[Atualizado às 19h50 desta quinta, 07/01]

O país registrou 1.841 vítimas pela Covid-19 na noite de quirta-feira, 07, chegando ao total de 200.498 óbitos desde o começo da pandemia, segundo o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass)

[FUP, com informações da CUT e da Rede Brasil Atual]

Quase dez meses após registrar o primeiro caso de Covid-19, o Brasil ultrapassou nesta quinta-feira (7) a triste marca de 200 mil vidas perdidas pela pandemia do novo coronavírus. O país está sem rumo e sem vacina.

A maior crise sanitária dos últimos 100 anos foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 11 de março de 2020 e somente no dia 25 do mesmo mês o Brasil registrou o primeiro caso da doença.

De lá para cá, foram muitas batalhas que o país enfrentou na condução da crise e ainda tendo que lidar com o negacionismo do governo de Jair Bolsonaro. Dois ministros da saúde caíram, o governo negou a crise, a ciência, brigou com governadores que decretaram medidas para conter o avanço da pandemia e, ainda, está patinando na compra de insumos para a vacinação da população.

Enquanto em mais de 50 países do mundo já começaram a imunização contra a doença, até os vizinhos da América Latina, o governo brasileiro até esta quarta ainda não tinha data para começar e ainda  suspendeu a compra de seringas, dizendo que está esperando os preços baixarem.

Sob o comando do general Eduardo Pazuello, que assumiu o Ministério da Saúde após demissão do segundo ministro da Pasta,  Nelson Teich, o país  ficou mais de três meses sem especialistas na área da saúde liderando o combate a pandemia.  O resultado foi a explosão tanto no número de casos como o de óbitos.

Outra polêmica envolvendo o governo nesses meses foi a falta de transparência do Ministério da Saúde com a inconsistência nos dados divulgados, que foi visto como prévia de censura por outros  órgãos de saúde, especialistas e pela imprensa.

Pazuello, em pronunciamento em rede nacional na noite de quarta (6), anunciou a edição de uma medida provisória para aquisição de vacinas e insumos para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. A MP estabeleceria a logística para a operacionalização do programa de imunização. A medida também preveria ainda o treinamento de profissionais e a permissão para a contratação de vacinas e insumos antes mesmo do registro sanitário pela Anvisa.

O ex-ministro da Saúde do governo da presidenta Dilma Rousseff, o deputado federal Alexandre Padilha (PT/SP) , criticou o teor do pronunciamento de Eduardo Pazuello.

“Desde do final dos anos 1970, ministros ocupam a rede nacional para anunciar uma campanha de vacinação. É a primeira vez que o anúncio não tem data, não tem local de vacinação. Nada. Enquanto ministros do mundo mostram números de vacinas aplicadas e pessoas vacinadas, o general que ocupa o ministério de Bolsonaro fala de vacinas pré-contratadas”, afirmou Padilha, à Rede Brasil Atual.

200 mil mortos

Nesta quinta, o país registrou o número recorde de 1.841 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas. Foi o dia com mais mortes por covid-19 no Brasil desde o início do surto, em março,

O número de novos casos também teve a maior escalada desde o início da epidemia. Foram 94.517 novos infectados, somando 7.961.673. Com os números desta quinta-feira, a média móvel de casos e mortes teve flta. Levando em conta cinco dias, a média de mortes chegou a 793, diante de 683 ontem. Os casos foram de 35.422 para 40.814. As médias são importantes para avaliar o crescimento da pandemia.

Vacina para todos

Uma possível vacinação privada contra a covid-19, em clínicas particulares, além de “moralmente inaceitável”, pode afetar negativamente o controle da pandemia, afirmam dezenas de entidades, em nota. A notícia circulou no início da semana, com a informação de que representantes da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas viajaram à Índia para conhecer detalhes da produção local.

“A abertura da vacinação para clínicas privadas pode impactar negativamente o controle da pandemia, aumentar as desigualdades sociais na saúde e os riscos inerentes ao prolongamento da circulação do vírus na população”, afirmam as entidades “A mercantilização da vacina não será tolerada por um Brasil que luta pela vida, por um país mais justo e solidário.” Segundo a nota, é preciso haver equidade no processo. Não apenas por uma questão de justiça social, “mas também como requisito para o tão esperado controle da pandemia”.

Leia a íntegra:

Neste momento de crise sanitária internacional e nacional devido à pandemia de Covid-19 – somos o segundo país do mundo em número de mortos por essa doença –, é fundamental nos concentrarmos na luta pela vacinação já, com equidade. A equidade é importante como a garantia de justiça social, mas também como requisito para o tão esperado controle da pandemia. Que seja, portanto, garantida igualdade de acesso às cidadãs e cidadãos brasileiros na vacinação contra a Covid-19.

O Programa Nacional de Imunização (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS) tem um histórico de grande sucesso, com experiência bem-sucedida em campanhas de âmbito nacional e com reconhecimento internacional. Somente o pleno apoio e adequado incentivo financeiro e operacional ao PNI pode garantir equidade no acesso efetivo e seguro da população à vacina.

Devido à magnitude desta campanha de vacinação que tem como meta cobrir toda a população e a limitação da oferta de vacinas no mercado internacional, países como o Brasil têm definido um modelo de prioridades para sua implementação com base em critérios epidemiológicos e de vulnerabilidade social.

Somente o SUS, por intermédio do PNI, poderá garantir a vacinação de toda a população brasileira com base nesses critérios. Seringas, agulhas, insumos de biossegurança e adequada logística e competência são necessárias para atingirmos este objetivo. As vacinas, objetos dos acordos de compra e transferência de tecnologia já estabelecidos com as empresas Sinovac e AstraZeneca, devem formar a espinha dorsal da campanha de vacinação no País sob a coordenação do PNI.

Numa sociedade como a nossa, marcada por grotescas desigualdades sociais, é moralmente inaceitável que a capacidade de pagar seja critério para acesso preferencial à vacinação contra a Covid-19. Caso isso ocorra, uma fila com base em riscos de se infectar, adoecer e morrer será desmontada. É inadmissível, portanto, permitir que pessoas com dinheiro pulem a fila de vacinação por meio da compra de vacinas em clínicas privadas.

Assim, causa preocupação o anúncio feito no dia 3 de janeiro que clínicas privadas negociam a importação de 5 milhões de doses de vacinas em desenvolvimento na Índia pelo laboratório Bharat Biotech.

No Reino Unido, para evitar a ocorrência de desigualdade social no acesso à vacina contra a Covid-19, governo e empresas elaboram acordos para não permitir que vacinas sejam compradas por clínicas privadas, pelo menos enquanto uma grande parte da população não tiver sido vacinada pelo Sistema Nacional de Saúde (NHS). Este é o exemplo que podemos seguir.

Consequências nefastas da venda de vacinas contra a Covid-19 por clínicas privadas, como as destacadas abaixo, vão além do aprofundamento do abismo social brasileiro:

  • Num momento de imensa necessidade de fortalecimento do SUS, renuncia-se ao seu potencial para vacinar a população brasileira com equidade, efetividade, eficiência e segurança, em prol do fortalecimento do mercado setor privado de saúde.
  • O detalhado acompanhamento da cobertura vacinal e a farmacovigilância para o monitoramento de eventos adversos, de grande importância principalmente no caso das vacinas contra a Covid-19 com aprovação pelas agências reguladoras em prazos recordes, tornam-se mais difíceis ou mesmo se inviabilizam.
  • O aumento do número de pessoas com doses incompletas de vacina (sem tomar as duas doses) tem maior probabilidade de ocorrer entre as pessoas vacinadas no setor privado, diminuindo a eficácia e a efetividade da vacinação.

A sociedade brasileira e suas instituições democráticas estão alertas. A abertura da vacinação para clínicas privadas pode impactar negativamente o controle da pandemia, aumentar as desigualdades sociais na saúde e os riscos inerentes ao prolongamento da circulação do vírus na população. A mercantilização da vacina não será tolerada por um Brasil que luta pela vida, por um país mais justo e solidário.

Entidades signatárias:

Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco
Associação Brasileira de Economia de Saúde – Abres
Associação Brasileira de Educação Médica – Abem
Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais – Abrato
Associação Brasileira Rede Unida – Rede Unida
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes
Conselho Nacional de Saúde – CNS
Federação Nacional dos Farmacêuticos – Fenafar
Instituto de Direito Sanitário Aplicado – Idisa
Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares – RNMP
Sociedade Brasileira de Bioética – SBB
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade – SBMFC
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social – CNTSS
Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG
União Brasileira de Mulheres – UBM
Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Associação Brasileira de Economia da Saúde – ABrES
Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva – ABRASBUCO
Associação Brasileira Ensino em Fisioterapia -ABENFSIO
Conselho Federal de Serviço Social- CFESS
Associação Brasileira de Enfermagem- ABEn Nacional
Associação de Fisioterapeutas do Brasil – AFB
Federação Nacional dos Nutricionistas – FNN
Federação Interestadual dos Odontologistas – FIO
US Network for Democracy in Brazil
Coletivo Adelaides, feminismos e saúde
Federação Nacional dos Enfermeiros- FNE
Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia – SBFa
Confederação Nacional dos trabalhadores na Saúde – CNTS

 

 

Quinta, 07 Janeiro 2021 13:30

O capitalismo e a vacina contra a Covid-19

No dia 31/12/2019 foi reportado à Organização Mundial de Saúde (OMS) o surgimento de uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida, na cidade de Wuhan, na China.

No dia 9 de janeiro foram divulgadas pela OMS e autoridades chinesas as primeiras análises sequenciais do vírus – um novo coronavírus, batizado de Covid-19.

A partir daí, vários casos de infecção e mortes pela doença foram relatados em países do mundo todo. No Brasil, o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no dia 26/02/2020. Em março, a pandemia pelo novo coronavírus foi decretada pela OMS.

Em meio às incertezas de uma doença pouco conhecida, ao medo e às perdas de milhões de vidas no mundo todo – no Brasil, segundo dados divulgados pelo consórcio de veículos da imprensa no dia 05/01, o país contabilizou 197.777 óbitos e 7.812.007 casos da doença desde o início da pandemia – deu-se inicio à uma corrida contra o tempo em busca de uma vacina para combater a Covid-19.

Em cerca de um ano a partir dos primeiros casos registrados da doença já há diversas vacinas disponíveis em caráter emergencial e algumas já sendo aplicadas em países como Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Chile, México, China, Arábia Saudita, Israel e diversos países da União Europeia.

O Brasil, pelo andar da carruagem, pode ser um dos últimos a vacinar, porque tem um presidente negacionista e que vem se empenhando em atrasar o inicio da vacinação no país.

Mas o que queremos analisar aqui são os verdadeiros motivos que levaram à celeridade, empenho e aplicação de grandes recursos financeiros para encontrar a cura dessa grave doença, mobilizando renomados cientistas, farmacêuticas, indústrias e governos.

Sem pular nenhuma etapa, a vacina hoje já é uma realidade, conquistando o posto de vacina mais rápida do mundo a ser desenvolvida, quebrando o recorde da vacina da caxumba, que o médico americano Maurice Hilleman demorou apenas 4 anos para produzir – depois de coletar amostra da garganta da filha, que teve a doença (Hilleman combinou sua vacina contra a caxumba às que desenvolvera contra o sarampo e a rubéola, criando uma única dose — a Tríplice Viral ).

Gostaríamos de pensar que tanta rapidez para alcançar a imunização contra a Covid-19 se deu apenas com o objetivo de salvar vidas. Mas a realidade é outra.

O fato é que a vacina, apesar de muito bem vinda, foi desenvolvida em tempo recorde para salvar, antes de tudo, o capital. A economia não pode parar, principalmente porque sem ela não há lucro para os grandes empresários.

Há muitas outras doenças que, mesmo após décadas de seu surgimento, não têm vacina. Uma delas é a AIDS, que apesar das melhoras nos métodos de prevenção e contágio, segue, após quase 40 anos, ainda matando, e sem nenhuma vacina. A Dengue também mata milhares de pessoas, a maioria pobre. A doença de Chagas é outra que continua sem vacina.

Por que não investir para encontrar também a cura dessas doenças? Simplesmente porque elas não atingem o capital. Elas matam, mas não interferem nos negócios, não impedem que os ricos fiquem cada vez mais ricos e, de certo modo, até auxiliam no aumento do lucro das indústrias farmacêuticas.

Portanto, a busca pela vacina contra a Covid-19, com seus resultados positivos, é, antes de tudo, uma preocupação com a continuidade e fortalecimento do capitalismo.

[Do Sindipetro Bahia | Foto: Bigstock]

A CUT e demais centrais conclamam o movimento sindical para a unidade na agenda para fortalecer a luta dos trabalhadores e para formulação de um novo projeto nacional de desenvolvimento

[Da imprensa da CUT]

Vacina já para todos e todas, manutenção do auxílio emergencial, proteção social, mais empregos, campanhas de solidariedade e fortalecimento da organização sindical e de negociação coletiva são os cinco eixos centrais da CUT e demais centrais sindicais para ação e mobilização unitária no ano de 2021.

A decisão do Fórum das Centrais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB) foi tomada pelas entidades nessa terça-feira (5), por videoconferência, e publicada no documento “Vacina, proteção e mais empregos: diretrizes para a ação sindical unitária”, divulgado nesta quarta-feira (6).

 “Essa agenda deve ser mobilizadora da ação sindical em todos os níveis, na interlocução com prefeitos recém-empossados, com governadores e  empresários, assim como na articulação com os movimentos sociais e populares, e com as entidades da sociedade civil”, afirma o Fórum no documento.

As entidades também definiram dar especial atenção ao processo de eleição da presidência da Câmara dos Deputados e do Senado que ocorrerá no dia 1º de fevereiro. Os candidatos das duas Casas receberão imediatamente as diretrizes unificadas do Fórum.

Crise e os impactos no trabalho

O debate se deu em torno de soluções para a crise que coloca em risco a vida, a saúde, os empregos, a renda do trabalho e a proteção social, de todos os trabalhadores e trabalhadoras e, com maior gravidade os mais vulneráveis.

Também foram debatidas as dificuldades deflagradas a partir da escandalosa supressão de direitos ocorrida na reforma Trabalhista, de 2017, e que impõe severas dificuldades e restrições às entidades sindicais em sua função elementar de exercer a defesa da classe trabalhadora.

Vacina e o desrespeito

Segundo os representantes das entidades sindicais, as crises econômica e sanitária são agravadas pelas estarrecedoras práticas do governo Bolsonaro que destrói políticas, programas e organizações públicas em todas as áreas, inclusive na área da saúde.

“O país está cada vez mais atrasado na implantação da vacinação por deliberada irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL). Seus péssimos exemplos só fazem aumentar as cenas de desrespeito de muitos aos cuidados e protocolos de segurança sanitária”, diz trecho do documento publicado após a reunião do Fórum das Centrais.

Auxílio emergencial e reação

As entidades também ressaltaram que o fim dos auxílios emergencial e de proteção dos salários e emprego, a partir de janeiro, serão dramáticos para milhões de trabalhadores e trabalhadoras e suas famílias, com o aumento da pobreza e da miséria.

Para o Fórum, o fim do governo Bolsonaro significa sepultar esses desmandos e a destruição de tantas políticas, programas e organizações públicas que o país levou décadas para construir, assim como impedir o obscurantismo que vem prevalecendo como forma de governo.

“Conclamamos todo o movimento sindical brasileiro para a unidade de ação em torno dessa agenda, para o fortalecimento da luta dos trabalhadores desde os sindicatos e para um movimento de inovação que recoloque a centralidade do mundo do trabalho na formulação de um novo projeto nacional de desenvolvimento”, diz trecho final do documento.

Leia aqui o documento na íntegra:

Enquanto o governo brasileiro segue sem um plano de vacinação em massa, imunização contra o novo coronavírus já é realidade em mais de 50 países. Especialistas indicam que, sem estratégia coletiva, vacinação individual pela rede privada pode ser ineficiente. 

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Ministerio da Saúde da Argentina]

Enquanto o governo Bolsonaro ainda não anunciou data para o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, representantes de clínicas da rede privada de imunização devem viajar à Índia. Eles negociam a compra de 5 milhões de doses da vacina desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech.

A informação foi divulgada pelo presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), Geraldo Barbosa, neste domingo (3), em entrevista ao canal por assinatura GloboNews

Segundo ele, a expectativa é de que o resultado da terceira fase de testes do imunizante indiano saia ainda neste mês de janeiro. Na sequência, o laboratório entraria com pedido de registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Num cenário “otimista”, o presidente da ABCVAC disse que o imunizante estaria disponível em clínicas particulares a partir da segunda quinzena de março. Barbosa também afirmou que as clínicas privadas não sofreriam com a falta de insumos para aplicação da vacina. “Já é do nosso negócio ter agulha e seringa, já é nosso estoque de rotina”.

Reação

O anúncio da ABCVAC causou reações de políticos e epidemiologistas. Os primeiros afirmam que qualquer vacina deve ser incluída no Plano Nacional de Vacinação, com distribuição gratuita e universal. Já os especialistas sustentam que um esforço não coordenado de vacinação pode resultar ineficiente.

Para o ex-candidato a presidente Fernando Haddad, a lentidão do governo Bolsonaro em garantir a vacina privilegia o ganho das clínicas particulares. “Bolsonaro atrasa a vacinação, favorecendo a rede privada. Paga com a vida quem não pode pagar pela vacina”, afirmou pelas redes sociais.

O deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) também afirmou que o esquema de vacinação deve priorizar as pessoas do grupo de risco, e não “quem tem dinheiro para furar a fila”. O deputado Ivan Valente (Psol-SP) também destacou que a vacinação precisar ser “uma política de estado e não uma solução de mercado”.

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PT-PR) também criticou o governo Bolsonaro. Segundo ele, a maioria da população “agoniza” sem saber se terá vacina e quando começará a ser aplicada. Enquanto que “laboratórios privados estão comprando vacinas, que serão vendidas a quem pode pagar”.

Estratégia coletiva

Nas redes sociais, uma parcela dos usuários defende a vacinação pela rede privada. Eles acreditam que tal medida poderia desafogar a fila da rede pública, além de poupar recursos e insumos. As empresas também poderiam adquirir o imunizante, auxiliando no esforço coletivo. Mas especialistas advertem que essa ação pode ser ineficiente, além de agravar as desigualdades do país.

Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), “ninguém se salva sozinho”. Ela alertou para a necessidade de uma estratégia coletiva de vacinação. Inclusive a imunização de apenas parte da população poderia facilitar novas mutações do vírus. O biólogo e divulgador científico Átila Iamarino também ressaltou a importância de priorizar as pessoas do grupo de risco.

Confira as explicações:

Na reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR) na última quarta-feira, 28, a FUP criticou duramente o Programa de Saúde Mental apresentado pela empresa, após cobrarmos o cumprimento da Cláusula 79 do Acordo Coletivo de Trabalho. O ACT garante aos sindicatos discutir a estruturação do programa nas comissões locais e nacional de SMS. No entanto, não é o que está sendo cumprido pela empresa.

Na reunião do EOR, a Petrobrás, além de se recusar a disponibilizar os dados cobrados pela FUP, alegando confidencialidade, apresentou um programa de saúde mental desenhado, sem discussão com os trabalhadores, a partir de conceitos que não correspondem à realidade da categoria. O programa blinda os gestores de qualquer responsabilidade com os fatores geradores de estresse e pressão psicológica que afetam cada vez mais os petroleiros, ao ponto de termos dois casos de suicídio recentes que abalaram ainda mais a categoria. Em menos de um mês, perdemos um companheiro na Rlam e outro na Bacia de Campos, durante o pré-embarque em um hotel da região.  

Em mais de três horas de reunião, as gerências da Petrobrás abordaram os impactos econômicos da depressão e transtornos de ansiedade, os efeitos sobre a produtividade dos trabalhadores e as ações nas esferas individual, coletiva e no ambiente do trabalho, visando o gerenciamento do estresse, prevenção de suicídio, mapeamento e avaliação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. No entanto, em momento algum, a Petrobrás abordou em sua apresentação a causa central do estresse e sofrimento mental que atinge os petroleiros: a desestruturação da vida profissional e familiar em função do fechamento de unidades, das privatizações e do desmonte que compromete o presente e o futuro da companhia.

Política de gestão é a causa dos transtornos psicológicos

“A empresa praticamente transfere para o trabalhador a responsabilidade pelo adoecimento mental, reforçando a necessidade de um estilo de vida saudável. Mas, os trabalhadores não se encontram em estado de bem estar, seu estilo de vida está completamente comprometido por conta da política de gestão da Petrobras, que contribui sobremaneira para os casos de transtornos mentais”, afirmou o diretor de SMS da FUP, Raimundo Teles.

O médico do trabalho do Sindipetro-NF, Ricardo Garcia Duarte, que assessora a FUP nas reuniões do EOR, lembrou a vistoria sanitária realizada dia 21/10 na Reduc, em cumprimento à Clausula 68 do ACT, que garante o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho para acompanhamento das condições de salubridade e segurança. A gerência da Reduc relatou à ele e aos diretores da FUP e do Sindipetro Duque de Caxias o caso de quatro petroleiros que haviam sido transferidos para a refinaria, vindos da Bacia de Campos, mas não chegaram sequer a assumir suas atividades, pois estão em afastamento médico devido a transtornos psicológicos.

“Como a Petrobrás pode falar em gerenciamento de estresse, quando está fechando as instalações em diversos estados? A vida dos trabalhadores está virada de ponta cabeça e eles ainda têm que lidar com a cobrança para que mantenham-se mentalmente equilibrados?”, questionou Raimundo, após a exposição do médico.

O diretor de SMS da FUP afirmou que o suicídio ocorrido na Rlam é a prova de que o programa de saúde mental da empresa não funciona. “Um suicídio dentro do ambiente de trabalho demonstra que programa está todo errado ou está sendo conduzido na direção oposta das necessidades dos trabalhadores”, frisou.

Covid-19: FUP cobra posicionamento da Petrobrás sobre vacina

Durante a reunião com o EOR, as representações sindicais relataram preocupação com um possível surto de Covid-19 em unidades da Transpetro no Ceará e cobrou que os gestores apurem os fatos e tomem as devidas providências. A FUP também questionou a empresa sobre as medidas de segurança que estão sendo adotadas para evitar a contaminação nas paradas de manutenção que estão acontecendo nas refinarias. As direções sindicais ressaltaram que a pandemia da Covid-19 não acabou e que as paradas movimentam centenas de trabalhadores nas refinarias, na contramão do que os órgãos de saúde sanitária determinam para controlar as aglomerações.

Outra cobrança feita pela FUP foi em relação ao protocolo que a Petrobrás irá adotar em relação à vacina contra a Covid-19. Os petroleiros querem um posicionamento da empresa, já que o governo tem tido opiniões preocupantes sobre a vacina, com o presidente Bolsonaro se manifestando contrário à obrigatoriedade e à vacina chinesa. “Queremos saber o que a gestão da Petrobrás fará? A empresa vai adotar um protocolo próprio de imunização? Qual é a orientação? Teremos uma campanha própria de vacinação para os petroleiros?”, questionou o diretor de SMS da FUP.

[Imprensa da FUP]

Enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, politiza o acesso da população à imunização contra a Covid-19, declarando guerra à vacina chinesa CoronaVac, o Brasil se aproxima de 156 mil mortes causadas pela doença e mais de 5,3 milhões de pessoas infectados.

Em número de contaminados, continuamos como o terceiro país mais afetado pela pandemia no mundo, de acordo com o monitoramento da universidade norte-amerciana Johns Hopkins. Em primeiro lugar, estão os Estados Unidos, com 8,3 milhões de infectados, seguidos pela Índia, com 7,7 milhões. Já em relação ao número de óbitos, o Brasil é o segundo país com maior número de mortes pela Covid-19, ficando atrás somente dos Estados Unidos, com mais de 222 mil vítimas fatais. 

Apesar do Brasil ter os piores indicadores no combate à pandemia, Bolsonaro em vez de buscar soluções para a maior crise da história, prefere gerar mais crise. Após o Ministério da Saúde ter anunciado que assinou protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac, o presidene declaração que não permitirá que a vacina chinesa seja incluída no Programa Nacional de Imunização (PNI), mesmo sendo aprovada pela Agência nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O anúncio foi feito por ele na quarta-feira, 22, e gerou revolta entre os governadores e parlamentares que ameaçam recorrer ao Judiciário para garantir a vacinação contra a Covid-19, com qualquer vacina que esteja disponível.

O governador Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, alertou que não haverá restrições para garantir o acesso da população ao medicamento. “Não queremos uma nova guerra na Federação. Mas, com certeza, os governadores irão ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras”, tuitou Dino.

Já o governador da Bahia, Rui Costa (PT) afirmou que o ministro da Saúde tomou medida sensata de garantir acesso à vacina de qualquer país para salvar vidas. “Estamos em guerra contra a Covid, que já matou mais de 150 mil no Brasil. O presidente não pode desmoralizá-lo e desautorizá-lo nesta luta”, disse.

A presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), apresentou um projeto de lei para que a vacina contra a Covid-19 seja obrigatória. A Rede Sustentabilidade elabora uma ação, que pretende ajuizar no STF nesta quinta-feira (22), para obrigar o governo a comprar e distribuir vacinas aprovadas pela Anvisa. O PDT, também está entrando com ação no Supremo para garantir a competência de estados e municípios para impor medidas, como vacinação obrigatória.

A discussão judicial deve se dar sobre a questão da compra, produção e distribuição. O STF deve liberar ou permitir que os estados adotem medidas independentemente do Planalto. Já há inclusive jurisprudência. Em abril, a Corte decidiu a favor da legitimidade de estados e municípios na adoção de medidas restritivas durante a pandemia.

Na época, as negociações entre estados aconteceram à revelia do governo federal. Atualmente, há uma disputa política entre o governador de São Paulo, João Doria, e Bolsonaro, pelo protagonismo em torno da pandemia. 

O presidente da Anvisa, Antônio Barra, afirmou que a covid-19 é “prioridade da agência” e que as decisões em torno das quatro pesquisas sobre vacinas em andamento no Brasil não serão alteradas por “influência e pressão” a não ser da ciência.

Em audiência pública realizada pela Comissão Mista de Acompanhamento das Medidas de Combate à Covid-19, na segunda-feira, 20, o diretor-adjunto da Anvisa, Juvenal de Souza Brasil Neto, também foi taxativo: “Não existe interferência politica na Anvisa, que é um órgão de Estado, não de governo”.

Para o cientista político Oswaldo Amaral, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a declaração de Bolsonaro é mais uma bravata política para satisfazer a parcela de eleitores mais radicais, com fins eleitorais. “É a tática dele, para animar a base mais fiel, de 15% a 20%, e é sempre assim. Ele diz que o governo não vai comprar, mas sabe que alguém vai entrar no Supremo e o tribunal vai mandar comprar. As pessoas vão ser vacinadas e daqui a um ano ninguém mais lembra dessa história. É muito parecido com a questão da quarentena no início da pandemia.”

[FUP, com informações das agência de notícias e da Rede Brasil Atual]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.