do setor é um grande equívoco.

A Federação Única dos Petroleiros reafirma que privatizar faz mal ao Brasil. Porque privatizar significa precarização. As empresas atuam reduzindo os custos sem temer as consequências para a população, que é quem paga o preço com o desabastecimento de todo o estado.

Hoje, quem está tratando de reverter a crise e garantir o suprimento emergencial de energia no Amapá é a Eletronorte, uma subsidiária da Eletrobrás. A holding responsável pelo sistema elétrico está prestes a ser vendida pelo governo Bolsonaro.

Reiteramos que água e energia não podem ser mercadoria.

[Imprensa FUP]

Publicado em Política

Há cinco anos, os petroleiros protagonizavam uma das mais emblemáticas greves da história da categoria. Era novembro de 2015. Os trabalhadores tentavam conter os cortes e os desinvestimentos previstos para a Petrobrás no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. A empresa e o pré-sal estavam sob ataque da operação Lava Jato e dos grupos políticos e econômicos que agiam dentro e fora do país contra a presidenta Dilma Rousseff, de olho no petróleo brasileiro.

Paralelamente, no Congresso Nacional, o senador José Serra (PSDB/SP) cumpria a promessa de acabar com o regime de partilha, fazendo avançar o projeto de lei para tirar da Petrobrás a exclusividade na operação do pré-sal e a garantia de participação mínima nos blocos ofertados.  

À categoria, só restava lutar ou lutar. Na campanha reivindicatória, em vez de uma pauta salarial e corporativa, os petroleiros aprovaram a Pauta pelo Brasil, com propostas para manter os empregos, os investimentos estruturantes e a integração da empresa.

Com o país mergulhado no caos político, econômico e institucional instaurado pela Lava Jato, os trabalhadores ainda enfrentavam uma campanha feroz de desmoralização e de destruição da imagem da Petrobrás. O golpe estava a caminho, alimentado por uma operação conduzida com objetivos eminentemente políticos, como ficou provado quatro anos depois.

Esse era o cenário da greve que os petroleiros iniciaram no primeiro dia de novembro de 2015. Greve que seguiu mês adentro, chegando a até 22 dias em algumas bases, com adesão em todos os sindicatos da FUP. Foi um dos principais movimentos políticos conduzido pela categoria em defesa da Petrobrás e da soberania nacional. Foi também a primeira grande greve dos trabalhadores que ingressaram na empresa a partir dos anos 2000.

Vinte anos após a greve de maio de 1995, a categoria novamente fez história em 2015, com uma luta ainda mais emblemática, ao colocar a defesa da soberania acima de qualquer questão corporativa. Diferentes gerações de petroleiros se uniram em torno de uma pauta essencialmente ideológica, que fez a gestão da Petrobrás negociar com a FUP a retomada da função desenvolvimentista da empresa, com o compromisso de preservação da integração do Sistema.

Pela primeira vez na história, os trabalhadores tiveram a chance de disputar os rumos da Petrobrás, com propostas sólidas, construídas em conjunto com o Geep, um núcleo multidisciplinar de pesquisadores que assessoravam a FUP e que tornou-se o embrião do INEEP. A Pauta pelo Brasil foi discutida e trabalhada com a gestão da empresa, através de um grupo técnico e paritário que construiu um relatório para a diretoria, com alternativas ao Plano de Negócios. Algumas das propostas chegaram a ser implementadas nos anos seguintes, outras foram atropeladas pelo golpe.

Desde então, a FUP vem atuando em diversas frentes de luta pela manutenção dos ativos e dos empregos, com propostas defendidas na Pauta pelo Brasil. As propostas construídas no documento são ainda hoje a principal referência nas ações políticas e jurídicas contra as privatizações e continuam embasando a categoria nas disputas estratégicas para preservação e fortalecimento do Sistema Petrobrás.

A greve de fevereiro e a campanha Petrobrás Fica são continuidade desse legado. Inspirados na greve de 2015, petroleiros e petroleiras seguem sendo luta e resistência contra as privatizações.

> Confira a revista da FUP sobre a greve de novembro de 2015

> Acesse o relatório final do GT Pauta pelo Brasil

> Relembre aqui, passo a passo, a greve de novembro de 2015

[Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Brasil tem muito menos servidores do que a média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O número de servidores públicos representa 12,5% do total de trabalhadores no país, contra 21,2%, da média dos países da OCDE

[Do portal da CUT | Charge: Latuff/Sisejufe]

Ao contrário do que dizem os defensores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 32/2020, a chamada reforma Administrativa do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), o Brasil não tem excesso de servidores públicos. Muito pelo contrário, tem muito mais pessoas para serem atendidas nas unidades públicas do que trabalhadores para atender. E também não tem média salarial entre as mais altas.


Leia também: Reforma Administrativa desconhece realidade de servidores públicos do Brasil


Enquanto a população brasileira cresceu 30% nas últimas três décadas, o país perdeu 100 mil servidores públicos, segundo matéria da Fenae. O número de trabalhadores caiu de 710 mil para 610 mil. Já a população aumentou de 164 milhões para 211 milhões. Isso significa que o número de pessoas que cada servidor atende passou de 230 para 345 em 30 anos.

O Brasil tem muito menos servidores do que a média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O número de servidores públicos representa 12,5% do total de trabalhadores no país, contra 21,2%, da média dos países da OCDE. Em relação à proporção da população, os servidores públicos somam 5,6%, também abaixo da OCDE (9,6%).

Os dados foram levantados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Fórum Nacional das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate).

O levantamento desmente números divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que usou informações equivocadas para dizer que o Brasil é o sétimo país entre os 70 que mais gastam com servidores, tentando criar uma falsa narrativa para fortalecer a proposta de reforma Administrativa do governo Bolsonaro.


Confira o vídeo "verdades e mentiras sobre a reforma Administrativa de Bolsonaro"


Segundo o Dieese, a base citada pela CNI é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que só cita servidores da ativa, excluindo aposentados. No Brasil, as chamadas despesas intraorçamentárias (contribuição do governo aos regimes próprios de previdência) e a imputação contábil do déficit previdenciário inflam os gastos com pessoal apresentados ao FMI, na maior parte dos países da OCDE isso não acontece.

A pesquisa do Dieese, que também derruba os dados da CNI sobre remunerações, mostra que, tirando exceções que se concentram principalmente em carreiras como a de magistrados e parlamentares, 93% do funcionalismo brasileiro está no Executivo e têm média salarial de R$ 4,2 mil.

A CNI mostrou total desconhecimento sobre o funcionalismo brasileiro, critica o Secretário-Geral da Condsef, Sérgio Ronaldo da Silva. “O próprio governo federal já reconheceu que o país está abaixo no percentual total de empregados do setor público”.

A distorção dos dados é uma maneira clara de fazer a sociedade aprovar a PEC 32 que, na verdade, é mais um ataque do governo aos servidores públicos, categoria fundamental no atendimento a população, em especial a mais pobre, em áreas como saúde e educação.

Os principais argumentos para a reforma são de que o Estado é‘inchado’ e de que, em nome de uma modernização, é necessário reduzir o número de servidores que, de acordo com o governo, têm salários altos. As afirmações não são verdadeiras.

“A PEC tem o objetivo claro de acabar com os direitos e a estabilidade dos servidores, reduzir a atuação do Estado para facilitar as privatizações, aumentar os poderes do presidente da República e beneficiar os ‘amigos do rei’”, avalia o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto.

De acordo com Sérgio Silva, o governo federal gasta atualmente 34% do orçamento líquido da União com servidores. Ele observa que a Lei de Responsabilidade Fiscal permite que esse gasto seja de até 50%.

 Para o presidente do Fonacate, Rudinei Marques, a CNI deveria “se preocupar com a retomada do dinamismo industrial” no país. “Atacar o serviço público não vai melhorar a situação da indústria brasileira”, avalia.

Reforma

Enviada ao Congresso no último dia 3 de setembro, a PEC 32/2020 poupa parlamentares, juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores, promotores e procuradores — categorias com maior remuneração e benefícios no serviço público. “Ou seja, os privilégios da elite do funcionalismo público não serão prejudicados”, reforça o presidente da Fenae.

Ao contrário do que afirma o governo, a reforma Administrativa afetará também os atuais servidores públicos e os empregados das estatais. Exemplo disso é a demissão por mau desempenho, que já é estabelecida pela Constituição, mas ainda sem regulamentação por lei complementar. Conforme explica Sérgio Takemoto, uma lei ordinária passará a reger os critérios e procedimentos para demissão por desempenho insuficiente.

Em relação aos empregados de estatais, os acordos coletivos e convenções com objetivo de dar estabilidade ou evitar demissões infundadas não terão efeito. “A PEC também fixa várias proibições sobre direitos e vantagens, que serão aplicados a empregados e servidores, atuais e futuros; exceto se, para os atuais, esses direitos já estiverem previstos em lei. É neste sentido que a proposta de reforma afeta diretamente os empregados da Caixa Econômica Federal”, acrescenta Takemoto.

Segundo o presidente da Fenae, a proposta de reforma administrativa do governo não objetiva mais eficiência, aperfeiçoamento do modelo de Estado ou melhoria da qualidade dos serviços públicos. “Ela está, na verdade, concentrada na perseguição dos servidores públicos, destruindo direitos e acabando com a proteção constitucional que evita apadrinhamento político e perseguições ideológicas”, analisa Sérgio Takemoto.

Publicado em Trabalho
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.