Pelo menos seis mulheres foram assassinadas pelos ex-companheiros; quatro delas eram da região sul do país 

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC | Texto:Davi Macedo 

Os bordões natalinos mais repetidos remetem ao renascimento do amor, da paz e da esperança. Contrastam, no entanto, com os vários crimes de feminicídio ocorridos no Brasil durante as comemorações do feriado religioso.   

Na véspera do Natal, Viviane Vieira do Amaral, 45 anos e moradora de Niterói-RJ, foi morta a facadas pelo ex-marido na frente das três filhas pequenas que tiveram juntos. Thalia Ferraz, 23 anos, de Jaraguá do Sul-SC, foi baleada pelo ex-companheiro diante dos parentes. Evelaine Aparecida Ricardo, 29 anos, residente de Campo Largo-PR, interrompeu a ceia em família para atender ao chamado do namorado no portão e foi alvejada. Loni Priebe de Almeida, 74 anos, de Ibarama-RS, levou um tiro na cabeça pelo ex-companheiro, que se matou em seguida. 

Já no dia 25 a “pandemia de feminicídios” fez mais duas vítimas. Anna Paula Porfírio dos Santos, 45 anos, de Recife-PE, foi assassinada a tiros pelo marido dentro de casa, diante da filha de 12 anos. Enquanto Aline Arns, 38 anos, de Forquilhinha-SC, foi baleada pelo ex-companheiro, que cometeu suicídio em seguida, também no interior de sua residência. 

O crime de feminicídio no Brasil é tipificado pela Lei 13.104 de 2015 que o define como um homicídio qualificado e o coloca na lista de crimes hediondos, com penas mais altas, de 12 a 30 anos. É considerado feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição da vítima ser mulher. 

Para Cristiane Fogaça, do Coletivo de Mulheres Petroleiras do Paraná e Santa Catarina, os crimes de feminicídio em período festivo chocam porque “são praticamente todos brutalmente planejados para ferir não somente as vítimas, mas também seus filhos. Mais que a crueldade em si que o feminicídio traz, é vil e sórdido que uma data que remete à felicidade e à renovação da esperança seja para sempre marcada na memória de alguém, ainda mais uma criança, como algo tão terrível. Esses assassinos são frios e calculistas. Odeiam aos seus, não têm caráter e empatia”. 

Um vírus e duas guerras

O monitoramento “Um vírus e duas guerras” revela que 497 mulheres perderam suas vidas desde o início da pandemia do novo coronavírus (em meados de março) até o final do mês de agosto. Foi um feminicídio a cada nove horas, com média de três mortes por dia em seis meses de pandemia. O índice médio do país foi de 0,34 feminicídios por 100 mil mulheres. 

O estudo dos casos é feito por uma parceria entre sete veículos de jornalismo independente, que visa monitorar a evolução da violência contra a mulher durante a pandemia. Participam as mídias alternativas Amazônia Real, sediada no Amazonas; #Colabora, no Rio de Janeiro; Eco Nordeste, no Ceará; Marco Zero Conteúdo, em Pernambuco; Portal Catarinas, em Santa Catarina; AzMina e Ponte Jornalismo, em São Paulo. 

Para Cristiane, os números revelam um problema social crônico. “Num período de pandemia, a ‘pandemia do feminicídio’ é mais um indício de que uma mudança brusca no comportamento da sociedade é urgente. Precisamos repensar todo e qualquer ato de violência contra a mulher, seja físico, psicológico, social, enfim, nenhum tipo de violência é aceitável. Mais uma vez fazemos um chamado para dar um basta à violência contra a mulher. Temos que dar fim a todas as pandemias que nos assolam, e a do feminicídio é assunto emergencial”. 

Atualização - Durante a produção desta matéria, nesta segunda-feira (28), mais um caso de feminicídio pode ter ocorrido no Brasil, desta vez em Curitiba-PR. Uma gerente da Caixa Econômica Federal (CEF) de 40 anos foi assassinada a tiros quando saía do banco, no bairro Capão Raso. Como a bolsa dela foi levada existe a suspeita de latrocínio (roubo seguido de morte), porém não se descarta um feminicídio, pois familiares afirmaram que a bancária tinha uma medida protetiva contra o ex-marido. Mesmo sem qualquer esboço de reação da vítima, o criminoso ainda atirou para matar.

 

Publicado em Cidadania

25 de novembro é o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. A data foi escolhida durante o I Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em Bogotá, na Colômbia, em 1981, em homenagem as três irmãs ativistas políticas, Pátria, Minerva e Maria Teresa, as irmãs Mirabal, conhecidas como Las Mariposas, que foram perseguidas e mortas em 25 de novembro de 1960 pelo governo do ditador Trujillo, da República Dominicana

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

Hoje é dia de luta, denúncia e de mobilização em repúdio à violência que destrói a vida de milhares de mulheres em todo o mundo.

Quando se fala em violência contra mulher, a primeira relação feita é com a agressão física, aquela que deixa marcas internas e externas nas vítimas. E tem-se razão para isso, já que o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial de feminicídio, de acordo com dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Mas a violência contra a mulher não é só a que deixa marcas no corpo. Ameaças, ridicularização, humilhação, constrangimento, manipulação, limitação do direito de ir e vir, vigília constante, perseguição e chantagens são exemplos de violência contra a mulher que também devem ser denunciadas e combatidas.

Durante este período que estamos vivendo, diante de uma pandemia, o isolamento social faz com que as famílias permaneçam em casa, o que agrava o problema, pois o lar é o local onde a violência, na maioria das vezes, acontece, afinal, costuma-se ter menos testemunhas por perto.

Entre os meses de março e abril deste ano, os casos de feminicídio aumentaram em 22,2%, quando analisados dados fornecidos por 12 estados, o que demonstra um alarmante crescimento quando comparados ao ano de 2019.

Por isso, é muito importante chamar a atenção sobre índices e ausência de registros confiáveis; estimular a informação sobre o feminicídio e atuar contra a impunidade.

Importante chamarmos atenção também para o fato de que a mulher negra, segundo o Mapa da Violência, é a principal vítima da violência, com o maior número de homicídios.

Sigamos combatendo, não nos calando, não nos omitindo, mas sim, denunciando qualquer tipo de violência contra as mulheres!

Publicado em Cidadania

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.